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Deve a Igreja mudar sua posição sobre homossexualismo e divórcio?

8, junho, 2010 3 comentários
Cardeal-Schonborn, arcebispo de Viena
Cardeal-Schonborn, arcebispo de Viena

Estão repercutindo intensamente em vários meios − especialmente na mídia liberal, em setores progressistas da Igreja e entre ativistas homossexuais− as recentes declarações do Arcebispo de Viena Christoph Cardeal Schoenborn, sobre o homossexualismo e o divórcio¹.

Falando a um grupo de jornalistas austríacos no dia 28 de abril último, o purpurado fez confusas e concessivas afirmações sobre o homossexualismo e o divórcio.

Nessa ocasião, criticou também nominalmente o Cardeal Angelo Sodano, ex-Secretário de Estado do Papa João Paulo II e atual decano do Colégio Cardinalício, acusando-o “de cumplicidade e acobertamento de alegações de abuso sexual em relação ao seu predecessor [o falecido Cardeal Groer que foi Arcebispo de Viena] a figura mais importate da Igreja na Austria.”²

Nada há de comum entre o casamento e a parceria homossexual

As surpreendentes declarações do Arcebispo de Viena foram difundidas pela agência católica austríaca Kathpress, e divulgadas por vários meios de comunicação.³

Segundo o The Tablet, de Londres, o Cardeal Schoenborn, “perguntado sobre a atitude da Igreja em relação aos homossexuais, respondeu dizendo: ‘Nós deveríamos tomar mais em consideração a qualidade dos relacionamentos homossexuais,’ acrescentando: ‘Um relacionamento estável é certamente melhor do que a pessoa escolher a promiscuidade.’4

A palavra-chave da afirmação acima é “qualidade.” Fica sugerido que as relações homossexuais havidas dentro e fora de um relacionamento estável seriam de “qualidade” diferente e que, portanto, mereceriam uma diferente apreciação moral, tal como ocorre nas relações heterossexuais dentro ou fora do matrimônio.

Com efeito, o ato sexual entre homem e mulher dentro e fora do casamento são de qualidade ou natureza moral diferente. Quando realizado de modo natural dentro do casamento ele é apto a atingir a sua finalidade que é o da procriação e educação dos filhos, sendo portanto legítimo; quando praticado fora do casamento (ou de modo antinatural dentro dele) vai contra sua finalidade, sendo portanto ilegítimo e pecaminoso.

Uma vez que o ato homossexual é, em si mesmo, inapto para a procriação e o relacionamento homossexual moralmente inapto para a educação de filhos, sua “qualidade” ou natureza não muda em relações estáveis ou promíscuas, permanecendo sempre a mesma, ou seja a de um ato contrário à natureza, ilegítimo, pecaminoso5.

No atual contexto da campanha (já amparada por leis) que visa a equiparar o relacionamento homossexual estável ao casamento, defender os relacionamentos homossexuais “estáveis” vem favorecer tal campanha.

A Igreja não pode mudar sua posição face ao divórcio

Em sua conversa com os jornalistas, “o Cardeal também disse que a Igreja precisa reconsiderar sua posição em relação aos divorciados recasados, ‘uma vez que muitas pessoas não estão nem mais se casando.’ Ele disse que a primeira coisa a se considerar deveria ser não o pecado, mas o esforço feito pela pessoa para viver de acordo como os mandamentos. Prosseguiu afirmando que em vez de uma moralidade baseada no dever, deveríamos caminhar para uma moralidade baseada na felicidade.”6

No que consiste para a Igreja, “reconsiderar sua posição em relação aos divorciados recasados”? Pela afirmação que se segue, de que se deve considerar mais o esforço feito pelas pessoas, do que o pecado que cometem, parece que o Cardeal se refere a uma mudança em relação à proibição dos católicos divorciados e “recasados” de receberem a Comunhão.

Ora, de acordo com a moral tradicional, posto que o casamento, mesmo natural, é indissolúvel, uma pessoa que passa para segundas núpcias após abandonar seu legítimo cônjuge, não está realmente casada mas vive em estado de concubinato. O que é uma situação objetivamente pecaminosa e que lhe proíbe de receber a Comunhão.7

Permitir que pessoas nessas circunstâncias recebam normalmente os Sacramentos implica em negar que seu estado seja pecaminoso. Ora, tal negação, pelo menos implicitamente, parece negar princípio da indissolubilidade do matrimônio, pois tais pessoas só não estariam em pecado caso seu casamento anterior não continuasse a existir.

Mas, a indissolubilidade do casamento, mesmo do casamento natural, é um princípio que decorre da Lei natural, e, portanto8, a Igreja não pode abrir mão dessa indissolubilidade, mesmo indiretamente, como seria no caso de tratar as pessoas vivendo em concubinato como se estivessem legitimamente casadas. Pois como lembrou o Papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae, a Igreja é a guardiã e a intérprete da Lei natural, não a sua criadora. Por essa razão ela não pode modificá-la.9

A destruição da moral objetiva

Em relação à declaração do Purpurado vienense de que “a primeira coisa a se considerar não devia ser o pecado mas sim o esforço feito pela pessoa para o evitar”, isso implicaria em deslocar o eixo da moral da norma objetiva, que é o da obediência devida à Lei divina e natural, para o de uma norma subjetiva que serio o do esforço despendido pela pessoa para evitar o pecado, mesmo que não conseguisse evitá-lo.

Mas, com essa mudança, a lei moral deixaria de ser o padrão objetivo para julgar da legitimidade ou ilegitimidade moral do ato humano e cedendo seu lugar para um critério puramente subjetivista, impossível de se avaliar. De fato, como determinar objetivamente o esforço feito interiormente para fazer ou evitar algo?

Passa-se então de uma moral objetiva e universal, baseada em princípios claros e racionais para um subjetivismo relativista, destruidor de toda ordenação ética. Além do que, essa conceituação é totalmente naturalista, negando o princípio de que Deus não deixa de dar a ajuda de sua graça àqueles que realmente se esforçam para atingir um fim bom.10

Por fim, propor uma moral que oponha a felicidade ao dever é propor uma contradição. A verdadeira felicidade, como mesmo filósofos pagãos chegaram a compreender, resulta da prática da virtude.11 Num plano superior, a felicidade está relacionada com o fim último do homem, que é a eterna bem-aventurança, a qual não se alcança sem a obediência à Lei divina e a prática do dever religioso.

Não entramos aqui na análise das intenções subjetivas do Cardeal-Arcebispo de Viena, as quais cabe a Deus julgar. Mas, não podemos deixar de lamentar o efeito de suas declarações.

1 Cf. Cathy Lynn Grossman, Cardinal’s surprising new tune: ‘Don’t worry, be happy’, USATODAY, Faith & Reason, May 08, 2010, http://content.usatoday.com/communities/Religion/post/2010/05/gay-marriage-divorce-catholic-church/1; Tim Rutten, Changing the church – Recent statements and writings show that there is support within the church for reform; latimes.com, May 12, 2010, latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-0512-rutten-20100512,0,7587200.column; James Martin, S.J., Schonborn Attacks Sodano; Calls for New Look at Gays and Remarried Catholics, Posted at: Friday, May 07, 2010 02:38:56 PM, http://www.americamagazine.org/blog/entry.cfm?blog_id=2&entry_id=2858; The Daily Dish | By Andrew Sullivan, Tips-Q, http://www.tips-q.com/category/news-sources/-daily-dish-andrew-sullivan.

2 John L. Allen Jr., ‘The days of cover-up are over,’ Schönborn, http://ncronline.org/news/accountability/days-cover-are-over-sch%C3%B6nborn; Cf. Philip Pullella, Cardinal accuses Vatican official of abuse cover-up, VATICAN CITY, Sun May 9, 2010 10:34am EDT, REUTERS, http://www.reuters.com/article/idUSTRE6481D420100509.

3 Para o vaticanista italiano Andrea Tornielli, o fato das palavras do Cardeal terem sido divulgadas pela agência noticiosa católica garante a fidelidade das mesmas. (Schoenborn attacca Sodano: “Non volle indagare su Groer”, http://blog.ilgiornale.it/tornielli).

4 Christa Pongratz-Lippitt, Schönborn attacks Sodano and urges reform, The Tablet, 8 May 2010 , http://www.thetablet.co.uk/article/14678.

5 Cf. Saint Thomas Aquinas, The Reason Why Simple Fornication Is A Sin According To Divine Law, And That Matrimony Is Natural, Summa Contra Gentiles, book 3, q. 122 (at http://dhspriory.org/thomas/ContraGentiles3b.htm#123); Catechism of the Catholic Church, 2357.

6 Christa Pongratz-Lippitt, Schönborn attacks Sodano and urges reform, The Tablet, 8 May 2010 , http://www.thetablet.co.uk/article/14678.

7 Código de Direito Canônico, Cânon  915: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditados, depois da imposição ou declaração da pena, e outros que obstinadamene persistem no pecado grave manifesto.”

8 Cf. Victor Cathrein, S.J., Philosophia Moralis, Editorial Herder, Barcelona, 1945, p. 365, n. 527; Santo Tomás de Aquino, O matrimônio deve ser indivisível, Summa Contra Gentiles, book 3, q. 123 (at http://dhspriory.org/thomas/ContraGentiles3b.htm#123).

9 Humanae Vitae, nn. 4 and 18 (http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html).

10 “Facienti quod in se est, Deus non denegat gratiam.” Fazendo-se o esforço devido Deus não nega sua graça (J. Van der Meersch, Grace, Dictionnaire de Théologie Catholique, T. VI, Deuxime Partie, col. 1603, Letouzey et Ané, Paris, 1947).

11 Aristotle, Nicomachean Ethics, at http://classics.mit.edu/Aristotle/nicomachaen.8.viii.html.

Fonte: IPCO

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Solidariedade ao Papa pode ser enviada via SMS

11, maio, 2010 2 comentários

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O programa religioso semanal da televisão pública italiana RAI anunciou neste sábado a ativação de uma linha telefônica para que os católicos possam enviar mensagens SMS de solidariedade ao Papa Bento XVI, em um momento no qual os escândalos de pedofilia afetam a Igreja.

O objetivo da medida é demonstrar a Bento XVI o afeto dos católicos, após a onda de acusações mediáticas dos últimos meses contra padres, principalmente na Europa.

O número para enviar uma mensagem ao Papa é (**39) 335 18 63 091. “É realmente uma oportunidade única porque, por meio deste número, todos poderão expressar sua solidariedade, mesmo sem estar presente na Praça de São Pedro”, comentou Rosario Carello, diretor do programa que vai ao ar aos domingos no canal estatal RAI Uno.

A Consulta Nacional de Associações Laicas (CNAL), que reúne 67 organizações, convocou no mês passado uma grande manifestação de apoio ao Papa para 16 de maio na Praça de São Pedro.

O cardeal brasileiro Claudio Hummes, prefeito da Congregação para o Clero, enviou uma carta aos 400.000 padres católicos comandados por 5.000 arcebispos dos cinco continentes para que “apóiem publicamente o Santo Padre” por ocasião do ato de encerramento do “ano sacerdotal”, que a Igreja celebrará nos dias 9, 10 e 11 de junho.

Brasileiros na campanha contra as calúnias

O Instituto Plinio Corrêa de Oliveira (IPCO) também está realizando uma campanha em solidariedade ao Papa, e a Associação Devotos de Fátima louva esta iniciativa.

Trata-se de um abaixo assinado brasileiro, contra as calúnias e mentiras que vem sendo espalhadas acerca da Igreja Católica. Estas assinaturas serão levadas até o Vaticano e entregues nas mãos do Santo Padre.

Veja aqui como enviar sua assinatura de protesto e apoio ao Papa.

Fonte: Cidade Marketing

Os brasileiros não podem se omitir frente a tantas calúnias e maldades que vem sendo veiculadas contra a Santa Igreja Católica.

Mostremos o quão somos unidos e apoiamos o Papa, envie seu SMS para o número (**39) 335 18 63 091 ou deixe seu nome no abaixo-assinado promovido pelo IPCO.

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Pesquisas com células-tronco: cardeal Martino explica posição do Vaticano

2, maio, 2010 2 comentários

“Com células-tronco adultas ninguém é assassinado”


Cardeal Renato Martino

Cardeal Renato Martino

É lícita a pesquisa científica com células-tronco adultas? Porque o Vaticano tem apoiado tais pesquisas? O presidente emérito do Conselho Pontifício Justiça e Paz, cardeal Renato Martino, respondeu a perguntas como estas em uma entrevista transmitida pela Rádio Vaticana, logo após a Universidade de Maryland, nos EUA, anunciar a decisão da Santa Sé de doar milhões de dólares para pesquisas deste tipo.

“A Igreja quer contribuir para o progresso da ciência, mas sempre tendo em vista a defesa da vida dos doentes e evitando o emprego de células-tronco embrionárias nas pesquisas”, declarou o purpurado.

As células-tronco – também conhecidas como células-mãe – possuem a capacidade de se transformar em qualquer tipo de célula, incluindo células de tecidos cerebrais, cardíacos, de músculos, da pele e de outros órgãos.

Tais células são encontradas no cordão umbilical, na placenta, na medula óssea, nos intestinos e nos embriões. Várias clínicas de maternidade já oferecem o serviço de congelar amostras do cordão umbilical da placenta de recém-nascidos a fim de conservar células-tronco caso venham a ser necessárias em tratamentos no futuro – tanto do próprio bebê como também, em alguns casos, de seus pais ou irmãos.

O problema é quando as pesquisas se baseiam nas células-tronco extraídas de embriões jovens – nos quais estão também presentes em grandes quantidades.“Quando se utiliza um embrião para obter células-tronco, o restante do embrião é eliminado, e uma vida humana é destruída”, enfatizou o cardeal.

“Ao contrário, quando células-tronco adultas são usadas, não se assassina ninguém!”, acrescentou.

“Esta iniciativa propõe a extração de células-tronco adultas do intestino do paciente, para tratar doenças com o Alzheimer”, disse o purpurado.

A reunião de organização foi realizada no hospital do Menino Jesus de Roma – que pertence ao Vaticano – e que colocou à disposição seus próprios laboratórios para os estudos.

O cardeal afirmou que “a primeira contribuição da Igreja católica a tais pesquisas será oferecer um local onde poderão ser realizadas”.

Recentemente, o porta-voz da Santa Sé, padre Federico Lombardi S.J., disse que “sempre se reconheceu como legítimos a pesquisa científica e o uso clínico de células-tronco provenientes de tecidos adultos” – como ocorre neste caso. “A distinção entre células-tronco adultas e embrionárias é fundamental sob o ponto de vista ético”.

Fonte: Zenit

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Mais de 5.000 anglicanos dos EUA querem passar para a Igreja Católica

12, março, 2010 2 comentários

CIDADE DO VATICANO — Um grupo de mais de 5.000 anglicanos americanos quer passar para a Igreja Católica após a oferta feita pelo papa Bento XVI, informou nesta quarta-feira em Roma a agência de notícias católicas Zenit.

Os bispos da “Anglican Church in America” (ACA, Igreja Anglicana na América), anunciaram que haviam realizado recentemente um encontro em Orlando, sul dos EUA, durante o qual decidiram solicitar “formalmente” a plena comunhão com a Igreja Católica.

O Vaticano anunciou em novembro passado a adoção da Constituição Apostólica, que permite uma conversão coletiva para o Catolicismo dos tradicionalistas anglicanos decepcionados com a visão extremamente progressista de sua Igreja, principalmente em temas como o homossexualismo e a ordenação de bispas.

A Constituição Apostólica autoriza o nascimento de uma “estrutura canônica” específica para os novos “anglicanos católicos”.

O papa Bento XVI decidiu em outubro passado criar uma estrutura para receber os setores mais tradicionalistas anglicanos, o que gerou reações dentro e fora da Igreja Católica, acusada de querer unificar os setores mais conservadores.

Reverendo Martyn Minns

Reverendo Martyn Minns

A nova estrutura poderá aceitar os sacerdotes casados, embora os bispos anglicanos casados que se juntarem à nova congregação não possam ser reconhecidos como bispos e os sacerdotes que entrarem não possam se casar depois.

Os bispos celibatários terão que ir a cada cinco anos ao Vaticano para uma “visita ad limina” ao Papa, como está previsto para as conferências episcopais de todos os países.

A ACA tem cerca de 5.200 membros em 100 congregações e é diferente da Igreja Episcopal. Também não faz parte da Comunhão Anglicana, que têm como primado principal o arcebispo de Canterbury.


Fonte: AFP

Acenda uma vela no Oratório da Medalha Milagrosa, em agradecimento a Nossa Senhora pela conversão de anglicanos ao catolicismo e peça a Ela que conceda essa mesma graça a outros.


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