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Textos com Etiquetas ‘Professor Plinio Corrêa de Oliveira’

A gravidade da situação do mundo conforme a Mensagem de Fátima

24, janeiro, 2012 11 comentários

(extrato do artigo “A Devoção ao Coração de Maria salvará o Mundo do Comunismo”, na Revista Catolicismo, número 30, junho de 1953)

Nossa Senhora falou pois ao mundo.

Ela descreveu a situação como gravíssima, apontou como causa desta situação a espantosa decadência moral da humanidade, ameaçou-nos com terríveis punições terrenas – nova guerra, alastramento mundial dos erros do comunismo, perseguições à Igreja — e com uma punição eterna mil vezes pior — o inferno — se não nos emendarmos, e por fim prescreveu os meios necessários para que cheguemos à emenda e evitemos tantos castigos.

Em que pese a alguns doidivanas que fecham os olhos à realidade mais evidente e se comprazem em afirmar que está em ordem com Deus este mundo em que vivemos, de dúvida, de naturalismo, de indisciplina moral e de adoração da felicidade terrena, é preciso crer o contrário, pois é o contrário que Nossa Senhora nos diz.

É bem certo que alguns sociólogos evolucionistas, muito mais evolucionistas do que sociólogos, se deleitam em dizer que o dia de hoje é melhor que o de ontem, e que o de amanhã será necessariamente melhor do que o de hoje.

 

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De outro modo, por mais que o progresso material, a medicina, as finanças, as diversões, o conforto da vida enfim se desenvolvam, caminhamos para um grande e universal colapso.

Também não faltam, infelizmente, teólogos otimistas, que criam em torno de si uma agradável atmosfera de simpatia afirmando que quase ninguém se condena ao inferno.

Nossa Senhora contudo ensina o contrário, e o faz não só por palavras como ainda com o argumento invencível do fato concreto: abre o inferno aos olhos dos pastorinhos aterrorizados, para que contem ao mundo inteiro o que viram. E é em Nossa Senhora e não em certa teologia morna, de água de flor de laranjeira, que cumpre crer.

Fátima, a crise mundial e a solução

6, julho, 2010 2 comentários

Plinio_Corrêa_de_Oliveirapor Plinio Corrêa de Oliveira, extraída de Catolicismo

O texto abaixo, de autoria do eminente escritor e pensador Prof. Plínio Corrêa de Oliveira, foi escrito no ano de 1953. Já se passaram muitos anos, mas justamente por isso trazemos estas palavras para que o leitor note a incrível lucidez e atualidade de suas considerações sobre Fátima.

Não há sobre a Terra uma só nação que não esteja a braços, em quase todos os campos, com crises gravíssimas. Se analisarmos a vida interna de cada país, notaremos nele um estado de agitação, de desordem, de desbragamento de apetites e ambições, de subversão de valores que, se já não é a anarquia franca, em todo o caso caminha para lá.

Nenhum estadista de nossos dias soube ainda apresentar o remédio que corte o passo a esse processo mórbido, de envergadura universal. Mas, para a gravidade desta crise universal, a mensagem de Nossa Senhora de Fátima abre os olhos dos homens, apresentando-lhes uma explicação à luz dos planos da Providência Divina, e também indicando-lhes os meios necessários para evitar a catástrofe. É a própria história de nossa época, e mais do que isto o seu futuro, que nos é ensinado por Nossa Senhora.

A época contemporânea tem um privilégio: em Fátima, Nossa Senhora veio falar aos homens. Ela, a um tempo, explica os motivos da crise e indica o seu remédio, profetizando a catástrofe caso os homens não a ouçam. De todo ponto de vista — pela natureza do conteúdo como pela dignidade de quem as fez — as revelações de Fátima sobrepujam, pois, tudo quanto a Providência tem manifestado aos homens na iminência das grandes borrascas da História.

Peregrinando dentro do olhar de Nossa Senhora

19, junho, 2010 1 comentário

Nossa Senhora de FátimaFisionomia igual não conheço. Tenho-a bem diante de mim, e, movido pelo hábito de tudo observar e explicar para meu próprio uso, fito-a com atenção. E de repente percebo que entro dentro dela.

Sim, essa fisionomia única como que deflui da face e especialmente dos olhos. Envolve-me no ambiente que ela cria. Ao mesmo tempo, convida-me a entrar fundo no seu olhar.

Inscreva suas intenções na Santa Missa em louvor a Nossa Senhora, ligue: 0800 773 1119.

— Que olhar! Nenhum é tão límpido, tão franco, tão puro, tão acolhedor. Em nenhum se penetra com tal facilidade. Contudo, nenhum também apresenta profundidades que se perdem em tão longínquo horizonte. Quanto mais dentro desse olhar se caminha, tanto mais ele atrai para um indescritível ápice interior e profundo. [...]

Pode alguém passar a vida inteira caminhando dentro desse olhar, sem jamais tocar nesse vértice. — Caminhada inútil? — Não. Dentro desse olhar não se anda; voa-se. Não se passeia; faz-se peregrinação.

Ao longo desta peregrinação da alma, o olhar, no qual voa, já não o envolve apenas. Mas penetra nele. Quando o peregrino cerra os olhos, julga vê-lo à maneira de luz no mais profundo de si mesmo. Tenho impressão de que, se durante toda a vida ele for fiel nesse vôo, quando cerrar definitivamente os olhos esta luz brilhará no fundo de sua alma por toda a eternidade.

O olhar é a alma da fisionomia — Que fisionomia essa, que tenho diante de mim!  A um observador destro ela manifesta uma plenitude de alma maior do que a História, porque toca na eternidade. Maior do que o universo, porque espelha o infinito.

A fronte parece conter cogitações que, a partir de um Presepe e a terminar em uma Cruz, abarcam todo o acontecer humano.

A face toda, o nariz — cuja linha possui um “charme, mais belo do que a beleza”, segundo diz o Poeta — os lábios silenciosos, mas que dizem tudo a todo momento,Mãe Santíssima parecem louvar a Deus em cada criatura, segundo as características de cada uma; e pedir a Deus por toda miséria, como se estivesse a condoer-se das peculiaridades de cada uma delas. Estes lábios têm uma eloquência perto da qual a de Demóstenes ou a de Cícero não seriam senão barulheira. O que dizer da cútis? nívea? O qualificativo diz tudo e não diz nada. Pois para descrevê-la seria preciso imaginar um níveo que deixasse reluzir em sua profundidade, com discrição infinita, todos os matizes do arco-íris, e com isso mesmo inspirasse na alma de quem a contempla todos os encantos da pureza.

Demonstre seu amor a Nossa Senhora, inscreva-se na Missa em louvor a Ela: 0800 773 1119

Sim, peregrinei neste olhar tão cheio de surpresas. E, inesperadamente, percebo que o olhar peregrina ao mesmo tempo dentro de mim. Pobre e misericordiosa peregrinação, não de esplendor a esplendor, mas de carência a carência, de miséria a miséria. É só abrir-me a ele que, para cada defeito ele me oferece um remédio, para cada obstáculo uma ajuda, para cada aflição uma esperança. [...]

Leitor. Se crês na descrição que fiz, convido-te a que faças por tua vez esta magnífica peregrinação dentro do olhar da Virgem. Se não crês, vem ver: melhor convite eu não poderia te fazer.

Reza então por ti. Reza pela Santa Igreja, conturbada e atormentada como nunca. E por esse enorme Brasil de Maria.

Fonte: Plínio Corrêa de Oliveira – “Folha de S. Paulo”, 12-11-1976

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Oração a Nossa Senhora com comentários do professor Plínio Corrêa de Oliveira

1, maio, 2010 15 comentários

Oração a Nossa Senhora, composta por São Bernardo de Claraval:

“Ó doce Virgem Maria, minha augusta soberana, minha amável Senhora, minha Mãe amorosíssima, ó doce Virgem, eu coloquei em Vós toda minha esperança e eu não serei confundido.

Doce Virgem Maria, eu creio tão firmemente que do alto do Céu Vós velais dia e noite sobre mim e sobre aqueles que esperam em Vós; eu estou tão intimamente convencido de que jamais pode faltar nada quanto se espera tudo de Vós, que resolvi viver daqui para o futuro sem nenhuma apreensão, e me descarregar inteiramente sobre Vós em todas as minhas iniqüidades.

Doce Virgem Maria Vós me estabelecestes na mais inabalável confiança.

Ó, mil vezes obrigado por uma graça tão preciosa. Eu ficarei daqui por diante em paz sob vosso coração tão puro.

Eu não pensaNossa Senhora de Fátimarei mais senão em Vos amar, em Vos obedecer, enquanto Vós gerireis, Vós mesma, minha boa Mãe, os meus mais caros interesses.

Ó doce Virgem Maria, que entre os filhos dos homens, uns esperem sua felicidade de sua riqueza, outros a procurem em seus talentos; que outros se apoiem sobre a inocência de sua vida ou sobre o rigor de sua penitência, ou sobre o fervor de suas orações, ou sobre o grande número de suas boas obras.

Por mim, ó Mãe, eu esperarei só em Vós, só em Vós depois de Deus. E todo o fundamento de minha esperança será minha confiança mesmo em vossa bondade materna.

Doce Virgem Maria, os maus poderão me roubar a reputação e o pouco de bem que possuo. As doenças poderão me tirar as forças e a faculdade exterior de vos servir. Eu poderei mesmo, infelizmente, minha terna Mãe, perder vossas boas graças pelo pecado.

Mas minha amorosa confiança em vossas maternais bondades, esta jamais eu perderei. Eu a conservarei, essa confiança inabalável até o meu último suspiro. Todos os esforços do inferno não ma roubarão.

Eu morrerei repetindo mil vezes vosso nome bendito e fazendo repousar sobre vosso Imaculado Coração toda a minha esperança.

E porque estou eu tão firmemente seguro de esperar sempre em Vós, senão é porque Vós me ensinastes, Vós mesma, ó doce Virgem, que Vós sois toda misericórdia e que não sois senão misericórdia?

Eu estou, portanto, seguro, ó boa e amorosa Mãe, eu estou seguro de que Vos invocarei sempre e estou seguro de que Vós me consolareis.

Eu vos agradecerei sempre porque Vós sempre me aliviareis. Eu Vos servirei sempre porque Vós sempre me ajudareis.

Eu vou amarei sempre porque Vós sempre me amareis. Eu obterei tudo de Vós porque vosso amor, sempre generoso, irá além de minha esperança.

Sim, é de Vós só, ó doce Virgem que, apesar de minhas faltas, eu espero e espero o único bem que desejo, o meu Jesus, no tempo e na eternidade.

É de Vós só, porque Vós é que meu Divino Salvador escolheu para me dispensar todos os favores, para me conduzir seguramente até Ele.

Sim, é de Vós Mãe, que depois de ter aprendido a participar das humilhações e sofrimentos de vosso Divino Filho, me introduzireis na glória e nas delícias, para O louvar e bendizer, junto a Vós e conVosco, nos séculos dos séculos. Assim seja.

Eis a minha maior confiança e toda a razão da minha esperança. “Ecce mea maxima fiducia et tota ratio spei mei”

Comentário do professor Plinio Corrêa de Oliveira em 3 de janeiro de 1967

É uma oração verdadeiramente maravilhosa. Apresenta um misto de humildade e de arrojo, de ternura e de varonilidade, difícil de se encontrar reunidas. De um

Professor Plinio Corrêa de Oliveira

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lado, a ternura para com Nossa Senhora chega ao último limite a que pode chegar. Mas, de outro lado, no modo de expressá-la, nada há de efeminado e de indigno de um varão. Tem a suavidade própria a uma pomba, mas também um vôo de águia! Vai até ao Coração Imaculado de Maria, com um desembaraço e uma intimidade, que verdadeiramente espanta.

São Bernardo mostra no que consiste essa virtude da confiança e dá as razões dela. Consiste fundamentalmente em saber que Nossa Senhora é toda ternura e nEla não há senão ternura. Quer dizer, não há severidade, não há juízo, não há justiça. E como essa é a disposição dEla em relação a todos, é lógico, é forçoso, é inevitável, que cada pessoa – que saiba que isso é assim – tenha nEla uma confiança sem limites.

Confiança no quê? Em primeiro lugar, quanto à vida eterna. Em segundo lugar, quanto à vida terrena. É uma confiança que abrange portanto também os interesses terrenos verdadeiramente ditos.

É uma oração que qualquer fiel pode fazer. E se entende que cada um, naquilo que seus interesses terrenos têm de legítimo, deve confiar em Nossa Senhora. Pedir a Nossa Senhora que Ela tome conta e faça por nós aquilo que não somos capazes de fazer. A Providência tem desígnios insondáveis. Pode, portanto, querer nos sujeitar, de um momento para o outro, a um sofrimento que não prevíamos. Ademais, a Providência, quer, genericamente, daqueles a quem Ela ama, que passem por muitos sofrimentos. Portanto, nesta vida, temos de sofrer.

Sem embargo disso, há interesses terrenos que, por um movimento interno da graça, ou por um certo senso das proporções, nós percebemos que, muito provavelmente, a Providência não quer que se percam. Estes interesses nós devemos entregar à Nossa Senhora. Ela velará por eles, Ela os protegerá, de tal maneira que nós não temos de estar com ansiedade, não temos de estar com torcidas, não temos de estar com sofreguidão e falta de distância psíquica. Na pior das nossas preocupações, devemos nos lembrar que quando a tormenta tenha chegado até o auge, é hora de preparar o incenso e todo o necessário para cantar o Magnificat, porque aí Nossa Senhora intervirá e nos salvará. Não devemos nos colocar num ponto de vista, péssimo, assim: “Eu, por mim, resolvo os assuntos comuns com minhas forças e minha capacidade. Nossa Senhora resolva o extraordinário”. Isso é péssimo. Porque Nossa Senhora, como Medianeira onipotente junto a Deus, nós precisamos do auxílio dEla para as coisas grandes como para as coisas corriqueiras.

Ainda que a pessoa tenha a dor enorme de ter ofendido gravemente a Nossa Senhora, é preciso continuar a confiar nEla. Porque se a gente desconfiar dEla, então, está tudo perdido. A porta do Céu é Ela. E se nós, pela nossa falta de confiança, fecharmos a porta do Céu, nós mesmos nos condenamos. Pelo contrário, se continuarmos a confiar nEla, Ela pelo menos receberá de nós essa forma de glória, que é a do pecador que confia nEla. O pecado é um atentado à glória de Nossa Senhora. Mas o pecador que continua a confiar nEla dá-lhe uma forma de glória que nenhum justo pode dar, e que é exatamente a glória da confiança daquele que ofendeu. Então devemos esperar porque o pior do pecado é o fato de que a pessoa, depois disto, perder a confiança em Deus. Aí é que vem o pior pecado. Para quem confia, o caminho ainda está aberto. Mesmo para o pecado do tíbio – a quem Nosso Senhor diz: “Eu te vomitarei da minha boca” – ainda continua a haver confiança.

A oração de São Bernardo diz essa coisa admirável: que quando chegar a hora da morte, ele espera que a confiança dele seja tal que ele morra com o coração recostado sobre o Imaculado Coração de Maria. É expressão naturalmente simbólica, mas que tem um valor enorme. Dá uma esperança muito grande de que Nossa Senhora, na hora da morte, nos ajude nesse transe. Ainda que nossa morte deva ser muito árida, ainda nesse caso será para nossa alma passar o menor tempo possível no Purgatório e ir para o mais alto possível do Céu.

Este é o pensamento admirável contido nessa oração de São Bernardo. Ela é carregada de sentido e admirável sob todos os pontos de vista.