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Textos com Etiquetas ‘devoção mariana’

A mais preciosa graça em matéria de devoção mariana

20, junho, 2011 15 comentários

“Nossa Mãe Santíssima abriu para nós uma porta de misericórdia que ninguém fechará”.

Nossa Senhora, por ser Mãe de Deus, é a título especial Mãe dos homens. Portanto nossa Mãe.

Acredito que a mais preciosa graça que se pode ter em matéria de devoção à Santíssima Virgem é quando Ela condescende em estabelecer, por laços inefáveis, uma relação verdadeiramente materna com cada um de nós. Isso se pode dar de mil modos, mas, em geral, Ela se revela principalmente como nossa Mãe quando nos tira de algum apuro, de um modo tal que fica inesquecível por toda a vida. Ou quando Ela nos perdoa alguma falta que praticamente não tinha perdão, mas que Ela, por uma dessas bondades que só as mães têm, passa por nós e perdoa. Elimina nossa falta como Nosso Senhor Jesus Cristo curava a lepra.

Desse modo, a falta — que não merecia ser perdoada, não tinha atenuante e só merecia a cólera de Deus —, pelo poder soberano de Nossa Senhora e com a indulgência que só as mães têm, é completamente eliminada. Ela, como Mãe, com um sorriso apaga a falta e o passado fica esquecido.

A Santíssima Virgem concede graças desse gênero, de um modo tal que, para a vida inteira, a alma fica marcada a fogo — mas com um fogo celestial — com essa convicção: de que poderemos recorrer a Ela mil vezes, em circunstâncias mil vezes mais indefensáveis, e Ela sempre nos perdoará de novo, porque nossa Mãe Santíssima abriu para nós uma porta de misericórdia que ninguém fechará.

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Excertos da conferência proferida pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 20 de novembro de 1963. Sem revisão do autor.

Fonte: Revista Catolicismo

Maria ocupa um lugar único nos Céus

10, maio, 2011 4 comentários

A devoção a Maria Santíssima

No conjunto dos Santos, Maria ocupa um lugar único, pois foi chamada a ser Mãe do Redentor e Mãe dos homens (cf Jo 19,25-27). Disto se segue que a veneração dedicada pelos católicos a Maria difere da devoção aos demais Santos. Prova disso é que existem verdades de fé (dogmas) concernentes a Maria, mas não os há em relação aos outros Santos.

Verdade é que os três dogmas marianos não são mais do que dogmas cristológicos. Com efeito, o Filho de Deus quis fazer-se homem (donde a Maternidade Divina); para ser digno habitáculo da Divindade, Maria nunca esteve sujeita ao pecado (donde a Imaculada Conceição) nem à conseqüência do pecado, que é o domínio da morte sobre o ser humano (daí a Assunção gloriosa aos céus).

A eminência do culto a Maria foi expressa pelo Concílio de Nicéia II, em 787, mediante o termo “hyperdulia” (super-veneração), ao passo que os demais Santos são cultuados em “dulia” (veneração). Conseqüentemente, devemos dizer que a devoção a Maria não é facultativa, ao passo que a devoção a São Francisco ou São Bento o é.

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A necessidade do culto de hiperdulia a Maria se deduz do próprio Cristocentrismo da piedade cristã. Sim, São Paulo afirma que “fomos predestinados a ser conformes à imagem do Filho, a fim de ser ele o Primogênito entre muitos irmãos” (Rm 8,29).

Assim, quanto mais o cristão se configura à imagem de Cristo, ou quanto mais se identifica com ele, tanto mais terá em seu íntimo os sentimentos de Cristo. Ora, Jesus era todo filho do Pai (como Deus) e todo Filho de Maria (como homem).

Donde se segue que quanto mais centrado em Cristo for o cristão, tanto mais deverá sentir-se filho de Maria. A devoção mariana, portanto, está na lógica mesma do “ser um outro Cristo”, ideal de todo cristão. O cristão deve procurar tornar-se, para Maria, um outro Jesus.

Diz, muito a propósito, o padre E. Schillebeechx: “Para quem está verdadeiramente consciente do papel de Maria, é impossível passar, sem Maria, uma vida que queira ser cristã, uma vida que não contrarie o apelo de Deus, não derrogue a ordem cristã, não negligencie as delicadas atenções de Deus. Os pregadores e as testemunhas de fé devem, por isso, levar a peito a pregação da devoção mariana e valorizá-la, porque ela está na medula do religião cristã” (Maria, Mãe da Redenção, pág. 97).

O mesmo autor desenvolve o papel de Maria na atual história da Igreja e de cada um de nós: “em nossa vida, Maria é o coração que dá. O coração que compreende as nossas necessidades e que, maternalmente, as expõe ao Filho, o Deus que continua sendo seu Filho”.

Ela pode lhe dizer, como em Caná: “Eles não têm mais vinho”. Ah, se pudéssemos ouvir o colóquio de Jesus e Maria a nosso respeito, veríamos como estão sempre a par de nossas necessidades.

Restaure a força de sua Fé com a devoção a Nossa Senhora.
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Não esqueçamos qNossa Senhora de Fátimaue a vida terrestre atual, de que se ocupam a gloriosa Mãe e o Filho glorificado, só será realmente abençoada se a relacionarmos com as palavras de Maria aos servidores de Caná: “Fazei tudo o que meu Filho vos disser”. Degustareis então, o que ela vos der em nome do Divino Filho, e direis, como os convidados de Caná: “Guardaram o melhor vinho para o fim!” (Op. Cit. Pag. 121).

Conclusão

Com se compreende, pode haver expressões inadequadas da piedade mariana, mais inspiradas pelo sentimentalismo do que pela reta fé. A esse propósito escreveu o Concílio do Vaticano II: “O Concílio exorta com todo o empenho os teólogos e os pregadores da Palavra Divina a que, na consideração da singular dignidade de Mãe de Deus, abstenham-se com diligência tanto de todo falso exagero quanto da demasiada estreiteza de espírito (…) Com diligência afastem tudo o que, por outros, em erro acerca da verdadeira doutrina da Igreja. Ademais, saibam os fieis que a verdadeira devoção não consiste num estéril e transitório afeto, nem numa certa vã credulidade, mas procede da fé verdadeira, pela qual somos levados a reconhecer a excelência da Mãe de Deus, excitados a um amor filial para com nossa Mãe e à imitação de suas virtudes” (Constituição Lumen Gentium, n° 67).

Eis como se deve conceber a piedade para com Maria Santíssima e para com os demais Santos.

Extraído da revista “O mensageiro de Santo Antonio”

Nossa Senhora da Trindade

3, novembro, 2010 8 comentários

No Indre, em Cluis-Dessous, venera-se uma Virgem do século XIV, de mármore de Paros, sob a invocação de Nossa Senhora da Trindade. Guardemos este título dado à Maria. Que nossa piedade mariana ame repeti-1o.

No século XIII a Santíssima Virgem apareceu a Santa Mectilda (1241-1291), que lhe pedia a graça duma morte piedosa.

Se quiseres obter esta grande graça, disse-lhe, recita cada dia três Ave Marias para agradecer às três pessoas divinas por todos os privilégios que me concederam.

Acenda também uma vela em honra da Santíssima Virgem e a Trindade Santa.

Escutemos o conselho da Santíssima Virgem e sejamos fiéis a esta prática, que nos lembrará suas relações íntimas com o Padre, o Filho e o Espírito Santo.


(Mês de Maria, J.B. Bord – Editora Vozes Ltda, Petrópolis, RJ. – la edição, 1940, pp 108 – 109)

Maria: a mulher do Gênesis ao Apocallipse

30, setembro, 2010 19 comentários

“Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra”

Maria é alvo freqüente de ataques por nossos irmãos separados. Muitos, até, com ódio de nossa Mãe. Que filho suporta ouvir absurdos de sua mãe? Jesus é filho de Maria. Como fica seu coração com tais atitudes?

A exegese atribui a MULHER do Gênesis também a Maria: “Porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua descendência e a dela; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). Maria é a mulher que pisa na cabeça da serpente. Pela desobediência, Eva nos trouxe a morte, mas Maria, com sua obediência, nos trouxe a Salvação: Jesus.

Maria, com seu SIM e humildade, ESMAGA a cabeça da serpente, derrota Satanás. “Maria tornou-se a nova Eva, Mãe dos viventes” (CIC 511). Maria foi concebida sem pecado. Seu corpo não poderia ser manchado com o pecado original, pois iria receber o Salvador, o Verbo que se fez Carne em seu ventre! Seu corpo foi templo do Filho de Deus, Sacrário vivo.

Maria foi escolhida por Deus desde a eternidade! Quem somos nós para menosprezar esta escolha? Desde o Antigo Testamento Maria é anunciada! “Eis que uma virgem conceberá, e dará à luz um filho, e será o seu nome Emanuel” (Isaías 7, 14).

Maria é Mãe de Deus, pois Jesus é Verdadeiro Homem e Verdadeiro Deus! (CIC 484-507). Maria teve em seu ventre O Homem e Deus! Como separar o corpo do espírito? Maria não deu à luz um monte de ossos, mas um corpo com carne e espírito! Deu à Luz o Filho de Deus: Jesus.

O anjo Gabriel a chama Bem Aventurada, cheia de Graça, diz que Deus está com ela! Deus falou assim a algum profeta ou iluminado? Maria sempre humilde, obediente, modelo de fé. Entregou-se à vontade de Deus! “Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1, 28).

O Espírito de Deus estava com ela. O anjo disse a Maria que Isabel estava no 6º mês de gravidez e Maria viajou cerca de 120 km para servi-la. Maria foi serva: serva de Deus, de Isabel, de Jesus, dos discípulos de Jesus. Lembrem-se, Isabel não sabia que Maria estava grávida. Ninguém sabia, nem José! Quando Maria a saúda, Isabel grita: “Donde me vem esta honra de vir a mim a mãe do meu Senhor?” (Lc 1, 43-44). Maria, cheia do Espírito Santo, saúda-a e Isabel fica cheia do Espírito Santo.

Maria foi canal da Graça e Espírito de Deus! Maria repleta do Espírito Santo, diz: “desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações, porque realizou em mim maravilhas” (Lc 1, 46-56). Como desprezar estas palavras? Hoje muitos as esqueceram!

Muitos esquecem que ela carregou e adorou Deus em seu ventre. Qual é a mãe que desde o Ventre não cuida de seu filho? Quando bebê, Maria fez Jesus dormir, esperou que Ele dormisse e, nesta espera, adorava Deus ao lado de sua cama. Maria foi a maior adoradora de Jesus que existiu! Ela O adorou no ventre, na infância, adolescência, quando adulto, no calvário, e quando ressuscitado!

Maria conviveu com Jesus por 33 anos. Os apóstolos e seus discípulos só estiveram com Ele por cerca de três anos! Como ignorar estes 33 anos? Tudo que Jesus sentiu Maria sentiu! Qual a mãe que não sente as dores e as alegrias do filho? “E uma espada transpassará a tua alma” (Lc 2, 35). Alguém pode imaginar a dor de Maria ao ver seu Filho inocente e justo sendo chicoteado, maltratado, morto na cruz? Doeu, mas ela não murmurou, apenas confiou na vontade do Pai, entregando seu sofrimento a Ele.

Em Caná, comovida com a situação dos noivos, intercedeu por eles. Jesus disse que sua hora ainda não chegara, mas Maria vê a necessidade, e diz aos serviçais: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2, 3?5). Jesus atende o pedido de sua Mãe e antecipa Sua hora. Inaugura-se a intercessão de Nossa Senhora, da Mulher, da cheia de Graça diante de Deus.

Maria é exemplo de silêncio e humildade para todos nós. Ela “Guardava e meditava tudo em seu coração” (Lc 2, 51). Ela, sempre com Jesus, acompanhou tudo de perto, em silêncio. Quando Jesus a vê aos pés da cruz, Ele doa sua mãe à humanidade, entrega Maria como Mãe dos viventes. “Mulher, eis aí teu filho. Filho: “Eis aí tua mãe”. “E desta hora em diante o discípulo a levou para a sua casa” (Jo 19, 26-27). Devemos, como João, levar Maria para casa, para cuidar de nós e levar-nos em direção ao Seu Filho.

Maria é a mulher do Gênesis ao Apocalipse! “Uma Mulher revestida de sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas. Ela deu à luz um Filho, um menino, aquele que deve reger todas as nações pagãs com cetro de ferro” (Ap 12, 1). Quem usa coroa, senão uma rainha? Maria é Rainha do Céu e da Terra!

Satanás tem ódio de Maria, de sua obediência, de sua humildade! “E o dragão irou-se contra a mulher, e foi fazer guerra contra os seus descendentes, os que guardam os mandamentos de Deus, e mantêm o testemunho de Jesus” (Ap 12,17). Ele sabe que não tem forças contra Deus ou Maria, por isso nos ataca, nós, os descendentes d’Ela, que seguimos os mandamentos de Deus. Maria passa à nossa frente, nos defendendo, pois “Vosso adversário, o Diabo, anda em derredor, rugindo como leão, e procurando a quem possa devorar” (I Pe 5,8). Somos vencedores com Maria pela Ressurreição de Jesus, pois somos a Igreja de Cristo e “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Mt 16,18).

Levemos Maria para casa, pois o Leão tem medo de Maria! Maria é guerreira! Na Guerra espiritual o inimigo sabe que Maria é vitoriosa com Jesus.

Defendamos nossa Mãe. Quem ao ouvir falar de sua mãe não a defende? Defendemos Maria de duas maneiras: com uma arma muito forte, a oração do Rosário; e fazendo que mais filhos tornem-se devotos de Nossa Senhora. Rezemos mais o terço e consagremos nossas vidas a Nossa Senhora!

Reze o terço todos os dias e acenda agora a sua Vela do Rosário

Fonte: Vocacionados Menores

História da Virgem dos 33

25, setembro, 2010 3 comentários

Em virtude da notícia que publicamos no portal sobre um grupo de jovens católicos uruguaios ter enviado para o 33 mineiros soterrados no Chile, uma imagem da Vigem dos 33, muitos amigos deste Apostolado entraram em contato querendo saber mais sobre esta devoção.(Leia aqui a notícia)

Eis abaixo um breve histórico:

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A devoção à imagem que tomou o nome de “A Virgem dos Trinta e Três” teve início numa fazenda denominada “Virgem dos Desamparados”, de propriedade dos padres Jesuítas, e situada ao redor da cidade de nome Florida, no Uruguai.

A propriedade era cortada por um riacho chamado Arroyo de La Virgem e no cume da Serra Del Pintado, havia um oratório com uma imagem de Nossa Senhora, representando a Virgem subindo aos céus, levada pelos anjos (inspirada na “Assunção”, de Murillo).

Em 1767 os Padres Jesuítas foram expulsos da Espanha e também de toda a América Latina. O povoado, que era próspero, decaiu tanto que mais tarde, quando o novo pároco, Padre Santiago Figueiredo tomou posse, não restavam mais do que cinco famílias no local, em um terreno improdutivo e estéril.

O povo, porém, não esqueceu a milagrosa imagem, construindo uma rústica capela de palha e barro.

No dia 19 de abril de 1825, desembarcaram na praia da Agraciada, trinta e três homens comandados pelo general Antônio Lavalleja que pretendiam libertar a pátria, sob o lema: “Liberdade ou morte”. Conquistaram Soriano, Colonia, San José, Guadalupe e Florida. Instalaram em junho um Governo provisório e, conforme o costume daqueles tempos, foram à Igreja para implorar o auxílio de Deus e de Sua Santíssima Mãe para a nova pátria uruguaia.

Na mesma cidade de Florida, no dia 25 de agosto de 1825, reuniu-se a Assembléia Nacional Constituinte da República Oriental do Uruguai para declarar a sua independência.

Depois de lida a ata, todos, governantes e povo, se dirigiram à Igreja e ajoelharam-se diante da pequena imagem da Virgem, colocando a pátria sob a sua maternal proteção. Diante da imagem foi colocada uma bandeira tricolor. Comandantes e soldados dobraram reverentes os joelhos. O povo, que enchia a praça maior, o exército e o novo governo lotaram a Igreja para o solene canto do “Te Deum” (Ação de Graças) e o pároco deu a benção aos heróis e ao povo.

Quando algo nasce da espontaneidade, não se pode definir uma data certa; mas, com toda a certeza, foi a partir da instalação da Soberana Assembléia, ainda na casa de D. Ana Hernandez, ao lado da Igreja, que se começou a chamar aquela milagrosa imagem de “A Virgem dos Trinta e Três“.
No ano de 1857, o segundo chefe dos Trinta e Três, general Manuel Oribe, em agradecimento à “Virgem dos Trinta e Três”, ofereceu-lhe uma preciosa coroa que até hoje se conserva no tesouro da Catedral.

Diante da pequena imagem há uma lápide com a inscrição: “Diante desta imagem de Nossa Senhora de Luján del Pintado, os trinta e três inclinaram sua bandeira tricolor; a ela também invocaram os Convencionais da Independência“.

No dia 11 de novembro de 1961 a Santa Sé permitiu a coroação pontifícia da imagem e, no dia 21 de novembro de 1962, a Virgem dos Trinta e Três foi proclamada padroeira do Uruguai.

No segundo domingo de novembro de cada ano, milhares de peregrinos se reúnem para celebrar as festividades de sua Padroeira e pedir a sua proteção para os uruguaios.

Nossa Senhora das Maravilhas

22, setembro, 2010 15 comentários

Nossa Senhora das Maravilhas

A história dessa milagrosa imagem é verdadeiramente extraordinária. Ela estava ameaçada de destruição em um pequeno povoado vizinho a Salamanca, ignorando-se completamente como lá havia chegado. E hoje é uma das mais formosas que se veneram na Espanha.

No final do século XVI, tal imagem contudo estava tão maltratada, com o rosto tão desfigurado, que o Juiz Eclesiástico ordenou fosse enterrada.

Quando sua disposição estava para ser cumprida, o tumulto que se formou no pórtico da igreja, onde ela se encontrava, assemelhava-se a um enxame de abelhas dispostas a abandonar sua colméia.

Eram os fiéis que, acostumados a rezar diante daquela imagem deteriorada, viam desaparecer, com dor, o sagrado objeto por tanto tempo cultuado.

Em vão o pároco do lugar tentou cumprir a ordem do Juiz Eclesiástico. Entre os que se lhe opunham com prantos e brados destacava-se João González e, muito particularmente, sua esposa, os quais pediam que a imagem lhes fosse entregue.

A solicitação foi-lhes recusada. Contudo, tantas e tão intensas foram as instâncias daquela mulher que, ao cabo de vinte e seis anos de perseverantes esforços, conseguiu ela que a autoridade eclesiástica satisfizesse seu desejo.

E assim, com o coração palpitante de alegria e com respeitoso amor por haver salvo a imagem, levou aquele inestimável tesouro até sua casa. Graças, pois, à sua piedosa devoção, evitou-se o desaparecimento da imagem, sem que se saiba ao certo por que, durante tanto tempo, ficou sem cumprimento a ordem do Juiz.

Em Madri, os milagres se multiplicam

Depois de passar por grandes vicissitudes, foi a imagem vendida em Madri a Ana Maria del Carpio, esposa de um escultor. Este, a seus rogos, retocou a imagem, apesar do estado lastimável em que encontrava.

Segundo a tradição, antes de a imagem passar ao seu poder, Ana Maria, em sonhos, viu-a rogando-lhe que não lhe recusasse um albergue em sua casa, porque assim convinha que fosse servida.

E abrindo-lhe as mãos, entre elas mostrava-lhe um Menino, que era seu Santíssimo Filho Jesus, a quem uma flor – a maravilha – servia de trono.

Três anos permaneceu a imagem na casa de Ana Maria. Os milagres que operou nesse período, porém, impeliram o Vigário Geral de Madri a intimar a esposa do escultor a depositá-la em algum convento ou igreja, para que recebesse o devido culto público e a veneração dos fiéis.

Obrigada a obedecer à determinação da autoridade, resolveu Ana Maria ceder sua imagem ao convento – hoje das Maravilhas – da Igreja de Santo Antão, o qual era ocupado por freiras carmelitas.

Cumprindo-se a ordem do Vigário Geral, no dia 1º de fevereiro de 1627 a imagem foi transladada, em uma carruagem, da casa de Ana Maria del Carpio para o convento.

E, durante o cortejo, todas as pessoas do povo observaram que uma pomba seguia ininterruptamente a carruagem até chegar à porta da igreja, quando pousou uns instantes sobre o teto do coche.

Depois, alçando vôo rapidamente, tão-logo a imagem entrou no templo, a ave dirigiu-se ato contínuo ao coro das freiras, deixando-se pegar por elas.

A imagem e a resistência anti-napoleônica

A sagrada imagem da Virgem, que se venera neste convento, não somente emprestou seu nome ao templo em que foi colocada – a Igreja das Maravilhas – como também ao bairro em que o convento está situado.

É digno de menção que, a partir de uma praça de guerra, localizada nas imediações do convento, a coragem do povo espanhol tenha se manifestado de modo tão heróico, pois ali, em 1808, se lançou o primeiro grito de resistência contra as hostes revolucionárias napoleônicas.

Brado que, ecoando intensamente por toda a nação, ao cabo de seis anos foi responsável pela expulsão do solo espanhol das tropas de José Bonaparte, usurpador do trono dos Reis Católicos. Brado que também devolveu o cetro a seu legítimo monarca que o havia herdado de seus ancestrais.

Os gloriosos lances históricos acima descritos fizeram com que os habitantes do bairro das Maravilhas, entusiasmados com a defesa heróica da Religião e da Pátria que levaram a efeito naquela ocasião, conduzissem a imagem de sua Padroeira em procissão de ação de graças, numa data muito significativa: 30 de julho de 1808, dia em que José Bonaparte teve que evacuar a capital espanhola – não tendo durado sua permanência em Madri mais que dez dias -, em conseqüência da batalha de Bailén.
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Fonte de referência:
Conde de Fabraquer, Historia. Tradiciones y Leyendas de Ias imágenes de Ia Virgen. aparecidas en Espana. tomo III, lmprenta y Litografia de D. Juan José Martínez, Madrid, 1861, pp. 325 a 350.

Fonte: Páginas Marianas

A devoção especial de Anchieta

22, agosto, 2010 2 comentários

Padre José de Anchieta

A devoção mariana é muito cara à Companhia de Jesus.  O próprio Santo Inácio experimentou durante seu trabalho apostólico a presença confortadora da Mãe de Deus a seu lado. E registrou essa presença dando um particular destaque à Nossa Senhora em seus Exercícios Espirituais.

O Bem-aventurado José de Anchieta, como bom jesuíta que era, também tinha essa especial devoção à Mãe de Deus.  Devoção que se traduz não somente no exercício de seu apostolado, mas que aparece em sua obra literária de forma marcante.  Prisioneiro dos índios tamoios enquanto se negociava a paz entre portugueses e aqueles, o Beato Anchieta escreve nas areias da praia de Iperoig (atual Ubatuba) o Poema da Virgem, um épico espetacular onde não só louva a Virgem Maria, mas fala também do sofrimento da Mãe de Deus, aproximando-A de seu próprio sofrimento.

O companheiro de Jesus é também companheiro de Sua Mãe, a quem chama a seguir junto consigo o seu caminho – tortuoso e longo nessas terras novas que começavam a constituir-se nação.

Que o Bem-aventurado Anchieta nos ajude a alimentar nossa devoção mariana, certos de que, se a Mãe de Deus escolheu o Brasil para dele fazer-se padroeira, é porque quer nos dar a graça de Sua presença entre nós e conosco quer fazer sua morada.

Fonte: Amai-vos (com adaptações)

A “água milagrosa” de Lourdes

22, julho, 2010 6 comentários


 

Manancial de Lourdes, dentro da Gruta
Manancial de Lourdes, dentro da Gruta

Incontáveis multidões de fiéis vão a Lourdes a venerar à Santíssima Virgem, no local das Suas aparições à Santa Bernadete Soubirous.

E, obedecendo ao pedido da Mãe de Deus, essas multidões de fiéis bebem e lavam-se com a água da gruta das aparições.

Significado da água milagrosa


 

Fiéis levam para casa água que jorra das fontes. Uns se lavam no local
Fiéis levam para casa água que jorra das fontes. Uns se lavam no local

Já desde os tempos das aparições, a água da fonte de Lourdes foi tida como “milagrosa”. E, no mesmo sentido em que numerosas imagens de Nosso Senhor, de nossa Senhora e de incontáveis Santos são tidas por “imagens milagrosas”. Do mesmo modo que, também a justo título, numerosas relíquias são chamadas “relíquias milagrosas”.

Assim são incontáveis os brasileiros que, em sã consciência, tem a Nossa Senhora Aparecida em conta de imagem milagrosa. Assim, a Ela se dirigem em romarías para solicitar a cura das suas doenças, a solução para seus problemas mais delicados, a paz e o conforto de alma para suas aflições espirituais.

No mesmo sentido, tem-se difundido aos milhões no mundo a “Medalha milagrosa”, indicada por Nossa Senhora nas Suas aparições na Rue du Bac à Santa Catarina Labouré.

Com expressões como “água milagrosa”, “imagem milagrosa”, etc., gerações e gerações de fiéis, na sua simplicidade, não entendem outra coisa senão o que a Santa Igreja ensina em matéria de milagres.

Fato confirmado pela avidez e entusiasmo com que os fiéis adquirem as publicações com a reta doutrina sobre os milagres, e pela pacífica e irrestrita aceitação do ensinamento da Igreja a respeito.

O ensinamento esclarecedor de São Tomás de Aquino

São Tomas de AquinoComo ensina Santo Tomás de Aquino, o milagre propriamente dito, não é produzido pela imagem milagrosa ou pela relíquia milagrosa, nem mesmo pelo Santo em vida. Nestes casos, o milagre é obra do próprio Deus que se serve instrumentalmente das imagens, relíquias ou do Santo em pessoa, para obrar Suas maravilhas.

Tanto nas imagens quanto nas relíquias, e mesmo ainda no Santo, não há uma virtude própria e intrínseca pela qual se operam os milagres. (Cfr. Suma Teológica, II-II, q.178, 1c ad 1 et ad.5; I, q. 117, 3 ad 1; II-II, q. 178, 1 ad 1).

Foi sempre assim que os católicos do orbe inteiro entenderam o valor da água de Lourdes, quando a denominavam, cheios de Fé, simplesmente “água milagrosa”.

E o mesmo se poderia dizer do modo pelo qual os católicos se referem a imagens e relíquias milagrosas. Embora tenham elas sido assim qualificadas pelos fiéis desde sempre, nem por isso foram estes advertidos de as estarem transformando em objetos mágicos ou talismânicos.

E ainda poder-se-ia perguntar: a Igreja teria se enganado durante quase dois mil anos à respeito do culto prestado às imagens e objetos milagrosos, alimentando a superstição e a crendice de raízes pagãs. Então, o que restaria do culto e da liturgia católicas?

Santo Tomás de Aquino ensina que, falando com propriedade, a Fé não opera milagres por si, mas obra como uma virtude que dispõe bem a pessoa a recebê-lo. E junto com a Fé cooperam a abstinência e a continência (Suma Teológica, II-II, q. 178, 1c ad 5.). Por conseguinte, a Fé não é causa nem condição necessária para o milagre.

Isto pode ver-se nos casos de milagres recebidos por ateus ou pagãos, em ordem à sua conversão, ou para afastá-los de fazer mal à Igreja.


Fonte: Lourdes e suas aparições