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A milagrosa origem da devoção a Nossa Senhora da Lapa

30, setembro, 2013 2 comentários

A história da devoção a Nossa Senhora da Lapa iniciou-se em meados do ano de 982 em Portugal.

Naquela data o general mouro Almançor, em uma de suas campanhas militares atacou o Convento de Sisimiro, situado na localidade de Quintela, Sernancelhe.
O cruel mouro martirizou parte das religiosas que ali se encontravam.As religiosas que conseguiram escapar do general se abrigaram numa lapa (gruta), levando consigo uma imagem de Nossa Senhora.A imagem ficou ali por cerca de quinhentos anos e foi sendo esquecida.

Em 1498, uma jovem pastora chamada Joana, menina ainda e muda de nascença, ao pastorear as ovelhas pelos arredores da gruta, penetrou na gruta e ali encontrou a imagem, pequena e formosa.

Porém, inocentemente,  a menina interpretou o achado como uma boneca e a colocou na cesta onde guardava seus pertences e seu lanche.

Durante o pastoreio, a menina enfeitava a cesta como podia, procurando as mais lindas flores para orná-la.

Embora as ovelhas se encontrassem sempre no mesmo lugar, estavam sempre alimentadas e tranquilas, o que despertou comentários de algumas pessoas.

Estes comentários chegaram aos ouvidos da mãe de Joana, que, já enervada com as teimosias da menina, num momento de irritação, pegou a santa imagem e atirou-a ao fogo.

Ao ver isso, a menina soltou um grito: “Não! Minha mãe! É Nossa Senhora! O que fez?”.

Gruta onde apareceu a imagem de Nossa Senhora da Lapa

Sua língua desprendeu-se instantaneamente de forma irreversível e sua mãe, neste momento, ficou com o braço paralisado.

Ainda muito emocionadas, a menina e a mãe oraram e o braço paralisado ficou curado.

As pessoas do povoado reconhecendo então  o valor da santa e milagrosa imagem, construíram, sob a orientação da menina Joana, uma capela para abrigá-la.

E a imagem ali ficou, mesmo após as diversas tentativas do clero de levá-la para a igreja paroquial, de onde sempre desaparecia de modo misterioso.

A devoção à Nossa Senhora da Lapa acabou por difundir-se em Portugal e trazida para o Brasil pelos colonizadores portugueses, onde é venerada em muitas igrejas.

Fonte: Orações e Milagres Medievais

Devoções marianas: Milagre de Nossa Senhora da Escada nas origens de Barueri – SP

28, setembro, 2013 1 comentário

O início do aldeamento de Barueri remonta ao ano de 1560.

Em 18 de agosto desse ano, a Fazenda Baruery foi doada por Jerônimo Leitão. Acusado por proteger índios, o fazendeiro doou as terras aos jesuítas, entre eles o Beato José de Anchieta SJ, o Apóstolo do Brasil.

O santo jesuíta de posse de uma carta de sesmaria, fundou, em 11 de novembro de 1560, o Aldeamento de Baruery, com índios Guaianazes (do litoral de São Vicente) e Guaicurús (do Planalto de Piratininga).

Uma capela foi erguida onde existe o bairro da Aldeia de Barueri, e a primeira missa realizada por Anchieta data de 21 de novembro de 1560.

Foi quando o Bem-aventurado considerou Nossa Senhora da Escada como padroeira do aldeamento.

A imagem da santa, esculpida em cerâmica, foi trazida de Portugal. Com a fundação do vilarejo de Sant’Ana de Parnayba, em 1580, a harmonia entre índios e jesuítas ficou ameaçada pelas constantes investidas dos bandeirantes, que capturavam índios para utilizar como mão-de-obra.

Para reconstituir a população que estava sendo dizimada, o padre Affonso Gago, no início do século XVII, começou a fazer expedições pelo sul do país, trazendo para Baruery, índios Carijós. Baruery era a mais importante aldeia jesuítica do Brasil.

Em 1632, com a saída de João de Almeida (que comandou o aldeamento por 22 anos) surgiram lamentáveis desacordos com a Câmara de vereadores da Vila São Paulo.

A Câmara era constituída, na época, por ex-bandeirantes, com histórico de muitas investidas contra missões jesuíticas.

A capela foi fechada e os jesuítas foram expulsos.

Capela de Nossa Senhora da Escada em Barueri-SP

Uma violenta represália por parte de oficiais, liderados por Antônio Raposo Tavares depredou a capela e jogou no rio móveis e utensílios.

Alguns índios conseguiram fugir. Na correria, acabaram encurralados em um barranco, onde a morte era certa.

Quando tudo estava perdido, os índios viram Nossa Senhora da Escada, indicando-lhes um caminho feito por uma escada de embira, por onde escaparam.

Neste ataque, em julho de 1633, os bandeirantes atiraram as imagens da igreja no rio Tietê que passa por Baruery, Santana de Parnaíba e Pirapora do Bom Jesus.

Noventa e dois anos depois, em 6 de agosto de 1725, José de Almeida Naves, que tinha um sítio em Pirapora do Bom Jesus, achou uma das imagens atiradas no rio durante o assalto à capela de Nossa Senhora da Escada. De Barueri até Pirapora há 30 quilômetros.

Origem da devoção a Nossa Senhora da Escada

A devoção à Nossa Senhora da Escada desenvolveu-se inicialmente no Oriente na Festa da apresentação de Maria ao templo.

Ela começou a ser celebrada no século VII, porém só no século XIV entrou para o calendário da Igreja no Ocidente.

É comemorada no dia 21 de Novembro.

Segundo alguns Evangelhos Apócrifos Nossa Senhora, ainda criança (por volta dos três anos), foi apresentada por seus pais no Templo de Jerusalém, como exigia a Lei.

Ela subiu a escadaria do altar e no terceiro degrau dançou, manifestando sua alegria diante de Deus.

Recebida, ali, pelo sacerdote foi educada no Templo, em que permaneceu servindo ao Senhor até sua adolescência, segundo uma antiga tradição.

A cena de Maria menina na escada do Templo deu-lhe o titulo que invocamos: Nossa Senhora da Escada.

Como a primeira missa foi celebrada em Barueri no dia da apresentação de Nossa ao Templo (21 de Novembro de 1560) os padres Jesuítas dedicaram a capela do aldeamento à Maria sob o titulo de Nossa Senhora da Escada.

Proclamada padroeira da Barueri em 1956 Nossa Senhora protege com seu manto maternal toda a cidade.

Fonte: O Guardião da Escada via Blog Luzes da Esperança


Por que Nossa Senhora tem tantos títulos?

29, julho, 2013 6 comentários

Como se deve entender que Nossa Senhora apareça com tantos nomes diferentes? Quantas Nossas Senhoras há?”

Veja aqui como receber a Estampa de Nossa Senhora de Fátima

— Há uma só Virgem Santíssima, Mãe de Deus e Senhora Nossa. Os fiéis católicos costumam designá-la por títulos especiais que põem em realce:

1º) Alguma das prerrogativas da graça de Maria Santíssima: Nossa Senhora da Conceição (Imaculada Conceição), Nossa Senhora da Glória (Assunção aos céus), Nossa Senhora das Dores (participação muito íntima na Paixão de Cristo)…

2º) Ou alguma de suas grandes intervenções na história dos cristãos: Nossa Senhora do Rosário (vitória obtida mediante a recitação do Rosário em 1716 sobre invasão bélica perigosa para a fé); Nossa Senhora das Neves (milagre realizado no séc. IV para indicar o local da futura basílica de Santa Maria Maior em Roma); Nossa Senhora de Lourdes, de Fátima, de La Salette, da Penha, etc. …

3º) Ou a proteção que a Santíssima Virgem exerce sobre determinados fiéis: Nossa Senhora dos Navegantes; Nossa Senhora de Loreto, padroeira dos aviadores.

Esses diversos títulos apenas designam facetas da figura extraordinariamente rica da Virgem Santíssima, facetas que os católicos se comprazem em contemplar mais detidamente.

Fonte: Pergunte e respondereremos –  Junho 1958

Hoje é dia de Nossa Senhora do Carmo

16, julho, 2013 25 comentários

 Escapulário de Nossa Senhora do Carmo

Originariamente, na Idade Média, o escapulário era uma espécie de avental que caía na frente e atrás, usado sobre a roupa comum, sobretudo por criados ou funcionários de palácios, instituições etc. A cor, ou certos desenhos nele bordados, indicavam a quem serviam.

Origem do Escapulário Carmelita

A Ordem do Carmo remonta, segundo antiga tradição, aos Profetas Elias, Eliseu e seus discípulos, estabelecidos no Monte Carmelo, na Palestina.

De acordo com essa tradição, eles já veneravam Aquela que viria a ser Mãe do Redentor, simbolizada pela nuvenzinha que apareceu quando Elias pedia o fim da seca que assolava a Palestina(cfr. 3Reis 18, 41-45), e da qual caiu a chuva bendita que revivesceu a terra.

Esses eremitas, que viviam em pequenos eremitérios, ter-se-iam sucedido através das gerações até que, na Idade Média, quando os muçulmanos conquistaram a Terra Santa, tiveram que fugir para a Europa.

Lá não foram muito bem recebidos pelas outras ordens mendicantes que já existiam. Por isso encontraram grandes dificuldades, passando até pelo risco de extinção.

Foi nessa ocasião que o carmelita inglês Simão Stock, homem penitente e de muita santidade, foi eleito Superior Geral. Angustiado com a situação em que se encontravam os carmelitas, começou a suplicar incessantemente a Nossa Senhora que protegesse sua Ordem.

Exatamente no dia 16 de Julho de 1251, quando o Santo rezava mais fervorosamente em seu convento de Cambridge (Inglaterra), apareceu-lhe a Mãe de Deus revestida do hábito carmelitano, portanto o menino Jesus e apresentando-lhe um escapulário.

O nome Escapulário vem da palavra latina “Scapulae“, que significa ombros. É o nome dado à peça do hábito religioso, que pende dos ombros, caindo sobre a parte anterior e o dorso da túnica de quem o porta.

“Recebe, caríssimo filho,” disse Ela, “este Escapulário da tua Ordem, sinal de minha confraternidade, privilégio para ti e para todos os carmelitas. Todo aquele que morrer com ele revestido, não arderá nas chamas do Inferno.

Ele é, pois, um sinal de salvação, uma segurança de paz e de eterna aliança”. É a primeira Promessa, chamada “Grande Promessa”.

Quando se tornou pública essa prova de predileção da Santíssima Virgem em relação à Ordem Carmelita, esta começou a florescer.

No século seguinte, em 1314, a Mãe de Deus apareceu novamente, desta vez ao Papa João XXII, confirmando sua especial proteção aos que usassem o escapulário, e prometendo ainda que os livraria do purgatório no primeiro sábado após a morte. É a segunda Promessa, chamada “Privilégio Sabatino”.

Isso levou Pontífices, Monarcas, religiosos de outras Ordens e pessoas de todas as condições a querer participar desse privilégio, recebendo o escapulário como um símbolo de devoção a Maria e de Sua salvaguarda contra os inimigos da alma e do corpo.

Pio XII chegou a afirmar, em carta aos carmelitas em preparação para o sétimo centenário da entrega do Escapulário a São Simão Stock que, dentre as devoções exteriores à Mãe de Deus, “devemos colocar em primeiro lugar a devoção ao Escapulário de Nossa Senhora do Carmo que, pela sua simplicidade, ao alcance de todos, e pelos abundantes frutos de santificação, se encontra extensamente divulgada entre os féis cristãos”.

“Penhor e sinal de salvação”

Clique na imagem e saiba como receber este Cd que contém lindas orações a Virgem Maria, incluindo a Oração a Nossa Senhora do Carmo

O escapulário representa um grande tesouro, como afirmou o Papa Pio XII: “Não é coisa de pequena importância procurar-se a aquisição da vida eterna, segundo a tradicional promessa da Virgem santíssima; trata-se, com efeito, da empresa mais importante e do modo mais seguro de a levar a cabo”.

Santo Afonso Maria de Ligório, Doutor da Igreja, não só o trazia consigo, como o louva em seus livros e o recomendava a todos como sinal de santidade e fortaleza. Dizia que, quando somos tentados, devemos apertar o santo escapulário com as mãos para que o demônio deixe de nos atormentar.

E o Beato Cláudio de la Colombière, confessor de Santa Margarida Maria Alacquoque, confidente do Sagrado Coração de Jesus, afirmava:

“Creio que às vantagens que se atribuem aos devotos de Maria, se podem acrescentar outras mais notáveis em favor dos confrades do Carmo, que são todos os que usam o escapulário.

E prosseguia: “Não; não basta dizer que o Escapulário é um sinal de salvação. Eu estou certo de que não há outro que faça nossa predestinação tão certa como este do Escapulário, e sob o qual nos devemos acolher com o maior zelo e “constância”.

Um grande apóstolo da devoção ao escapulário foi o Servo de Deus, Pe. Francisco Rodrigues da Cruz, o mesmo que foi um dos primeiros a crer nas Aparições de Fátima (Dr. Formigão) deu a Primeira Comunhão a Lúcia e ensinou muitas orações e jaculatórias aos três pastorinhos recomendava àqueles a quem ele impunha o escapulário que o osculassem todos os dias de macha, rezando três ave-marias, e pedindo a Nossa Senhora a graça de não cair em pecado grave naquele dia (Cfr. Pe. José Leite, Santos de cada Dia, Editorial A. O., Braga, 1987, 3. Vol. P. 427). Faz bem lembrar que na última aparição de Nossa Senhora em Fátima, a Mãe de Deus apareceu revestida do hábito carmelitano.

Este “sinal certo de salvação”, passaporte seguro para o Céu, não pode prestar-se a abusos? Infelizmente sim, como todas as coisas neste nosso vale de lágrimas. Por isso o mesmo Papa Pio XII alertava:

“Não julgue quem o usar que pode conseguir a vida eterna abandonando-se à indolência e à preguiça espiritual”.

Quantos casos houve de pessoas que, abusando dessa promessa, levavam uma vida depravada, gabando-se de que se salvariam porque usavam o escapulário, e que, no momento da morte o tiveram arrancado do pescoço por algum acidente ou por si próprios nos estertores da agonia!

Entretanto, se ele não é passaporte infalível para quem o usa indignamente e com presunção, pode servir de grande meio de conversão, movendo almas empedernidas ao arrependimento e ao amor de Deus. Conta-se de conversões obtidas na hora da morte unicamente ao impor-se ao moribundo o escapulário do Carmo.

Por isso, não só usemos piedosamente o escapulário, mas sejamos também seus propagadores.

 

(Texto original em Catolicismo)

Cantiga de Nossa Senhora de Castro Marim

11, setembro, 2012 2 comentários

Esta cantiga refere-se ao surgimento da devoção a Nossa Senhora de Castro Marim (Algarve, século XII), especial protetora dos portugueses cativos dos mouros.

Nossa Senhora dos Mártires, Castro Marim

Captivo de um pêrro moiro
Em terras de moiraria
Debaixo de duros ferros,
Um pobre cristão vivia.

Negro pão e água turva
Só lhe davam por medida
De manhã até à tarde
A um moinho moia;
E à noite o perro infiel,
Com medo que lhe fugisse,
N’um caixão grande o fechava,
Muito forte em demasia.

Depois, em cima deitado,
Em tom de mofa dizia,
Como quem Deus não conhece,
Esta horrível heresia:
- Livre-se d’aqui agora
A tua Virgem Maria!

Chorava o pobre cristão,
Mas seus males não carpia.
A blasfêmia que escutava
Era o que só lhe doía.
Todo em lágrimas banhado,
Desta maneira dizia:
– Senhora! Que não castigas

Esta grande aleivosia?!

Se ele bem A invocava
Melhor a Senhora o ouvia.

Uma noite à meia noite,
O caixão que se movia!
Sem que ninguém lhe tocasse,
Ao mar direito corria!
O moiro, no melhor sono
Em cima d’ele dormia.
Adeus, terra de moirama!
A terra ao largo fugia…

Assim três noites vogaram,
Três noites e mais dois dias!
O moiro, como encantado,
Do sono não se bulia.

Já desponta a manhã clara,

Nossa Senhora dos Mártires, Castro Marim. Igreja matriz

Manhã do terceiro dia!
Novas areias se mostram,
Novos céus, nova alegria!

Já perto se ouve roncar
O mar pela penedia.
O ladrar de muitos cães
Por toda a costa se ouvia.
Da torre o galo três vezes
Este milagre anuncia!
Os sinos do campanário
Repicavam à porfia,
Sem que ninguém os tangesse,Porque tudo inda dormia.

Com os sinos acorda o moiro, Sem atinar com o que via.
Já muito contrito e humilhado
Para o captivo dizia:
– Cristão, que terra é esta
De tão alta senhoria?
Na tua terra, cristão,
Cantam galos à porfia,
Tocam sinos, ladram cães,
Logo ao despertar do dia?
– Esta terra sei que é minha,
Mas eu não a conhecia…
Na minha terra, senhor,
Cantam cães, repicam sinos,
Logo ao despontar do dia…
– Ergue-se, cristão, perdoa-me
Todo o mal que eu te fazia:
Ontem eras meu escravo
Teu servo seu n’este dia.

Já todos vão, já se partem,

Clique no Cd e veja como recebê-lo em sua casa

Caminho da santa ermida;
O moiro, por Deus tocado,
D’esta maneira dizia:
– Oh Mãe de Deus poderosa,
Piedosa Virgem Maria,
Perdoa-me os meus pecados
Que eu cristão me tornaria!Para ver este milagre
Toda a gente ali corria;
Com seus gibões encarnados
Os da justiça assistiam.
Eis que aos pés da Virgem Santa
D’água uma fonte se abria;
Tão cristalina e tão pura;
Que linda que ela corria!
Com esta água bendita
Água de tanta valia,
Foi logo ali batizado
O moiro da Babaria.

E para maior milagre,
Ao cabo de sete dias
Mesmo no meio das águas
Um verde freixo nascia
Tão copadinho e tão verde,
Oh que bem que parecia!

Desde então ficou a Virgem
Tendo grande romaria;
De Portugal e Castela
Todos, ali, corre em seu dia.

(Fonte: Alberto Pimentel, “História do Culto de Nossa Senhora em Portugal”)
Extraído do Blog Orações e Milagres Medievais

Ó imperatriz da cidade bem-aventurada – Nossa Senhora de Montserrat

12, julho, 2012 2 comentários

O Llibre Vermell de Montserrat (Livro Vermelho de Montserrat) é um manuscrito conservado no famoso Mosteiro do mesmo nome, perto de Barcelona, onde é cultuada há muitos séculos Nossa Senhora de Montserrat.

O mosteiro era um dos locais mais importantes de romaria na era medieval e assim continuou sendo nos séculos seguintes até os presentes dias.

O nome de “vermelho” provêm da cor da capa com que foi encadernado no século XIX. Ele contém cantos e liturgias do fim da Idade Média. As páginas com partituras não são mais de uma dúzia.

Elas incluem cânticos e danças devocionais para os peregrinos que iam até Nossa Senhora. Os cantos estão em catalão, occitano e latim, sendo todos de autor desconhecido.

A coleção foi reunida no fim do século XIV, porém a maioria das músicas é anterior.

Por exemplo, o motete Imperayritz de la ciutat joyosa é de um estilo já em desuso nesse século:

Ó imperatriz da cidade bem-aventurada
Do Paraíso onde tudo é alegria
Onde não há crime algum e abunda a virtude
Mãe de Deus por obra divina
Ó doce Virgem de angélico rosto.

Porque és a mais amada de Deus
Tende piedade dos fiéis
Roga por eles nos Céus
Virgem de misericórdia sem igual
Livrai-nos de todo mal

Não Vos afasteis de nós
Por causa dos nossos diários pecados
Mas protegei-nos sob vosso manto régio
Vós cuja piedade é tão grande
A nós que somos baixa argila
Na nossa humana fraqueza.

Rosa perfumada de bondade verdadeira
Fonte de misericórdia que nunca acaba
Palácio de honra onde a aliança foi selada
Entre Deus e os homens para nossa salvação
Tu em quem Deus fez-se tão perfeitamente homem
Sem mancha alguma
Que o viste morrer homem
E Deus ressuscitar.

Fonte: Blog Orações e Milagres Medievais

A descrição da fisionomia de Nossa Senhora de La Salette – Parte 2

1, julho, 2012 2 comentários

No livro de Pie Régamey, “Les plus beux textes sur la Vierge”, (Éditions La Colombe, Paris, 1946, pp.387 ss.) vem um depoimento feito por Mélanie Calvat, que é a menina que teve a visão de Nossa Senhora de La Salette, em 19 de setembro de 1846:

Vamos ver a narração, parte por parte.

 A Santíssima Virgem era alta e bem proporcionada.

A altura é um apanágio da majestade. Tanto é que aos príncipes, que não são reis, se diz Vossa Alteza. É evidente que não é altura física. Mas a altura física é uma imagem física da altura nos outros sentidos. E, portanto, não era necessário, mas convinha entretanto uma altura bem proporcionada. Porque a altura bem proporcionada é o contrário da altura monolítica, acachapante, esmagadora. E o que torna a altura exatamente condescendente, e por assim dizer acessível, é a perfeição de suas proporções. É o encaixe de várias coisas pequenas nela, com graça e harmonia, que tornam essa altura variegada. É uma unidade na variedade.

Então essa perfeição das proporções de Nossa Senhora, quase que é um “contraforte” daquilo que a altura poderia ter de um pouco assustador.

 Ela parecia tão leve que um sopro poderia atingi-la. 

Realmente, um ente inteiramente espiritual, no qual o corpo era completamente dominado pelo espírito e não sujeito, portanto, à lei da  gravidade e à atração de terra. O sobrenatural nEla estava na sua plenitude.

 Ela impunha um temor respeitoso, ao mesmo tempo que sua majestade impunha respeito entremeado de amor.

Então, era um respeito que, de uma lado incutia temor e, do outro lado, incutia amor. É a imagem da majestade verdadeira. É uma majestade que mete um temor reverencial, quer dizer, é um temor feito não do medo da chibata –que acessoriamente pode entrar –, mas é feito daquele medo de desgostar um tão alto ser. E, por outro lado, um amor que Nossa Senhora incutia pelo fato de ser quem era.

 Ela atraía.

A verdadeira majestade atrai. A verdadeira majestade não repele. Quando a gente vê uma majestade que repele é porque é uma falsa majestade. Por exemplo, Napoleão tinha uma majestade que repelia; não tinha nada de majestade autêntica.

 Ao seu redor, como em sua pessoa, tudo respirava majestade, esplendor, magnificência de uma rainha incomparável.

O que havia em torno dEla? Um campo ordinário, com umas ervinhas, uma coisa qualquer. Mas Ela entrava ali e tudo se transformava num palácio. Por que? Porque Ela comunica sua  glória a tudo quanto está em torno dEla.

 Ela parecia bela, clara,

É a claridade luminosa, sobrenatural,

imaculada, cristalina, celeste.

É muito interessante ver a necessidade de juntar a ideia de cristalino para afirmar a pureza e o que havia de diáfano em Nossa Senhora. Algo da nobreza dos cristais aparece dentro disso.

E agora vem a corolário:

Parecia-me também como boa Mãe, cheia de bondade, amabilidade, amor conosco, compaixão e misericórdia.

Esta justaposição nos dá bem a ideia da majestade perfeita. Por isso São Bernardo, constituindo a Salve Rainha, pôs este paradoxo, logo no começo: Salve Rainha e logo depois: Mãe de Misericórdia. Sumamente Rainha, sumamente Mãe, e Mãe de suma misericórdia.

Depois passa a falar das lágrimas. Nossa Senhora chorava. Mas há dois modos de chorar: há um modo de chorar cheio de fraqueza e há um modo de chorar cheio de sobranceria. A gente chora quando está abaixo da dor, mas pode chorar também quando está acima da dor.

Vamos ver como é o pranto de Nossa Senhora:

 A Santa Virgem chorava durante quase todo o tempo em que me falou. Suas lágrimas corriam uma a uma, lentamente, até seus joelhos.

Tudo isso é simbólico. Eram lágrimas que corriam lentamente indicando o domínio. Nada de descabelado, nada de convulsivo. Eram lágrimas como de uma rainha cheia de uma tristeza nobre, de uma tristeza serena. As lágrimas se sucedem umas às outras, chegam até o joelho para indicar o impulso com que elas são choradas, o fundo de alma que está nisso. Como para indicar que assim como as lágrimas lhe correm quase ao longo de todo o corpo, esta dor inunda toda a alma.

 Depois, como fagulhas de luz, elas desapareciam.

As lágrimas de Nossa Senhora deveriam: cair na terra? ficar formando um bolinho misturado com terra? ou prosaicamente empapar o vestido dEla?

A gente pode compreender uma rainha com os hábitos úmidos e pesados de lágrimas? Não.

Então, esse desaparecer como faíscas é uma beleza. A lágrima que no último momento brilha, dá uma luz e é recolhida pelo Padre Eterno nos seus esplendores, é uma solução lindíssima para um problema que facilmente poderia se tornar prosaico.

 Eram brilhantes e cheias de amor.

Também as lágrimas de uma tal rainha deviam ser luminosas. Não podiam ser lágrimas opacas. Não podiam ser lágrimas “terrosas”. Lágrima dAquela que é toda pura, só pode ser lágrima cristalina. E tinham um brilho de amor. A gente compreende que um certo brilho possa significar especialmente o amor. Vejam o mundo de tato que há em todas essas formulações. Como tudo isso é bem pensado.

Eu quisera consolá-la e que Ela não chorasse, mas parecia-me que precisava mostrar suas lágrimas para melhor mostrar seu amor esquecido pelos homens.

As lágrimas de nossa terna Mãe, longe de enfraquecer seu ar de majestade de rainha e senhora, pareciam, ao contrário, embelezá-la, …

A verdadeira rainha é tal que ela tem uma beleza quando ela está alegre; outra beleza quando ela está triste; outra beleza quando ela está despreocupada. Em tudo são belezas especiais. Em Nossa Senhora as lágrimas davam uma beleza inconfundível, que é a beleza da dor da rainha. É um aspecto fisionômico próprio.

 … torná-la mais amável, mais radiante.

Amável: quer dizer digna de amor. Mais irradiante: quer dizer mais a sua personalidade se expandia.

 Os olhos da Santíssima Virgem, nossa terna Mãe, não podem ser descritos por uma língua humana. Para deles falar, seria preciso um serafim. Seria preciso a própria linguagem de Deus, que formou a Virgem Imaculada, obra prima de seu poder.

A face é resumo do corpo. Os olhos são o resumo da  face. Quer dizer, os olhos são a quintessência de toda a expressão do corpo. Então, como é que se exprimiria a alma de Nossa Senhora na parte de seu corpo santíssimo que é a mais expressiva? Realmente, é sublime, o próprio do sublime é não poder ser descrito por língua humana.

 Os olhos da augusta Maria pareciam mil e mil vezes mais belos do que os brilhantes, os diamantes e as pedras preciosas.

Mas uma vez vem uma comparação que nos deve ser cara: comparar não só as lágrimas de Nossa Senhora, mas também os olhos dEla, com cristais, com pedrarias; de tal maneira o cristal é, na ordem da matéria, uma criatura excelente.

 Eram como a porta de Deus de onde se podia ver tudo aquilo que pode encantar a alma.

A expressão é magnífica. Porque na Ladainha se diz: Janua Caeli, Porta do Céu. E, realmente, Nossa Senhora é a mais clara manifestação de Deus; mais do que qualquer anjo. E quem olhar, portanto, os olhos de Nossa Senhora, olha a mais alta manifestação de alma de uma alma que é o espelho da justiça de Deus. Então, a gente compreende que é qualquer coisa totalmente inefável, indizível. Não se pode dizer o que seja a expressão de olhar de Nossa Senhora.

Mais transcendente somente o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo! Se pensarmos nos mil olhares de Nosso Senhor, se acompanharmos as cenas do Evangelho pensando no olhar que Ele tinha na Ceia, só isso dá uma meditação dos Evangelhos superabundante, magnífica.

 Somente essa visão dos olhos da mais pura das Virgens seria suficiente para ser o Céu de um bem-aventurado. 

Fala da mais pura das virgens naturalmente porque chamou a atenção dela a pureza desse olhar. E como é que não poderia ser puríssimo? É um olhar “castificante” (que comunica castidade a quem Ela olha). Quem olhasse esse olhar, poderia ficar casto a vida inteira na hora, só porque seu olhar conseguiu fitar o olhar imaculadamente puro de Nossa Senhora. Seria suficiente para fazer uma alma entrar na plenitude da vontade do Altíssimo, entre todos os acontecimentos que sucedem no curso da vida. Quem visse os olhos de Nossa Senhora, faria a vontade de Deus para sempre. Seria suficiente para impelir uma alma a contínuos atos de louvor, agradecimento, reparação e expiação. Ou seja, bastaria isso para ter tanto o que louvar, tanto que expiar, tanto para reparar, tanto para dar ação de graças, que a vida inteira se passaria nisso.

 Somente esta visão concentra a alma em Deus e a torna como morta-viva, que olha as coisas da terra, mesmo as coisas aparentemente mais sérias, como brinquedos de criança.

Quer dizer, depois que uma pessoa viu isso ela não dá importância a mais nada, e só dá importância a não pecar.

*           *        *

Isto posto, vamos pedir a Nossa Senhora de la Salette que nos dê uma impregnação de algo dessas graças em nossa alma. E que, sobretudo, tenhamos a apetência de ver os sagrados olhos dEla, o espelho de Sua Face, espelho de Seu Coração.

Que nós possamos, por esta forma, ter a apetência de ver os olhos de Nossa  Senhora no Céu.

Imaginem que o Céu fosse só isto: durante a eternidade, sentirmos sobre nós, fixos, os olhos de Nossa Senhora, e os olhos divinos de Nosso Senhor Jesus Cristo. Mesmo se não houvesse mais nada e já teríamos matéria para sermos inundados de felicidade eternamente!

Então, para nos dar um desejo do Céu, devemos pensar numa eternidade nesses olhos, contendo todas as variedades de expressão, todas as expressões de amor para conosco, de sublimidade, de grandeza de Deus, tudo isso pousado sobre nós a nos ver e a  nos analisar, a se embeber em nós, e nós embebidos eternamente neles. Não precisaria mais nada para termos um imenso, um tão grande desejo do Céu, que seríamos propensos a fazer uma oração pedindo para morrer logo.

 Fonte: Excertos de reunião, feita em 19-9-1966, pelo Prof. Plínio Corrêa de Oliveira.

A história da imagem de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro

30, junho, 2012 9 comentários

A festa de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro foi dia 27 de junho
Veja no vídeo abaixo a linda história da imagem da Virgem do Perpétuo Socorro.