Santo Natal: Maria Santíssima e São José chegam a Belém – Parte I

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Chegada a Belém. Maria Santíssima e São José não encontram pousada

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Maria Santíssima e São José chegaram à cidade de Belém, no quinto dia de viagem desde de Nazaré. Eram quatro horas da tarde, sábado, num dia inverno, quando àquela hora já se põe o sol e se aproxima a noite.

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Entraram na cidade procurando pousada. Percorreram muitas ruas em busca não só de hotéis, mas também de casas de conhecidos e de parentes mais próximos. Ninguém os recebeu, e por muitos foram despedidos com grosseria e desprezo.

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Prosseguiram a honestíssima Rainha e seu Esposo, batendo de casa em casa e de porta em porta, entre o tumulto da multidão.

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Não ignorava a Senhora que os corações e as casas dos homens estariam fechados para eles. Não obstante, para obedecer a São José, quis sofrer aquele vexame. Para seu recato, estado e idade, o sacrifício daquela andança foi mais penoso do que não encontrar hospedagem.

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Passando pela casa do registro público inscreveram-se, pagaram o imposto e a contribuição do tributo real, e assim ficaram livres desta preocupação e de precisar voltar ao registro.

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Prosseguiram em busca de pouso. Havendo procurado em mais de cinquenta casas, em nenhuma foram acolhidos. Admiravam-se os espíritos angélicos dos altíssimos mistérios do Senhor, da paciência e da mansidão de sua virgem Mãe, e da insensível dureza dos homens.

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Nesta admiração bendiziam ao Altíssimo em suas obras e ocultos desígnios que, desde aquele dia, exaltava a tanta glória a humildade e pobreza desprezadas pelos mortais.

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Dirigem-se para a Gruta

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Eram nove da noite quando o fidelíssimo José, cheio de amargura e íntima dor, voltou-se para sua prudentíssima esposa, e lhe disse:

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“Minha dulcíssima Senhora, meu coração desfalece de dor vendo que não vos posso acomodar não só como Vós mereceis e meu afeto deseja, mas nem com o abrigo e descanso que, raras vezes ou nunca se recusa ainda ao mais pobre e desprezado do mundo. 

Sem dúvida há mistério nesta permissão do Céu, que não se movam os corações dos homens para nos receberem em suas casas. 

Lembro-me, Senhora, que fora dos muros da cidade existe uma gruta que costuma servir de albergue aos pastores e seu gado. Vamos até lá, e se, por felicidade, estiver desocupada, tereis algum amparo do céu quando nos falta o da terra.”

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Respondeu-lhe a prudentíssima Virgem:

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“Meu esposo e Senhor, não se aflija vosso coração por não se realizarem os ardentes desejos de vosso afeto pelo Senhor. Já que o tenho em minhas entranhas, suplico-vos, por seu amor, que lhe agradeçamos suas disposições. O lugar de que me falais será muito de acordo com meu desejo. 

Mudem-se vossas lágrimas em alegria pelo amor e posse da pobreza, que é o rico e inestimável tesouro de meu Filho santíssimo. 

Ele vem dos céus procurá-lo, preparemo-lo com júbilo da alma, pois a minha não tem outro consolo, e o mesmo possa eu receber de vós. Vamos contentes onde o Senhor nos conduz.”

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Os anjos encaminharam os divinos Esposos para lá, servindo-lhes de luminosas tochas, e chegando à gruta encontraram-na desocupada.

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Cheios de celestial consolo, louvaram ao Senhor por este benefício.

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Fonte: “Mística Cidade de Deus”, Soror Maria de Ágreda, Tomo II – Mosteiro Portaceli – Ano 2001

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