Os doze emblemas da Santíssima Virgem – parte V

XII – O trono de Salomão(18) (ou jardim fechado)

 

Virgem da Encina, Jaén (Espanha)

Virgem da Encina, Jaén (Espanha)

“Fez mais o rei Salomão um grande trono de marfim, e guarneceu-o de ouro muito amarelo, o qual tinha seis degraus; e o alto do trono era redondo pelo espaldar; e dois braços, um de um lado e outro de outro, sustinham o assento; e havia dois leões junto de cada braço. E doze leõezinhos postos sobre os seis degraus, de uma parte e de outra; não se fez obra semelhante em nenhum outro reino do mundo”

 

A Santíssima Virgem foi o trono vivo, temporal, quando o Verbo desceu do trono eterno; foi também quando, ao nascer, o Menino Jesus repousou nos braços d’Ela; foi nesse trono que Nossa Senhora O apresentou para adoração a São José, aos Reis Magos, aos pastores e aos animais que O foram ver; foi ainda depois da crucifixão, ao ser preparado para o sepulcro.

1. O trono de Salomão era de marfim. Ou seja, de substância óssea, alva, consistente e preciosa. Nossa Senhora foi o que a Terra teve de mais precioso, puro e consistente.

2. O marfim do trono era recoberto de uma camada de ouro finíssimo. Nossa Senhora possuía uma ardentíssima caridade para com Deus, simbolizada pelo ouro, para com o próximo, representada pelo marfim.

3. Os degraus do trono estavam circundados por doze leõezinhos, simbolizando a fortaleza e a proteção. Maria Santíssima era circundada por uma proteção divina inteiramente particular. Segundo abalizados autores, Ela dispunha constantemente de mil anjos, de todos os coros angélicos.

O jardim fechado

Após o pecado, Deus expulsou Adão e Eva do Paraíso, o jardim de delícias. E diante dele colocou um anjo brandindo uma espada de fogo.(18)

Maria Santíssima, a antítese de Eva, é também poeticamente chamada de “Jardim fechado”. De fato, em seu seio, por obra do Espírito Santo, germinou a semente divina. E o anúncio desse milagre, de sua maternidade virginal, foi-lhe dado por um anjo. Agora é um anjo que, como mensageiro do Altíssimo, se curva diante da mulher bendita entre todas, da predestinada a ser Mãe do Salvador. Abre-se o mais belo dos “jardins fechados” e um novo Paraíso desponta para a humanidade.

Ricardo de São Lourenço comenta (no De laud. B.V.): “Jardim onde a serpente sedutora não pode se introduzir, como outrora no paraíso terrestre”. E São Jerônimo observa (na Epist. ad Paul.): “Jardim tão cuidadosamente fechado, que jamais receará ser profanado”.

O penúltimo versículo do livro Cântico dos Cânticos, do Antigo Testamento, termina com a seguinte exclamação, muito cheia de significado: “Faze-me ouvir a tua voz” (Fac me audire vocem tuam).

Maria Santíssima, nossa advogada e nossa mãe

Nossa Senhora conhece individualmente cada um de nós. De maneira tal que, na multidão de pessoas ao longo dos séculos, Ela acompanha solícita cada uma em particular. Foi por causa do pedido d’Ela que cada um de nós pôde ser batizado, conhecer a Igreja Católica, receber os sacramentos, obter a devoção a Ela e ser fiel em meio a essa tormenta pela qual a Igreja Católica passa de modo dramático em nossos dias. Pelo favor d’Ela, se o desejarmos de fato, alcançaremos o Céu.

Esta é uma importante missão da Virgem Santíssima como nossa mãe e nossa advogada. Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo, Ela é também mãe de todos aqueles que nasceram para a graça de seu Divino Filho. É igualmente enquanto advogada que Ela se tornou mãe inclusive dos pecadores. É sabido que a mãe não tem o papel de julgar, ela é naturalmente advogada do filho.

E por mais miserável que este seja, mais imundo, mais asqueroso, a mãe o perdoa e pede a Deus que o indulte também. A mãe será solidária com o filho até quando o pai o abomine completamente. A Sagrada Escritura afirma: “A bênção de um pai constrói uma casa, e a maldição de uma mãe a arrasa até os alicerces!” (Ecl. 3, 11). Ou seja, quando um homem chega a ser amaldiçoado por sua mãe, acabou-se! Mas Nossa Senhora é a mãe supremamente boa.

Perante as chagas de Nosso Senhor, ocasionadas em parte pelos pecados de cada um de nós, Ela intercedeu junto a Deus por nós.

E assim cada um de nós foi perdoado. Por meio de Nossa Senhora Deus veio a nós no nascimento; foi por meio d’Ela que Deus veio a nós por ocasião da Paixão, no momento da Redenção! Isso explica que, após a morte de Nosso Senhor, sua Mãe Santíssima tenha continuado a ser a grande intermediária entre Deus e os homens. São Pedro cometeu um pecado horroroso, quando abandonou Nosso Senhor no Horto das Oliveiras.

Depois O negou três vezes!… O galo cantou, Nosso Senhor olhou-o, ele começou a chorar e fugiu. Dizem alguns estudiosos que ele foi então procurar Nossa Senhora. Ela apiedou-se do chefe do Colégio Apostólico e obteve-lhe o perdão. Ele não se desesperou, e se salvou. A tal ponto chega a misericórdia d’Ela, que teólogos afirmam que até Judas –– o mercador péssimo, o traidor por antonomásia ––, caso se tivesse refugiado junto a Nossa Senhora, Ela o teria recebido com toda a bondade, e obtido o perdão para seu pecado imenso.

Mas ele recusou todas as graças e se enforcou, precipitando-se assim no Inferno: “Ai daquele homem por quem o Filho do Homem é traído! Seria melhor para esse homem que jamais tivesse nascido!” (Mt 26, 24).

Aqueles que se voltam para a Virgem Santíssima recebem tudo. Quem não procede assim, arrisca-se seriamente a não receber nada. Nossa Senhora é a “Porta do Céu”, pela qual as pessoas conseguem as graças. Através d’Ela nossas orações chegam a Deus. Quanto mais estivermos unidos a Ela, mais facilidade teremos para praticar a virtude e nos tornarmos agradáveis a Deus.

Segundo São Luís Grignion de Montfort, magníficas transformações operam-se nas pessoas que praticam a verdadeira devoção à Santíssima Virgem. Adquirem capacidade de compreensão das coisas sobrenaturais, força extraordinária de vontade para lutar, potência de ação e fé valorosa, tornando-se capazes de derrotar a grande apostasia dos inimigos de Deus.

Quando Nossa Senhora profetizou em Fátima os castigos para a humanidade –– revelando até que várias nações irão desaparecer ––, anunciou ao mesmo tempo seu triunfo final.

Peçamos-lhe que, em relação a cada um de nós, conceda a graça que obteve para São Pedro, vencendo nossas dificuldades e aniquilando nossas maldades. Enfim, que o coração d’Ela triunfe em nós, e que se realize logo sua promessa em relação ao mundo contemporâneo!

Notas:1. Tratado da verdadeira devoção à Santíssima Virgem, cap. VII, art. 5, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, 6ª ed., 1961.2. Este estudo tomou como base explicitações feitas pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em 4-4-92 e 25-4-94, comentando o livro Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem.3. Antonio Cândido da Cunha, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa, Nova Fronteira, SP, 1ª edição, 1982.4. Hippólito Marracci, Polyanthea mariana, Editio novissima, Coloniae Agrippinae, 1710.5. Gabriel Maria Roschini, O.S.M., La Madre de Dios, Vol. I – Singular misión de María.6. Livro da Sabedoria, 7, 24-30 – 7. Gen. 27, 41; 28, 11-15.8. Ex 3, 1-11.9. Juízes, 6,36-40. O fato histórico ocorreu por volta do ano 1245 a.C.10. Roschini, op. cit., vol. I.11. Ex., 25, 10-16, Época: 1491 a.C.12. III Reis, 6,2-38; II Par, 3,3; 4,22. templo de Salomão: cerca de 991 a.C., primeira destruição do Templo: 975 a.C.13. II Paralipômenos, 2, 6.14. III Sam., 5, 17.15. Is 19,1; III Reis 18, 42-45.16. Bíblia Sagrada, Edições Paulinas, São Paulo, 1967, p. 897.17. I Reis, 18, 41-45.18. I Reis, 10, 18-20.19. Gen. 3, 23-24.Outras fontes consultadas:• Anotações de conferências proferidas sobre o tema pelo Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.• Pe. Júlio Maria, Por que amo Maria, Edições Paulinas, São Paulo, 1960.• Pe. René Laurentin, Doutor em Letras, em Teologia, Professor da Universidade Católica de Angers, Membro da Pontifícia Academia Mariana Internacional de Roma, Breve Tratado de Teologia Mariana, tradução da 4ª. edição francesa, Editora Vozes Ltda., Petrópolis, RJ, 1965.• M. Paul Sauceret, Figures bibliques de Marie, Mère de Jésus – disposées pour deux mois de Marie, Librarie de Poussielgue-Rusand, Lyon, France, 1846, pp. 2 e 3. Gabriel Mª Roschini, O.S.M. La Madonna Secondo la Fede e la Teologia, Roma, Ferrari, 1954 – (La Madre de Dios según la Fe y la Teología, Editorial Apostolado de la Prensa S.A., Madrid, MCMLVIII) I – Singular Misión de María; II – Singulares privilegios de María; III – Singular Culto de María]• A Bíblia Sagrada, Editora “Ave Maria” Ltda., São Paulo, 1959.• Arnaldo Augusto Marmo, Dicionário Brasileiro de Sinônimos e Antônimos, Livraria Tupã Editora Ltda., Rio de Janeiro, 1959.

Fonte: Catolicismo

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  1. Deunice caceres Oliveira
    14, dezembro, 2009 em 09:27 | #1

    Me sinto muito feliz por fazer parte desta comunidade e receber estas mensagens pois e para mim uma fortaleza espiritual na minha vida e de minha familia eforça tao grande que sinto que nossa senhora e amae que todos deveriam considerar pois ela e o verdadeiro exemplo de humildade mesmo sendo a Rainha do ceu mae que sempre acolhe seus filhos mesmo sendo tao pecadores ela esta sempre nos acalentando dando aquele carinho que so ela sabe dar obrigada MAE querida por tantas as graças que me concede . QUE NESTE NATAL NOS DE MUITA SAUDE AMIM MINHA FAMILIA AO MUNDO INTEIRO PAZ , MUITA PROTEÇAO SAUDE MATERIAL E ESPIRITUAL E QUE PRECISAMOS E AMOR A VOS A SEU FILHO AMADO PARA ACABAR COM A VIOLENÇIA DO MUNDO A FALTA DE DEUS AMEN

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