Profanação e Sacrilégio no Canadá: uma Igreja fecha a cada semana

Aparelhos de pesos ocupam o espaço onde antes havia bancos de igreja, e os visitantes bebericam sucos verdes nutritivos, em vez do vinho da comunhão.

Porém, apesar de sua transformação dramática em uma academia de ginástica privada e SPA, o outrora Santuário dominicano de São Judas, na Rua St. Denis, em Montreal, continua sendo um tipo de templo.

“Ele se torna quase uma religião para algumas pessoas,” disse Sonya Audrey Bonin, gerente geral da academia de ginástica Saint-Jude Espace Tonus, nesta semana. “Eu considero isso como fazer yoga, cuidar de si, cuidar do que você come, ter um estilo de vida saudável.”

E em uma época secular, quando as pessoas estão mais propensas a frequentar a academia do que ir à missa no domingo de manhã, as instalações de luxo estão sendo elogiadas como modelo de preservação de prédios religiosos que constituem uma parte importante do patrimônio arquitetônico de Quebec.

O Conselho de Patrimônio Religioso de Quebec foi criado, em 1995, com fundos provinciais e com a missão de reparar as minguadas igrejas da província.

As congregações em decadência pensavam que as paróquias estavam tendo dificuldade em pagar os reparos. Assim, o conselho identificou os prédios com o maior valor patrimonial e subsidiou a manutenção deles.

Porém, após 18 anos e $371 milhões investidos pelo governo, o conselho reconheceu que faz pouco sentido reparar prédios simplesmente para mantê-los de pé. Eles precisam ser ocupados, e as igrejas estão tendo bastante dificuldade em fazê-lo.

“A questão mudou,” disse Denis Boucher, gerente de projetos do conselho de patrimônio. “Hoje em dia, falamos muito mais em encontrar usos para igrejas.” No passado, as verbas do conselho eram reservadas a igrejas ainda utilizadas como lugares de culto.

No ano passado isso mudou, e agora o conselho pode ajudar organizações sem fins lucrativos, prefeituras e até mesmo proprietários particulares que estão tentando transformar igrejas antigas.

Quando o conselho fez um inventário, em 2003, identificou 2.751 igrejas na província, a grande maioria delas católicas.

Desde então, cerca de 400 fecharam, e o Sr. Boucher disse que o ritmo está crescendo rapidamente.

“Uma igreja fecha a cada semana. É um enorme fenômeno,” ele disse. “Todo mundo precisa fazer uma concessão, para que os prédios encontrem uma vida útil na sociedade e continuem transmitindo o seu significado histórico.”

Uma nova publicação do conselho de patrimônio ressalta exemplos em Montreal de “vidas úteis” encontradas para antigas igrejas, incluindo a academia de ginástica São Judas, que está sendo elogiada pelas “soluções arquitetônicas originais, que criaram um diálogo com o passado do local, e não separado dele.”

Os arquitetos preservaram as paredes externas da igreja e a maior parte das janelas em arco, impedindo que se esqueça a antiga função do prédio.

No bairro de Rosemont, em Montreal, a antiga Igreja de Santo Eugênio agora é um centro comunitário para novas unidades residenciais subsidiadas, construídas ao redor da igreja para cidadãos idosos. “A igreja continua desempenhando o seu papel de local de encontro,” escreveu o conselho de patrimônio.

Confessionário transformado em bar…

Outra transformação bem-sucedida foi o Théatre Paradoxe no sudeste de Montreal, que assumiu a quase centenária Igreja de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro depois que ela fechou, em 2009.

Ao custo de $2,7 milhões, o projeto conservou o exterior da igreja e muito do seu interior, incluindo a madeira dos confessionários, que foi utilizada para fazer o bar.

Mas agora a nave é o cenário de concertos e conferências, enquanto uma organização que ajuda alunos egressos a encontrar trabalho usa parte do prédio para treiná-los como técnicos de vídeo e palco.

Embora espetáculos de danceterias tenham substituído os hinos dominicais, Gérald St-Georges, gerente geral do teatro, disse que há uma continuidade na nova finalidade do prédio. “Antigos paroquianos sentem orgulho de que a igreja tenha permanecido um local de encontro,” ele disse. “Ela está diretamente relacionado ao que acontecia antes.”

O impulso de preservar igrejas, atribuindo-lhes uma nova missão, encontrou um obstáculo com a chegada de Christian Lépine, arcebispo católico romano de Montreal, em 2012.

Logo após sua nomeação, ele declarou uma moratória à venda de igrejas, por receio de que os fiéis perdessem sua igreja de bairro. Os projetos para instalar creches e centros comunitários em igrejas fechadas foram subitamente suspensos.

Alain Walhin, assistente do vigário geral na arquidiocese de Montreal, disse que após dois anos na moratória, não há indícios de quando ela será levantada.

Primeiro a arquidiocese quer identificar as necessidades de seus paroquianos e avaliar o estado de seus quase 200 prédios, ele disse. “Se levar três anos, quatro anos, esse é o tempo que levará,” ele disse.

Ele também insinuou que as pessoas têm sido muito precipitadas ao declarar que a Igreja Católica perdeu influência em Quebec.

“É claro que há muitas igrejas para o número de pessoas que as frequentam, mas isso não é motivo para fechar tudo,” ele disse.

“Sim, as pessoas não vão, mas isso não significa que elas nunca vão. Há altos e baixos. Isso não quer dizer que sempre haverá um declínio.”

Ele deu o exemplo de uma antiga igreja franco-canadense em Montreal, que no ano passado foi transferida para o controle de uma congregação católica de origem africana e renomeada de Nossa Senhora da África.

Fonte: fratresinunum.com

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  1. Renata P. Espíndola
    20, agosto, 2014 em 17:41 | #1

    Nada acontece sem autorização das Arquidioceses e cabe aos fiéis aceitar.

    Se algum templo católico mudou de uso por falta de fiéis e a Arquidiocese local achou por bem repassar o imóvel, certamente o fez dessacralizando o local para evitar profanações e só restaram o esqueleto e “casca” que servem ainda de elementos evangelizadores, mesmo que o uso não mais o seja.

    É lamentável que nossas igrejas percam sua função principal, mas isso não é um fenômeno restrito ao Canadá.

  2. Maria de Lourdes Trapé goulart
    18, agosto, 2014 em 23:08 | #2

    Vamos dar as mãos e orar…as nossas orações a de tocar nos corações dessas pessoas que não tem fé…e que Deus os perdoe pois Igreja é a casa de Deus.

  3. sandra helena vallim barbosa stringheta
    18, agosto, 2014 em 12:00 | #3

    Meu Deus eu nunca tinha ouvido um absurdo desses.Confesso que estou transtornada tentando entender o que não consigo sobre fechar Igrejas Católicas para fazer centros de lazer,academias,etc… por que fiéis católicos participam pouco das Santas Missas.A Igreja católica é mesmo perseguida tenho certeza que Deus chora por essa situação.Ofende,fere cruelmente o Coração de Nossa Senhora.Que sejamos fortes em continuar a dizer não aos desagravos do Coração de Jesus e de Maria Santíssima e rezemos mais intensamente pedindo a Deus que nos mantenha fiel em nossa fé e luta pela nossa Santa Igreja e seus ensinamentos.Que Nossa Senhora nos ajude a interceder junto a Jesus pela conversão dos pecadores.Assim seja.Amém

  4. Maria Alaíde Batista Camilo Leonoro
    18, agosto, 2014 em 10:04 | #4

    IGREJAS FECHAM NO CANADÁ – em um dos países mas ateus do mundo…era de se esperar. Estamos na época de “sodoma e gomorra”….final dos tempos…só nos resta rezar

  5. Bernardo Ferreira Esquivel
    18, agosto, 2014 em 04:00 | #5

    E vergonhoso transformar a casa de Deus em academia, e um sacrilegio, a igreja e um local dos fieis para oração, silencio, respeito e ouvir a palavra do senhor. Mas tudo e questão de tempo, a volta de Jesus está proximo, onde vai julgar os vivos e mortos.

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