Deve a Igreja mudar sua posição sobre homossexualismo e divórcio?

Cardeal-Schonborn, arcebispo de Viena
Cardeal-Schonborn, arcebispo de Viena

Estão repercutindo intensamente em vários meios − especialmente na mídia liberal, em setores progressistas da Igreja e entre ativistas homossexuais− as recentes declarações do Arcebispo de Viena Christoph Cardeal Schoenborn, sobre o homossexualismo e o divórcio¹.

Falando a um grupo de jornalistas austríacos no dia 28 de abril último, o purpurado fez confusas e concessivas afirmações sobre o homossexualismo e o divórcio.

Nessa ocasião, criticou também nominalmente o Cardeal Angelo Sodano, ex-Secretário de Estado do Papa João Paulo II e atual decano do Colégio Cardinalício, acusando-o “de cumplicidade e acobertamento de alegações de abuso sexual em relação ao seu predecessor [o falecido Cardeal Groer que foi Arcebispo de Viena] a figura mais importate da Igreja na Austria.”²

Nada há de comum entre o casamento e a parceria homossexual

As surpreendentes declarações do Arcebispo de Viena foram difundidas pela agência católica austríaca Kathpress, e divulgadas por vários meios de comunicação.³

Segundo o The Tablet, de Londres, o Cardeal Schoenborn, “perguntado sobre a atitude da Igreja em relação aos homossexuais, respondeu dizendo: ‘Nós deveríamos tomar mais em consideração a qualidade dos relacionamentos homossexuais,’ acrescentando: ‘Um relacionamento estável é certamente melhor do que a pessoa escolher a promiscuidade.’4

A palavra-chave da afirmação acima é “qualidade.” Fica sugerido que as relações homossexuais havidas dentro e fora de um relacionamento estável seriam de “qualidade” diferente e que, portanto, mereceriam uma diferente apreciação moral, tal como ocorre nas relações heterossexuais dentro ou fora do matrimônio.

Com efeito, o ato sexual entre homem e mulher dentro e fora do casamento são de qualidade ou natureza moral diferente. Quando realizado de modo natural dentro do casamento ele é apto a atingir a sua finalidade que é o da procriação e educação dos filhos, sendo portanto legítimo; quando praticado fora do casamento (ou de modo antinatural dentro dele) vai contra sua finalidade, sendo portanto ilegítimo e pecaminoso.

Uma vez que o ato homossexual é, em si mesmo, inapto para a procriação e o relacionamento homossexual moralmente inapto para a educação de filhos, sua “qualidade” ou natureza não muda em relações estáveis ou promíscuas, permanecendo sempre a mesma, ou seja a de um ato contrário à natureza, ilegítimo, pecaminoso5.

No atual contexto da campanha (já amparada por leis) que visa a equiparar o relacionamento homossexual estável ao casamento, defender os relacionamentos homossexuais “estáveis” vem favorecer tal campanha.

A Igreja não pode mudar sua posição face ao divórcio

Em sua conversa com os jornalistas, “o Cardeal também disse que a Igreja precisa reconsiderar sua posição em relação aos divorciados recasados, ‘uma vez que muitas pessoas não estão nem mais se casando.’ Ele disse que a primeira coisa a se considerar deveria ser não o pecado, mas o esforço feito pela pessoa para viver de acordo como os mandamentos. Prosseguiu afirmando que em vez de uma moralidade baseada no dever, deveríamos caminhar para uma moralidade baseada na felicidade.”6

No que consiste para a Igreja, “reconsiderar sua posição em relação aos divorciados recasados”? Pela afirmação que se segue, de que se deve considerar mais o esforço feito pelas pessoas, do que o pecado que cometem, parece que o Cardeal se refere a uma mudança em relação à proibição dos católicos divorciados e “recasados” de receberem a Comunhão.

Ora, de acordo com a moral tradicional, posto que o casamento, mesmo natural, é indissolúvel, uma pessoa que passa para segundas núpcias após abandonar seu legítimo cônjuge, não está realmente casada mas vive em estado de concubinato. O que é uma situação objetivamente pecaminosa e que lhe proíbe de receber a Comunhão.7

Permitir que pessoas nessas circunstâncias recebam normalmente os Sacramentos implica em negar que seu estado seja pecaminoso. Ora, tal negação, pelo menos implicitamente, parece negar princípio da indissolubilidade do matrimônio, pois tais pessoas só não estariam em pecado caso seu casamento anterior não continuasse a existir.

Mas, a indissolubilidade do casamento, mesmo do casamento natural, é um princípio que decorre da Lei natural, e, portanto8, a Igreja não pode abrir mão dessa indissolubilidade, mesmo indiretamente, como seria no caso de tratar as pessoas vivendo em concubinato como se estivessem legitimamente casadas. Pois como lembrou o Papa Paulo VI na Encíclica Humanae Vitae, a Igreja é a guardiã e a intérprete da Lei natural, não a sua criadora. Por essa razão ela não pode modificá-la.9

A destruição da moral objetiva

Em relação à declaração do Purpurado vienense de que “a primeira coisa a se considerar não devia ser o pecado mas sim o esforço feito pela pessoa para o evitar”, isso implicaria em deslocar o eixo da moral da norma objetiva, que é o da obediência devida à Lei divina e natural, para o de uma norma subjetiva que serio o do esforço despendido pela pessoa para evitar o pecado, mesmo que não conseguisse evitá-lo.

Mas, com essa mudança, a lei moral deixaria de ser o padrão objetivo para julgar da legitimidade ou ilegitimidade moral do ato humano e cedendo seu lugar para um critério puramente subjetivista, impossível de se avaliar. De fato, como determinar objetivamente o esforço feito interiormente para fazer ou evitar algo?

Passa-se então de uma moral objetiva e universal, baseada em princípios claros e racionais para um subjetivismo relativista, destruidor de toda ordenação ética. Além do que, essa conceituação é totalmente naturalista, negando o princípio de que Deus não deixa de dar a ajuda de sua graça àqueles que realmente se esforçam para atingir um fim bom.10

Por fim, propor uma moral que oponha a felicidade ao dever é propor uma contradição. A verdadeira felicidade, como mesmo filósofos pagãos chegaram a compreender, resulta da prática da virtude.11 Num plano superior, a felicidade está relacionada com o fim último do homem, que é a eterna bem-aventurança, a qual não se alcança sem a obediência à Lei divina e a prática do dever religioso.

Não entramos aqui na análise das intenções subjetivas do Cardeal-Arcebispo de Viena, as quais cabe a Deus julgar. Mas, não podemos deixar de lamentar o efeito de suas declarações.

1 Cf. Cathy Lynn Grossman, Cardinal’s surprising new tune: ‘Don’t worry, be happy’, USATODAY, Faith & Reason, May 08, 2010, http://content.usatoday.com/communities/Religion/post/2010/05/gay-marriage-divorce-catholic-church/1; Tim Rutten, Changing the church – Recent statements and writings show that there is support within the church for reform; latimes.com, May 12, 2010, latimes.com/news/opinion/commentary/la-oe-0512-rutten-20100512,0,7587200.column; James Martin, S.J., Schonborn Attacks Sodano; Calls for New Look at Gays and Remarried Catholics, Posted at: Friday, May 07, 2010 02:38:56 PM, http://www.americamagazine.org/blog/entry.cfm?blog_id=2&entry_id=2858; The Daily Dish | By Andrew Sullivan, Tips-Q, http://www.tips-q.com/category/news-sources/-daily-dish-andrew-sullivan.

2 John L. Allen Jr., ‘The days of cover-up are over,’ Schönborn, http://ncronline.org/news/accountability/days-cover-are-over-sch%C3%B6nborn; Cf. Philip Pullella, Cardinal accuses Vatican official of abuse cover-up, VATICAN CITY, Sun May 9, 2010 10:34am EDT, REUTERS, http://www.reuters.com/article/idUSTRE6481D420100509.

3 Para o vaticanista italiano Andrea Tornielli, o fato das palavras do Cardeal terem sido divulgadas pela agência noticiosa católica garante a fidelidade das mesmas. (Schoenborn attacca Sodano: “Non volle indagare su Groer”, http://blog.ilgiornale.it/tornielli).

4 Christa Pongratz-Lippitt, Schönborn attacks Sodano and urges reform, The Tablet, 8 May 2010 , http://www.thetablet.co.uk/article/14678.

5 Cf. Saint Thomas Aquinas, The Reason Why Simple Fornication Is A Sin According To Divine Law, And That Matrimony Is Natural, Summa Contra Gentiles, book 3, q. 122 (at http://dhspriory.org/thomas/ContraGentiles3b.htm#123); Catechism of the Catholic Church, 2357.

6 Christa Pongratz-Lippitt, Schönborn attacks Sodano and urges reform, The Tablet, 8 May 2010 , http://www.thetablet.co.uk/article/14678.

7 Código de Direito Canônico, Cânon  915: “Não sejam admitidos à sagrada comunhão os excomungados e os interditados, depois da imposição ou declaração da pena, e outros que obstinadamene persistem no pecado grave manifesto.”

8 Cf. Victor Cathrein, S.J., Philosophia Moralis, Editorial Herder, Barcelona, 1945, p. 365, n. 527; Santo Tomás de Aquino, O matrimônio deve ser indivisível, Summa Contra Gentiles, book 3, q. 123 (at http://dhspriory.org/thomas/ContraGentiles3b.htm#123).

9 Humanae Vitae, nn. 4 and 18 (http://www.vatican.va/holy_father/paul_vi/encyclicals/documents/hf_p-vi_enc_25071968_humanae-vitae_po.html).

10 “Facienti quod in se est, Deus non denegat gratiam.” Fazendo-se o esforço devido Deus não nega sua graça (J. Van der Meersch, Grace, Dictionnaire de Théologie Catholique, T. VI, Deuxime Partie, col. 1603, Letouzey et Ané, Paris, 1947).

11 Aristotle, Nicomachean Ethics, at http://classics.mit.edu/Aristotle/nicomachaen.8.viii.html.

Fonte: IPCO

Compartilhe:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on twitter
Share on email

3 Comentários

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Compartilhe:

Share on facebook
Share on whatsapp
Share on telegram
Share on twitter
Share on email

Cadastre-se:

Mais postagens

Inclua agora seu nome na Missa de Nossa Senhora de Fátima.

Basta ligar para:

0800 608 2128

DÚVIDAS

Clique nas perguntas para ver as respostas

Quando você quiser. Trata-se doação espontânea e não de um título comercial que poderá ser protestado. Para cancelar basta ligar para (11) 4368 2253 ou até nos contatar por outros canais. Mas lembre-se que a sua doação é a forma de participar de um apostolado e até receber graças.

O Grupo Exército da Medalha Milagrosa é formado por pessoas que acreditam na intercessão de Nossa Senhora das Graças através da Medalha Milagrosa e querem espalhar essa devoção pelo Brasil, atendendo ao pedido que Ela fez: “Faça cunhar uma Medalha por este modelo…”. Nossa Senhora pode contar com você?

Quando fazemos algo que nos custa algum sacrifício, isso tem mais méritos aos olhos de Nossa Senhora, Mãe de Misericórdia. Quanto mais você fizer pela Virgem Maria, mais graças estará atraindo para a sua vida. Economizando uma moedinha por dia, 1,00 Real, ao final do mês você terá condições de participar do Grupo Apóstolos de Fátima. Faça um voto de fé e experimente.

Bem, além do cartão de crédito você pode nos ajudar de outras formas. Mas você também pode ver se algum familiar pode lhe emprestar seu cartão de crédito para debitar essa doação. Ele também será incluído nas Missas. Muitas vezes você pode utilizar um cartão de uma loja de departamento, até supermercado. Como um cartão da Riachuelo, C&A, etc., desde que tenham a bandeira VISA ou Mastercard.

Não precisa se preocupar. Nós contratamos um sistema de SITE SEGURO, exatamente como os bancos. Na hora de preencher seus dados no site, veja que terá um cadeadinho no canto superior esquerdo da tela. Ele á a garantia de um site 100% seguro. Pode confiar e ir em frente.

PARABÉNS. São poucas as pessoas que realmente agem para fazer o bem, sem egoísmo. Mas, pessoas como você, geralmente são mais solicitadas dos que os que nada fazem. E Deus, que a tudo vê, saberá recompensá-las. Faça esse gesto por Nossa Senhora de Fátima. Faça como uma promessa ou voto de fé. Ela certamente escutará as suas preces e lhe atenderá.

Claro. Mas lembre-se da Virgem Maria quando o Arcanjo Gabriel lhe perguntou se Ela queria ser a mãe do Messias. Mesmo pobre e mocinha ELA DISSE SIM, sem deixar para depois, afinal, era um pedido do Espírito Santo. Será que a Virgem Maria não está esperando o seu SIM bem agora? Por que deixar para depois?

Pense que a sua ajuda nos permitirá levar este símbolo de Proteção e Bênçãos Marianas a muitas famílias que necessitam. E lembre-se que você contará com missas semanais, terá seu nome levado até o Santuário de Nossa Senhora das Graças e outros presentes. Tudo para lhe agradecer por essa valiosa ajuda. Além disso, você certamente contará com as graças de Maria em sua vida.

Muitos pensam que Missa só se manda celebrar para os falecidos. Ao contrário, ter missas em nossas intenções, enquanto estamos nessa terra, é muito importante. Por isso decidimos por esta forma de lhe agradecer pela sua generosa doação, com este presente de valor infinito. Cada Missa é a renovação do sacrifício de Nosso Senhor.

Sem problemas. Nossa Senhora das Graças quer a ajuda daqueles que o fazem com generosidade e sinceridade. Uma doação obrigada nunca será bem vinda para um apostolado mariano com a missão de difundir a devoção a Nossa Senhora das Graças e a Medalha Milagrosa. Uma doação generosa e dada de boa vontade atrairá bênçãos para você, para sua família e para toda essa obra apostólica.

Abrir bate-papo
Escanear o código
Olá 👋
Podemos ajudá-lo?