As prefiguras bíblicas de Nossa Senhora – parte II

Eva: figura original da Mãe de Deus

 

Adão e Eva expulsos do Paraiso. Eva é a mais antiga prefigura de Nossa Senhora

Adão e Eva expulsos do Paraiso. Eva é a mais antiga prefigura de Nossa Senhora

Na ordem dos tempos, Eva — a mãe comum de todos homens — é a primeira figura de Nossa Senhora.

Suas qualidades, que prenunciavam a Santíssima Virgem, eram:

1. Toda beleza da primeira criação;

2. Natureza perfeita sob todos os aspectos e relações;

3. Sublimidade dos dons de justiça e de graça;

4. Missão: comunicar a seus inumeráveis filhos esses dons de

justiça e de graça.

 

 

 Minúcias da grandeza primitiva de Eva:

1. Castidade;

2. Valor;

3. Fidelidade;

4. Formosura;

5. Beleza da dor.

Eva era como que o complexo de todas as mulheres, e sobretudo a grande e mais antiga prefigura de Nossa Senhora.

Mas, devido à sua queda, perdeu a celestial beleza de sua origem. Nossa Senhora — pela sua dignidade de Mãe de Deus, suas graças, suas virtudes, seus méritos, seus privilégios e seus poderes — ultrapassou sobremodo Eva, pois restituiu aos homens o que a primeira mulher lhes tinha feito perder. A Santíssima Virgem é nossa Mãe no sentido mais elevado e verdadeiro.

Os quatro grupos de prefiguras de Nossa Senhora

Para reconstituir a fisionomia de Nossa Senhora, desfigurada em Eva, a Providência Divina suscitou, através dos séculos, uma série de tipos femininos que, por suas virtudes especiais, representaram sucessivamente as minúcias da grandeza primitiva de Eva.

A concentração da glória dessas prefiguras deu-se sobre a fronte única e virginal da Santíssima Virgem.

Dividem-se em quatro grupos:

1º grupo: Representa a fecundidade de Nossa Senhora;

2º grupo: Recorda a força e a coragem;

3º grupo: Simboliza a beleza excepcional e a graça irresistível;

4º grupo: Representa a beleza da dor.

 1º grupo: A fecundidade da Virgem – Sara, Rebeca e Raquel

I – Sara: Bela e estéril, tornou-se mãe de Isaac e de uma posteridade enorme.

Sara,(1) em hebreu, quer dizer princesa. O nome Sara foi-lhe dado pelo próprio Deus, quando apareceu a Abraão: “Disse também Deus a Abraão: ‘A Sarai, tua mulher, não chamareis mais Sarai, mas Sara’ (princesa)”.(2)

Ela era de uma excepcional beleza. Embora sendo estéril, milagrosamente teve um filho, Isaac. Por ter sido mãe de Isaac, que se tornou pai de Jacó, é considerada a “mãe do povo eleito”, de acordo com o Profeta Isaías (Is., 51,2).

Termos de comparação:

a) Nossa Senhora gerou o verdadeiro Isaac, Jesus Cristo, no qual foram abençoadas todas as gerações;

b) A maravilhosa beleza do nascimento e a alegria que isto lhe proporcionou;

c) Sara deu à luz por um milagre, pois a velhice esgotara a sua fecundidade. Entretanto, foi a mãe de uma inumerável posteridade. Este milagre simboliza a fecundidade virginal de Nossa Senhora, que: 1º) deu à luz o Homem-Deus; 2º) gerou para a vida divina todos os homens. É, pois, a Rainha do Céu e da Terra.

II – Rebeca: Belíssima, tornou-se mãe de duas raças (Jacó e Esaú).

 

Rebeca: modelo das virgens que abraçam o estado conjugal. É paciente, doce, um pouco fraca, mas hábil

Rebeca: modelo das virgens que abraçam o estado conjugal. É paciente, doce, um pouco fraca, mas hábil

Rebeca(3) foi a esposa de Isaac. Foi ainda mais bela do que Sara. Nos dizeres da Escritura Sagrada, “era uma donzela linda em extremo, e uma virgem formosíssima”; ao encontrar Isaac pela primeira vez, “tomou depressa o véu e cobriu-se”; e “ele introduziu-a na tenda de Sara (sua mãe), e recebeu-a por mulher; e tão extremosamente a amou, que moderou a dor que lhe ocasionara a morte de sua mãe”.

Rebeca teve dois filhos: Esaú e Jacó. Esaú simboliza os réprobos, pois, dentre vários aspectos descritos por São Luís Maria Grignion de Montfort no Tratado da Verdadeira Devoção, pode-se destacar: “Pouco se incomodava de agradar a sua mãe Rebeca, e nada fazia por ela; era guloso, e gostava tanto de satisfazer o paladar, que chegou a vender seu direito de primogenitura por um prato de lentilhas; estava, como Caim, cheio de inveja de seu irmão Jacob, e o perseguiu sem tréguas”.(4)

Jacob, pelo contrário, simboliza os filhos da luz: “Permanecia em casa o mais possível, para ganhar as graças de sua mãe Rebeca; amava e honrava sua mãe; seu maior contentamento era vê-la; evitava tudo que pudesse desagradar-lhe e fazia tudo que imaginava agradar-lhe; depositava nela uma confiança sem limites; apoiava-se unicamente na proteção e nos desvelos maternos”; chamava por ela em todas as suas dúvidas; imitava, na medida de sua capacidade, as virtudes que via em sua mãe”.(5) Esta é uma das razões pelas quais Isaac, ao abençoar Jacob (representante, portanto, dos verdadeiros devotos de Nossa Senhora), incluiu: “Aquele que te amaldiçoar, seja amaldiçoado; e o que te abençoar, seja cumulado de bênçãos”.(6)

Podem-se indicar inúmeros pontos de semelhança entre Rebeca e a Santíssima Virgem. Destacamos:

Rebeca: a) Modelo das virgens que abraçam o estado conjugal. Ao encontrar Isaac pela primeira vez, dá um admirável exemplo de modéstia; b) É paciente, doce, um pouco fraca, mas hábil. Salva Jacó, propondo-lhe um ardil e forçando-o a uma longa ausência.

Assim foi a Santíssima Virgem. Ela preferiu permanecer virgem a ser elevada às honras mais excelsas. Em face do anjo, ostenta uma modéstia incomparável. Como Rebeca — mãe de Jacó e de Esaú, símbolos dos justos e dos pecadores — Nossa Senhora é mãe de ambos (dos justos e dos pecadores). Em vez de os livrar pela astúcia, intercede por eles e lhes obtém misericórdia.

É, pois: a) padroeira dos justos e b) reconciliadora dos pecadores.

III – Raquel:(7) Rara beleza e infatigável ternura (amenidade de caráter).

Raquel era uma pastora “esbelta de forma e bela de aspecto”. Pastoreava o rebanho de seu pai, que era toda a riqueza da família.

Destacam-se, em Raquel, os seguintes aspectos: a) Apascentava o rebanho de seu pai; b) Mulher de rara beleza e de grande amenidade de caráter; c) Era animada de infatigável ternura. Por seu amor, Jacó aceita, sem se lastimar, as humilhações e os trabalhos que lhe são impostos. O semblante delicado de Raquel o consola e fortifica; d) Jacó vive de esperanças.

A Santíssima Virgem: a) Apascenta as ovelhas da grei de Nosso Senhor Jesus Cristo, conduzindo-as às paisagens celestes; b) É “bela e doce” (valde decora, dulcis Virgo Maria – toda bela e amável Virgem Maria); c) Deus a amou e reservou-a para si com incomparável solicitude. Aos três anos, oculta-a no interior do templo. Já nas primeiras graças da adolescência, e desde então embelezada de todos os encantos da natureza e da graça, envia-lhe um príncipe da corte celeste para pedir seu consentimento.

Seu filho será Deus… E este Deus suspende as leis da natureza para fazer com que nem a menor mancha desfigurasse sua virginal beleza; d) Deus lhe dirá “minha mãe”!

* * *

 

Portanto, neste primeiro grupo temos, resumidamente:

Em Sara: a fecundidade de Maria Santíssima.

Em Rebeca: a sua modéstia.

Em Raquel: a sua ternura e beleza.

Com isto já se entrevê um primeiro delineamento ou esboço de Nossa Senhora.

Continua amanhã

Leia parte I

Fonte: Catolicismo

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  1. Laucene de Queiroz Pereira
    5, dezembro, 2009 em 23:34 | #1

    È fascinante conhecermos a história dos nossos antepassados…fascinante entrar nesse mérito…toda a mulher tem que ter um pouquinho, nem que seja de tão sábias mulheres…a Deus concedei-nos tal sabedoria…

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