{"id":5359,"date":"2010-07-14T00:00:45","date_gmt":"2010-07-14T03:00:45","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/?p=5359"},"modified":"2020-06-09T11:49:07","modified_gmt":"2020-06-09T14:49:07","slug":"pilula-abortiva-ru-486-um-delito-solitario","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adf.org.br\/home\/pilula-abortiva-ru-486-um-delito-solitario\/","title":{"rendered":"P\u00edlula abortiva (RU 486): um delito solit\u00e1rio"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: right;\"><em>Pelo prof. Giuseppe Noia*<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\n <img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-5360\" title=\"pilulaaborto\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2010\/07\/pilulaaborto.jpg\" alt=\"pilulaaborto\" width=\"230\" height=\"173\" \/>Um dos teoremas mais  difundidos e radicados no mundo m\u00e9dico e na cultura popular \u00e9 de pensar  que o aborto volunt\u00e1rio possa ser menos traum\u00e1tico quando praticado nas  primeiras semanas de gravidez, submetendo assim a pr\u00e1tica do aborto ao  crit\u00e9rio da &#8220;proporcionalidade traum\u00e1tica&#8221;: quanto menor for o embri\u00e3o,  mais seguro e mais aceit\u00e1vel \u00e9 o aborto, com menores consequ\u00eancias para a  mulher.<\/p>\n<p> Assistimos, ao longo das \u00faltimas duas d\u00e9cadas, tamb\u00e9m no campo dos  exames pr\u00e9-natais, a uma corrida vertiginosa pelo diagn\u00f3stico  antecipado: bi\u00f3psia dos vilos corais (10-12 semanas) em substitui\u00e7\u00e3o \u00e0  amniocentese, a an\u00e1lise do l\u00edquido retronucal, a coleta tr\u00edplice;  express\u00f5es de uma postura de antecipa\u00e7\u00e3o que culmina na &#8220;s\u00edndrome do  feto perfeito&#8221;.<\/p>\n<p> Tal s\u00edndrome n\u00e3o est\u00e1 descrita nos manuais m\u00e9dicos, mas hoje \u00e9 j\u00e1  conhecida por todos: \u00e9 caracterizada pela necessidade compulsiva de  exames diagn\u00f3sticos cada vez mais precoces; \u00e9 o &#8220;teorema da  proporcionalidade traum\u00e1tica&#8221; aplicado, a id\u00e9ia de que o diagn\u00f3stico  precoce de uma anomalia possibilite uma decis\u00e3o mais precoce e, em caso  de m\u00e1-forma\u00e7\u00e3o, uma op\u00e7\u00e3o pelo aborto menos traum\u00e1tica do ponto de vista  f\u00edsico e ps\u00edquico.<\/p>\n<p> \u00c9 obvio que, do ponto de vista fisiol\u00f3gico, a interrup\u00e7\u00e3o precoce de uma  gravidez envolve riscos menores. Mas quando falamos de seres humanos, a  seguran\u00e7a n\u00e3o pode ser avaliada unicamente com base em crit\u00e9rios  fisiol\u00f3gicos ou biol\u00f3gicos: a sa\u00fade ps\u00edquica da mulher \u00e9 reconhecida por  todos como sendo de extrema import\u00e2ncia, e pela sua salvaguarda  invoca-se o direito \u00e0 interrup\u00e7\u00e3o de uma gravidez ap\u00f3s os 90 dias.<\/p>\n<p> Pergunto-me ent\u00e3o: como se pode ainda aceitar, em especial no \u00e2mbito da  pr\u00e1tica m\u00e9dica, o conceito de &#8220;proporcionalidade traum\u00e1tica&#8221; quando toda  a literatura cient\u00edfica evidencia os conflitos psicol\u00f3gicos  p\u00f3s-abortivos, quando a elabora\u00e7\u00e3o do luto (mesmo de abortos precoces e  espont\u00e2neos) \u00e9 causa de depress\u00e3o e ang\u00fastias profundas, de perda de  libido, de infertilidade e at\u00e9 perda da capacidade de engravidar  novamente, quando em nossos estudos as mulheres nos confidenciam que o  sentimento de perda de um filho n\u00e3o \u00e9 proporcional ao seu peso em gramas  ou seu tamanho em cent\u00edmetros?<\/p>\n<p> O grau de sofrimento experimentado pelas mulheres ap\u00f3s um aborto, com  efeito, nada mais \u00e9 que a demonstra\u00e7\u00e3o emp\u00edrica de uma evid\u00eancia  profunda que o mundo m\u00e9dico se recusar a enxergar, ou da qual n\u00e3o avalia  a real gravidade: que se pode interromper uma gravidez biol\u00f3gica, mas  n\u00e3o se pode eliminar a gravidez ps\u00edquica. Definitivamente, o v\u00ednculo com  o pr\u00f3prio filho n\u00e3o \u00e9 eliminado com a elimina\u00e7\u00e3o do embri\u00e3o.<\/p>\n<p> A p\u00edlula RU486 reduz a pr\u00e1tica abortiva a uma mera quest\u00e3o de  precocidade e seguran\u00e7a, promovendo uma concep\u00e7\u00e3o de aborto  &#8220;fa\u00e7a-voc\u00ea-mesma&#8221;; um aborto privado, por mais seguro que possa ser (na  verdade, em 13% dos casos faz-se necess\u00e1ria uma interven\u00e7\u00e3o cir\u00fargica  para evacua\u00e7\u00e3o do feto), soma solid\u00e3o a solid\u00e3o. Enquanto num aborto  cir\u00fargico a interrup\u00e7\u00e3o da gravidez \u00e9 delegada a um terceiro, no aborto  qu\u00edmico com a RU468 \u00e9 a m\u00e3e quem administra o veneno que matar\u00e1 seu  pr\u00f3prio filho.<\/p>\n<p> Os efeitos fisiol\u00f3gicos s\u00e3o semelhantes aos de um aborto cir\u00fargico  executado com anestesia: contra\u00e7\u00f5es, expuls\u00e3o do feto e dos restos  placent\u00e1rios, hemorragia; mas com a RU468, a mulher enfrenta isso tudo  sozinha, sem qualquer assist\u00eancia &#8211; e o m\u00e1ximo da responsabilidade  psicol\u00f3gica!<\/p>\n<p> Destaco estas profundas contradi\u00e7\u00f5es cient\u00edficas, \u00e9ticas e humanas num  momento em que se promove o uso extensivo do aborto farmacol\u00f3gico na  sociedade italiana, j\u00e1 duramente atingida por um mal-estar que  evidencia, a cada dia com mais frequ\u00eancia, doen\u00e7as da alma e da psique,  das quais, lamentavelmente, os protagonistas s\u00e3o muitas vezes m\u00e3e e  filho &#8211; d\u00edade preciosa que a cultura pseudo-cient\u00edfica parece querer  separar e dividir.<\/p>\n<p> <em>*Giuseppe Noia \u00e9 professor de ginecologia, obstetr\u00edcia e cirurgia fetal  invasiva na Universidade Cat\u00f3lica do Sagrado Cora\u00e7\u00e3o de Roma. \u00c9 autor de  diversos livros e artigos, entre os quais &#8220;Terapias fetais invasivas&#8221; e  &#8220;Terapias fetais&#8221;; \u00e9 tamb\u00e9m co-autor de &#8220;O filho terminal&#8221;.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><em>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.zenit.org\/article-25476?l=portuguese\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Zenit<\/a><br \/>\n<\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Pelo prof. 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