{"id":20726,"date":"2013-06-25T00:00:08","date_gmt":"2013-06-25T03:00:08","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/?p=20726"},"modified":"2013-06-25T00:00:08","modified_gmt":"2013-06-25T03:00:08","slug":"os-dons-do-espirito-santo-em-maria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adf.org.br\/home\/os-dons-do-espirito-santo-em-maria\/","title":{"rendered":"Os dons do Esp\u00edrito Santo em Maria"},"content":{"rendered":"<h3 style=\"text-align: right;\"><em style=\"font-size: 13px; font-weight: normal;\">Por Pe. Gabriel Roschini<\/em><\/h3>\n<div><a href=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/pentecostes-maria-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" class=\" wp-image-20738 aligncenter\" title=\"Pentecostes\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/pentecostes-maria-1.jpg\" alt=\"\" width=\"521\" height=\"307\" \/><\/a><\/div>\n<div style=\"text-align: center;\"><span style=\"font-size: medium; color: #ff0000;\"><strong>&#8220;Pentecostes&#8221; &#8211; Pintura de\u00a0Jean Restout (1692-1768)<\/strong><\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><strong style=\"color: #0000ff;\">1. QUE COISA S\u00c3O<\/strong><\/div>\n<div><\/div>\n<div>Os dons do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o h\u00e1bitos sobrenaturais que d\u00e3o \u00e0s faculdades da alma tal\u00a0<em>docilidade\u00a0<\/em>que estas obedecem prontamente \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es da gra\u00e7a.<\/div>\n<div><\/div>\n<div>A diferen\u00e7a essencial entre as virtudes e os dons deriva da diferente maneira de operarem aquelas e estes: na pr\u00e1tica da virtude, a gra\u00e7a nos deixa ativos, sob o influxo da prud\u00eancia; o uso dos dons, ao inv\u00e9s, quando j\u00e1 chegamos a seu pleno desenvolvimento, requer de nossa parte mais docilidade do que atividade.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nUma compara\u00e7\u00e3o: quem pratica a virtude navega\u00a0<em>a<\/em>\u00a0<em>remo;<\/em>\u00a0quem goza, ao inv\u00e9s, dos dons navega\u00a0<em>\u00e0 vela,<\/em>\u00a0com o que anda mais depressa e com menor esfor\u00e7o. Os dons aperfei\u00e7oam as virtudes teologais e morais.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\n<strong>Quais e quantos s\u00e3o esses dons? S\u00e3o sete (Is 11, 2-3): sabedoria, intelig\u00eancia, ci\u00eancia, conselho, piedade, fortaleza e temor de Deus.<\/strong><\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Deus d\u00e1, juntamente com a gra\u00e7a santificante, todos esses dons; d\u00e1-os, por\u00e9m, a cada um em determinada medida. S\u00f3 a Maria, por assim dizer, os deu sem medida. Passemo-los brevemente em revista.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\n<strong style=\"color: #0000ff;\"><span style=\"font-size: 1.17em;\">2. A PLENITUDE DOS DONS EM MARIA<\/span><\/strong><\/div>\n<div>\n<div><\/div>\n<div><span style=\"color: #800080;\"><strong><a href=\"http:\/\/www.adf.org.br\/virgem-de-fatima-pelo-brasil\/?origem=1\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><img loading=\"lazy\" class=\"aligncenter size-full wp-image-20741\" title=\"Estampa de Nossa Senhora de F\u00e1tima\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/1768-email-topo1.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"300\" \/><\/a>a)<\/strong><\/span> O dom de\u00a0<em>conselho<\/em>\u00a0aperfei\u00e7oa a virtude da\u00a0<em>prud\u00eancia,<\/em>\u00a0fazendo-nos julgar prontamente e com seguran\u00e7a, por uma esp\u00e9cie de intui\u00e7\u00e3o sobrenatural, sobre o que conv\u00e9m fazermos, especialmente nos casos dif\u00edceis. O\u00a0<em>objeto<\/em>\u00a0pr\u00f3prio do dom de conselho \u00e9 a boa dire\u00e7\u00e3o das a\u00e7\u00f5es particulares.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Admir\u00e1vel foi esse dom em Maria, que \u00e9 chamada pela Igreja a &#8220;M\u00e3e do Bom Conselho&#8221;.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Com efeito, a alma de Maria esteve sempre voltada para Deus, de quem recebia com suma facilidade todas as aspira\u00e7\u00f5es, motivo por que a Ela, mais de que a qualquer outro Santo, se podem aplicar as palavras: <em>&#8220;Tua prote\u00e7\u00e3o ser\u00e1 o bom conselho e a prud\u00eancia te salvar\u00e1&#8221;<\/em> (Prov 2, 11).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Essa prontid\u00e3o de Maria em voltar-se para Deus e em receber as divinas ilumina\u00e7\u00f5es em todas as circunst\u00e2ncias de sua vida manteve em sua alma uma paz perfeit\u00edssima.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Mas foi especialmente em duas circunst\u00e2ncias que Maria Sant\u00edssima deixou conhecer o modo eminente em que possu\u00eda esse dom precioso.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Isto aconteceu, primeiro, em sua apresenta\u00e7\u00e3o no Templo, quando, por inspira\u00e7\u00e3o divina, soube ser coisa agrad\u00e1vel a Deus que lhe fosse consagrada, desde a inf\u00e2ncia, pelo voto de perp\u00e9tua virgindade.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nEm segundo lugar, foi em sua Anuncia\u00e7\u00e3o, quando, ao ser saudada pelo Anjo como cheia de gra\u00e7a e ao ser pedido o seu consentimento para o cumprimento da Encarna\u00e7\u00e3o, se dirigiu ao N\u00fancio celeste para saber dele quais eram as disposi\u00e7\u00f5es divinas a seu respeito e, conhecidas estas, se ofereceu totalmente, como serva, ao Senhor (L\u00c9PICIER,\u00a0<em>Il pi\u00fa bel fiore del Paradiso,\u00a0<\/em>p.68-69).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><strong><span style=\"color: #800080;\">b)<\/span><\/strong> Passemos agora ao dom da\u00a0<em>piedade.<\/em>\u00a0Este dom aperfei\u00e7oa a virtude de\u00a0<em>religi\u00e3o,<\/em>\u00a0que \u00e9 anexa \u00e0\u00a0<em>justi\u00e7a<\/em>\u00a0e produz no cora\u00e7\u00e3o um afeto filial para com Deus e uma terna devo\u00e7\u00e3o \u00e0s Pessoas e \u00e0s coisas divinas, para fazer-nos cumprir com santa presteza os deveres religiosos.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Se nos fosse dado penetrar com o olhar no \u00edntimo de Maria, ficar\u00edamos maravilhados com os sentimentos de filial afeto para com Deus, nEla inspirados pelo dom de piedade. Que do\u00e7ura em seus col\u00f3quios com o Esposo de sua alma!<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Foi o dom de piedade que levou Maria menina a dedicar sua atividade ao servi\u00e7o do Templo, que Ela, com a mesma terna piedade, venerava por cima de todas as coisas materiais.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nFoi o dom de piedade que lhe inspirou uma venera\u00e7\u00e3o especial pela Sagrada Escritura, como pelas palavras pronunciadas por seu Filho Jesus, as quais &#8220;conservava todas em seu cora\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #800080;\"><strong>c)<\/strong><\/span> O terceiro dom do Esp\u00edrito Santo \u00e9 a\u00a0<em>fortaleza<\/em>. Este aperfei\u00e7oa a virtude da fortaleza, dando \u00e0 vontade um impulso e uma energia que a tornam capaz de operar e de sofrer alegremente e intrepidamente grandes coisas, superando todos os obst\u00e1culos.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Se considerarmos, de um lado, a grandeza da obra a realizar-se, a que Maria fora predestinada por Deus e, de outro lado, as dificuldades inumer\u00e1veis que lhe competia afrontar, n\u00e3o por parte da carne, pois era imaculada, mas por parte do dem\u00f4nio e do mundo, veremos que teria havido motivo muito justo para Ela perder a coragem, se houvesse sido deixada entregue a suas pr\u00f3prias for\u00e7as.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><br \/>\nComo poderia jamais uma criatura, santa sim, mas d\u00e9bil por natureza, achar tanta coragem para realizar uma obra t\u00e3o \u00e1rdua e para vencer os inimigos t\u00e3o feros? Na gra\u00e7a de Deus, por Jesus Cristo, responde S\u00e3o Paulo.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Sim, por meio da gra\u00e7a que lhe ser\u00e1 dada quase sem medida pelos m\u00e9ritos de Jesus Cristo, seu Filho, Maria vencer\u00e1 todas as dificuldades, todo perigo e cumprir\u00e1 a \u00e1rdua empresa de cooperar com Cristo, no resgate do g\u00eanero humano. Essa gra\u00e7a a tornar\u00e1 inarred\u00e1vel, qual escolho em meio de um mar tempestuoso e far\u00e1 com que Ela repouse em Deus como uma crian\u00e7a nos bra\u00e7os maternos&#8221; (L\u00c9PICIER, 1. c.).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><strong><span style=\"color: #800080;\">d)<\/span><\/strong> O dom do\u00a0<em>temor<\/em>\u00a0aperfei\u00e7oa ao mesmo tempo a virtude da\u00a0<em>esperan\u00e7a\u00a0<\/em>e a virtude da\u00a0<em>temperan\u00e7a:\u00a0<\/em>a virtude da esperan\u00e7a, fazendo-nos temer desagradar a Deus e sermos separados dEle; a virtude da temperan\u00e7a, apartando-nos dos falsos deleites que nos poderiam levar a perdermos Deus.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>\u00c9 um dom, portanto, que inclina a vontade ao respeito filial de Deus, nos afasta do pecado que lhe desagrada e nos faz esperarmos em seu aux\u00edlio poderoso.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>N\u00e3o se trata, pois, daquele medo de Deus que nos inquieta quando nos lembramos de nossos pecados, nos entristece e perturba. Nem se trata do temor do inferno, que basta para esbo\u00e7ar uma convers\u00e3o, por\u00e9m n\u00e3o basta para dar acabamento \u00e0 nossa santifica\u00e7\u00e3o. Trata-se do temor reverencial e filial, que nos faz recear toda ofensa a Deus.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Grande foi, na realidade, o temor de Maria, por\u00e9m n\u00e3o foi nada servil. Com efeito, cheia como era da gra\u00e7a divina e t\u00e3o pura, t\u00e3o santa, que castigo poderia jamais temer?<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nNem ao menos houve propriamente nEla aquele temor chamado casto, o qual considera a possibilidade e o perigo de perder Deus com o pecado, pois sabia que, por uma assist\u00eancia especial do Esp\u00edrito Santo, n\u00e3o podia perder a gra\u00e7a; pelo que o temor de Maria, \u00e0 semelhan\u00e7a do temor de que esteve oprimida a pr\u00f3pria alma de Cristo, era um temor reverencial, produzido por um sentimento viv\u00edssimo da majestade infinita de Deus e de seu infinito poder.<\/div>\n<div><img loading=\"lazy\" class=\"wp-image-20742 alignleft\" title=\"Estampa de F\u00e1tima\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2013\/06\/Estampa1.jpg\" alt=\"\" width=\"242\" height=\"377\" \/><\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><span style=\"color: #800080;\"><strong>e)<\/strong><\/span> Resta-nos considerar agora os\u00a0<em>tr\u00eas dons intelectuais:\u00a0<\/em>de ci\u00eancia, de intelig\u00eancia e de sabedoria. O dom de\u00a0<em>ci\u00eancia<\/em>\u00a0nos faz julgar retamente das coisas criadas em suas rela\u00e7\u00f5es com Deus; o dom de\u00a0<em>intelig\u00eancia\u00a0<\/em>nos descobre a \u00edntima harmonia das verdades reveladas; o dom de\u00a0<em>sabedoria<\/em>\u00a0nos faz julgarmos, apreciarmos e gostarmos das coisas divinas (reveladas).<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nTodos os tr\u00eas t\u00eam de comum que nos d\u00e3o um conhecimento\u00a0<em>experimental<\/em>\u00a0ou quase experimental, porque nos fazem conhecer as coisas divinas n\u00e3o por via de racioc\u00ednio ou reflex\u00e3o, mas por meio de uma luz superior que no-las faz atingir como se delas tiv\u00e9ssemos a experi\u00eancia.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>A ci\u00eancia de que se fala n\u00e3o \u00e9 a ci\u00eancia\u00a0<em>filos\u00f3fica<\/em>\u00a0ou\u00a0<em>teol\u00f3gica,<\/em>\u00a0mas \u00e9 chamada\u00a0<em>ci\u00eancia dos Santos,<\/em>\u00a0que nos faz julgar santamente das coisas criadas em suas rela\u00e7\u00f5es com Deus.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Pode, pois, definir-se o dom de ci\u00eancia como um dom que, sob a a\u00e7\u00e3o iluminadora do Esp\u00edrito Santo, aperfei\u00e7oa a virtude da f\u00e9, fazendo-nos conhecer as coisas criadas em suas rela\u00e7\u00f5es para com Deus.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">..<\/span><\/div>\n<div>O objeto do dom de ci\u00eancia s\u00e3o, portanto, as\u00a0<em>coisas criadas<\/em>\u00a0enquanto nos\u00a0<em>conduzem<\/em>\u00a0a Deus, do qual todas prov\u00eam e pelo qual todas s\u00e3o conservadas. Elas s\u00e3o como degraus para se subir at\u00e9 Deus.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>\u00c0 M\u00e3e de seu Filho, Deus n\u00e3o s\u00f3 concedeu uma vast\u00edssima ci\u00eancia das coisas sobrenaturais e naturais, mas infundiu tamb\u00e9m aquele instinto divino, com o qual Ela poderia apreciar com seguran\u00e7a o valor das coisas divinas e como todo saber humano converge para a fonte de toda verdade, que \u00e9 Deus.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\n&#8220;\u00c0 efic\u00e1cia desse esp\u00edrito de ci\u00eancia se devem especialmente aquelas profundas palavras que Maria pronunciou, quando foi saudada por Santa Isabel como a M\u00e3e do Verbo. Al\u00e9m disso, se vemos que na vida, tanto privada quanto p\u00fablica, de Cristo, Maria sabia discernir com certeza o verdadeiro do falso, desprezando os bens falazes do mundo e estimando em seu justo valor os trabalhos aos quais se tinha voluntariamente sujeitado pela nossa reden\u00e7\u00e3o, tudo isso aconteceu exatamente como efeito do dom de ci\u00eancia, pelo que poderia dizer com S\u00e3o Paulo: &#8220;As coisas que eram ganho para mim estimei-as como perda, por causa de Cristo&#8221; (L\u00c9PICIER, 1. c.).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><strong><span style=\"color: #800080;\">f)<\/span><\/strong> Afim ao dom da ci\u00eancia \u00e9 o dom de\u00a0<em>intelig\u00eancia.<\/em>\u00a0O dom de intelig\u00eancia distingue-se do de\u00a0<em>ci\u00eancia,\u00a0<\/em>porque\u00a0seu objeto \u00e9 muito mais vasto: n\u00e3o se restringe s\u00f3 \u00e0s coisas criadas, mas se estende a\u00a0<em>todas as verdades reveladas;\u00a0<\/em>al\u00e9m disso, seu olhar \u00e9 mais profundo, fazendo-nos penetrar (<em>intus l\u00e9gere &#8211;\u00a0<\/em>ler dentro) no significado interior das verdades reveladas.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nN\u00e3o nos faz, \u00e9 certo, compreender os mist\u00e9rios da f\u00e9, mas nos faz compreender que, n\u00e3o obstante sua obscuridade, s\u00e3o cr\u00edveis, que se harmonizam bem entre si e com o que h\u00e1 de mais nobre na raz\u00e3o humana, com o que se confirmam os motivos de credibilidade.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Como o Esp\u00edrito se comprazia em escolher Maria para sua esposa, assim quis tamb\u00e9m adorn\u00e1-la com o precioso dom de intelig\u00eancia, para que, al\u00e9m da luz da f\u00e9 que a iluminou acerca dos mist\u00e9rios, Ela recebesse outros raios de viva luz, destinados a dar-lhe a intelig\u00eancia dos mist\u00e9rios divinos e especialmente daquele glorioso mist\u00e9rio que nEla devia realizar-se.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Ora, foi justamente na Encarna\u00e7\u00e3o do Verbo que essa resplandeceu viv\u00edssima a seus olhos, de tal modo que, indo visitar sua prima Isabel, pode, \u00e0 sauda\u00e7\u00e3o dessa, responder em termos t\u00e3o elevados e t\u00e3o acertados que nos deixam entender como havia compreendido a grandeza do des\u00edgnio divino e a utilidade da Encarna\u00e7\u00e3o.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Quando, no dia da purifica\u00e7\u00e3o, o santo velho Sime\u00e3o, tomando nos bra\u00e7os a divina crian\u00e7a, profetizou que ela se iria tornar um sinal de contradi\u00e7\u00e3o e, voltando-se para Maria, lhe revelou que uma espada de dor lhe havia de atravessar o cora\u00e7\u00e3o bendito, oh! Maria entendeu tanto quanto uma pura criatura o podia entender nesta vida todo o plano da Reden\u00e7\u00e3o e percebeu como era necess\u00e1rio que tamb\u00e9m Ela, em uni\u00e3o com seu Jesus, sofresse para o resgate do g\u00eanero humano.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nPor isso, p\u00f4de dizer com muita verdade que n\u00e3o teve nunca outros sentimentos sen\u00e3o os sentimentos de Jesus Cristo mesmo: N\u00f3s temos o senso de Cristo&#8221; (L\u00c9PICIER, 1. c.).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div><strong><span style=\"color: #800080;\">g)<\/span><\/strong> E agora eis o mais perfeito dos tr\u00eas dons intelectuais do Esp\u00edrito Santo, o dom de\u00a0<em>sabedoria<\/em>. \u00c9 um dom que aperfei\u00e7oa a virtude da caridade e reside, ao mesmo tempo, no intelecto e na\u00a0<em>vontade,<\/em>\u00a0pois infunde na alma\u00a0<em>luz e calor, verdade e amor.<\/em>\u00a0Este dom compendia todos os outros dons, como a caridade compendia em si todas as outras virtudes.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>O dom de sabedoria pode, pois, definir-se um dom que, aperfei\u00e7oando a virtude da caridade, nos faz discernir e julgar relativamente Deus e as coisas divinas segundo seus mais altos princ\u00edpios, e nos d\u00e3o disso o sabor.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Como Maria recebeu, mais que qualquer outra criatura, uma larga participa\u00e7\u00e3o na virtude da caridade divina, assim tamb\u00e9m possuiu, com inigual\u00e1vel perfei\u00e7\u00e3o, o dom de sabedoria, pelo qual sabia discernir quase por instinto divino as coisas divinas das coisas do mundo, com aquela delicadeza de afeto pr\u00f3pria de todo aquele ama, em todas as suas a\u00e7\u00f5es.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\nEssa celeste sabedoria encheu, em seguida, sua alma de uma do\u00e7ura imensa e infundiu, por fim, em suas obras exteriores um perfume do para\u00edso, pois est\u00e1 escrito que &#8220;nada de amargo existe no trato da sabedoria e conviver com ela n\u00e3o causa t\u00e9dio, mas consola\u00e7\u00e3o e g\u00e1udio&#8221;.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Quando lemos que &#8220;a Sabedoria edificou para si uma casa e levantou sete colunas&#8221;, podemos entender como a espiritual e celeste sabedoria de Maria houvesse sido assinalada por sete caracteres que s\u00e3o, por assim dizer, outros tantos sustent\u00e1culos seus.<br \/>\n<span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><br \/>\n&#8220;A sabedoria do alto \u00e9, primeiramente, pura, depois pac\u00edfica, modesta, d\u00f3cil, procedendo ao modo dos bons, \u00e9 cheia de miseric\u00f3rdia e de bons frutos; sem o h\u00e1bito de criticar e alheia \u00e0 hipocrisia&#8221;.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8220;Pense-se em quanto deviam ser s\u00f3lidas as bases dessas sete colunas em Maria e com que majestade se levantava sobre elas sua sabedoria&#8221; (L\u00c9PICIER, 1. c.).<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<h3><strong><span style=\"color: #0000ff;\">3. CULTIVEMOS OS DONS DO ESP\u00cdRITO SANTO!<\/span><\/strong><\/h3>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Tamb\u00e9m a n\u00f3s, como a Maria, conforme o dissemos, embora em uma medida incomparavelmente inferior, no Batismo, junto com a gra\u00e7a santificante, Deus bendito prodigalizou os dons do Esp\u00edrito Santo. pois bem, \u00e0 imita\u00e7\u00e3o de Maria, cultivemo-los tamb\u00e9m n\u00f3s incansavelmente em nossa alma! Cultivemo-los, antes de tudo,\u00a0<em>pela pr\u00e1tica das virtudes morais,\u00a0<\/em>pr\u00e1tica que constitui a primeira condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria para a cultura dos dons. Cultivemo-los, em segundo lugar, combatendo estrenuamente o\u00a0<em>esp\u00edrito do mundo,<\/em>\u00a0que \u00e9 diametralmente oposto ao esp\u00edrito de Deus, lendo, meditando as m\u00e1ximas evang\u00e9licas e conformando \u00e0s mesmas nosso pr\u00f3prio procedimento.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>Cultivemo-los, finalmente, pelo\u00a0<em>recolhimento interior,<\/em>\u00a0isto \u00e9, pelo h\u00e1bito de pensar frequentemente em Deus, que vive n\u00e3o somente vizinho a n\u00f3s, mas em n\u00f3s e, assim recolhidos, nos ser\u00e1 mais f\u00e1cil escutarmos a voz do Esp\u00edrito Santo e segui-la.<\/div>\n<div><span style=\"color: #ffffff;\">.<\/span><\/div>\n<div>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;<\/div>\n<div><em>ROSCHINI, G.\u00a0<strong>Instru\u00e7\u00f5es Marianas.<\/strong>\u00a0Tradu\u00e7\u00e3o de Jos\u00e9 Vicente. S\u00e3o Paulo: Edi\u00e7\u00f5es Paulinas, 1960,\u00a0p.176-181.<\/em><\/div>\n<div><em>Fonte: Mulher Cat\u00f3lica.org<\/em><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Pe. Gabriel Roschini &#8220;Pentecostes&#8221; &#8211; Pintura de\u00a0Jean Restout (1692-1768) . 1. QUE COISA S\u00c3O Os dons do Esp\u00edrito Santo s\u00e3o h\u00e1bitos sobrenaturais que d\u00e3o \u00e0s faculdades da alma tal\u00a0docilidade\u00a0que estas obedecem prontamente \u00e0s inspira\u00e7\u00f5es da gra\u00e7a. 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