{"id":1339,"date":"2009-12-27T00:05:22","date_gmt":"2009-12-27T02:05:22","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/?p=1339"},"modified":"2009-12-27T00:05:22","modified_gmt":"2009-12-27T02:05:22","slug":"no-crepusculo-do-sol-de-justica-parte-i-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adf.org.br\/home\/no-crepusculo-do-sol-de-justica-parte-i-2\/","title":{"rendered":"NO \u201cCREP\u00daSCULO\u201d DO SOL DE JUSTI\u00c7A &#8211; parte I"},"content":{"rendered":"<p><strong><em>Por Plinio Corr\u00eaa de Oliveira<\/em><\/strong><\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"10\" width=\"1\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1340\" title=\"dez09_capa_00\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/dez09_capa_00.jpg\" alt=\"dez09_capa_00\" width=\"176\" height=\"180\" \/><\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!-- 36ECE014-3048-313C-2E72D9777E6E6952(2) --><span>O<\/span> agravamento de um fen\u00f4meno que, de si, n\u00e3o deveria existir, poderia poupar pelo menos a festa do Nascimento do Salvador.<\/p>\n<p>Refiro-me \u00e0 laiciza\u00e7\u00e3o generalizada das mentalidades, da cultura, da arte, das rela\u00e7\u00f5es \u2014 em uma palavra, da vida. <span>Nesta mat\u00e9ria, laiciza\u00e7\u00e3o significa propriamente paganiza\u00e7\u00e3o. <\/span><\/p>\n<p><span>Pois, \u00e0 medida que se vai empurrando para a penumbra o Homem-Deus, o lugar deixado vazio por Ele vai sendo preenchido por \u201cvalores\u201d muito concretos e palp\u00e1veis, mas que por vezes s\u00e3o glorificados como se fossem faustosas abstra\u00e7\u00f5es: a Economia, a Sa\u00fade, o Sexo, a M\u00e1quina, e tantos outros (as mai\u00fasculas anacr\u00f4nicas servem para que melhor se sinta o que afirmo). \u201cValores\u201d materiais, \u00e9 \u00f3bvio. E enfatizados por uma orquestra\u00e7\u00e3o propagand\u00edstica saturada de marxismo, de freudismo, etc.<\/span><\/p>\n<p>Ao contr\u00e1rio do que acontecia no mundo cl\u00e1ssico, esses \u201cvalores\u201d n\u00e3o s\u00e3o personificados em deuses, bem entendido, nem concretizados em est\u00e1tuas. <span>O que n\u00e3o impede que sejam eles os verdadeiros \u00eddolos pag\u00e3os de nosso infeliz mundo laicizado.<\/span><\/p>\n<p>A influ\u00eancia do neopaganismo laico vem infiltrando cada vez mais o Natal moderno. <span>Infiltra\u00e7\u00e3o gradual, mas perfeitamente \u00f3bvia. De que maneira? N\u00e3o de uma s\u00f3 maneira, mas simultaneamente de todas as maneiras conceb\u00edveis.<\/span><\/p>\n<p><span>*\u00a0\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0\u00a0 *<\/span><\/p>\n<p><span>A come\u00e7ar no Advento. Esse per\u00edodo, que no ano lit\u00fargico compreende as quatro semanas antecedentes ao Natal, constitu\u00eda para a Cristandade uma parte do ano especialmente voltada para o recolhimento, para uma discreta compun\u00e7\u00e3o e para a esperan\u00e7a palpitante do grande j\u00fabilo que o nascimento do Messias trar\u00e1. Todos se preparavam assim para acolher o Menino-Deus que, no virginal sacr\u00e1rio materno, se acercava, dia a dia mais, do momento bendito em que iniciaria sua conviv\u00eancia salv\u00edfica com os homens.<\/span><\/p>\n<p>Nessa atmosfera densa e vividamente religiosa, a t\u00f4nica se ia gradualmente deslocando. <span>\u00c0 medida que se aproximava a noite entre todas sagrada, a compun\u00e7\u00e3o ia cedendo lugar \u00e0 alegria. At\u00e9 o momento em que, nas pompas festivas da Missa do Galo, as fam\u00edlias, os povos, as na\u00e7\u00f5es se sentiam ungidos pelo j\u00fabilo sacral descido do mais alto dos c\u00e9us; e em cada cidade, em cada lar, no interior de cada alma se difundia, como um b\u00e1lsamo de celeste odor, a impress\u00e3o de que o Pr\u00edncipe da Paz, o Deus Forte, o Le\u00e3o de Jud\u00e1, o Emanuel, mais uma vez acabava de nascer. <strong><em>Stille Nacht, Heilige Nacht<\/em>.<\/strong>.. a can\u00e7\u00e3o c\u00e9lebre que se transp\u00f4s para nosso vern\u00e1culo, de modo menos expressivo, como <strong><em>Noite Feliz.<\/em><\/strong><\/span><\/p>\n<p>De toda essa prepara\u00e7\u00e3o, o que restou? <span>Do Advento, quem hoje cogita sen\u00e3o uma minoria \u00ednfima? E dentro dessa minoria \u00ednfima, quantos o fazem sob a influ\u00eancia da verdadeira teologia cat\u00f3lica e tradicional, e n\u00e3o das teologias amb\u00edguas e desvairadas que sacodem hoje em dia o mundo crist\u00e3o, como se fossem convuls\u00f5es de febre?<\/span><\/p>\n<p>*\u00a0\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"10\" width=\"1\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!-- 36ED3E14-3048-313C-2EEBA0ADFA2ABF4B(2) --><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1343\" title=\"nataleuropeu\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/nataleuropeu1.jpg\" alt=\"nataleuropeu\" width=\"161\" height=\"230\" \/>Mas deixemos de lado essa minoria, e pensemos nas multid\u00f5es que se agitam nas grandes cidades. <span>Por elas, o Advento pura e simplesmente n\u00e3o \u00e9 lembrado. A correria de todos os dias continua, agravada pela perspectiva das despesas a enfrentar, dos presentes a enviar, das visitas a fazer e das festas ou festinhas a organizar. <\/span><\/p>\n<p><span>Em suma, todo o mundo se vai aproximando do Natal, n\u00e3o como de uma data para a qual se caminha com esperan\u00e7a, mas como de um dia afanoso, dispendioso e, sob alguns aspectos, at\u00e9 complicado, que se ter\u00e1 alegria em \u201cdeixar para tr\u00e1s\u201d.<\/span><\/p>\n<p>\u00c9 bem verdade que nas cidades, e talvez mais especialmente nas grandes, a aproxima\u00e7\u00e3o do Natal \u00e9 salientada pela multiplica\u00e7\u00e3o das l\u00e2mpadas coloridas na vegeta\u00e7\u00e3o dos jardins dos bairros residenciais, pelos longos fios de luzes nas avenidas de maior tr\u00e2nsito e pela ornamenta\u00e7\u00e3o carregada das vitrinas comerciais.<\/p>\n<p><span>Contudo, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil sentir que a alegria peculiar que isso tudo tende a \u201caquecer\u201d \u2014 alegria toda induzida, note-se \u2014 prov\u00e9m do desejo de comprar, de gozar, de festejar. Dessas lumin\u00e1rias el\u00e9tricas, nada ou quase nada lembra o Messias que est\u00e1 para chegar. <\/span><\/p>\n<p><span>E tudo lembra, isto sim, a economia ansiosa de ser superativada: o com\u00e9rcio que palpita por ampliar a sa\u00edda de seus estoques e a ind\u00fastria que multiplica seus produtos (e seus lucros), para preencher os vazios abertos nas prateleiras das lojas em virtude do aumento do consumo. Em suma, \u00e9 o \u00eddolo-Economia que se vai tornando o grande centro das expectativas, dos anelos e dos festejos natalinos deste fim de s\u00e9culo. Mamon. O Est\u00f4mago. A Mat\u00e9ria \u2014 Jesus, n\u00e3o!&#8230;<\/span><\/p>\n<p>*\u00a0\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<p><span>Chega por fim o Natal. Re\u00fane ele ainda os lares em torno de um pres\u00e9pio? Por vezes, sim. Por\u00e9m, em numerosos casos, os re\u00fane n\u00e3o em torno da manjedoura onde o Menino-Deus abre os bra\u00e7os para Maria Sant\u00edssima profundamente enternecida, sob as vistas meditativas e recolhidamente jubilosas de S\u00e3o Jos\u00e9; mas sim em torno de uma mesa em que as guloseimas, a champanha dos que podem e as modestas bebidas dos que n\u00e3o podem, ocupam as aten\u00e7\u00f5es outrora voltadas fundamentalmente para o Nascimento do Redentor. <\/span><\/p>\n<p><span>Em quantos lares a redu\u00e7\u00e3o e a transpar\u00eancia cada vez mais acentuada dos trajes espalham uma atmosfera de sensualidade, desvirtuando profundamente o significado dessa noite de inexced\u00edvel pureza.<\/span><\/p>\n<p>H\u00e1 os festejos sob cuja influ\u00eancia a caridade se encolhe e se estende sempre menos, nos lares dos que nada t\u00eam. <span>Nestes, as larguezas difundidas outrora pela justi\u00e7a e pela caridade crist\u00e3s s\u00e3o substitu\u00eddas pelo silvo da subvers\u00e3o \u201ccat\u00f3lica\u201d que, sob o pretexto do Natal, se faz ouvir pela voz do (ou da) agente de uma comunidade de base qualquer. Ou de coisa quejanda.<\/span><\/p>\n<p>Na realidade, por\u00e9m, o neo-Natal laico tem ainda outro aspecto. <span>O tuf\u00e3o do turismo arranca incont\u00e1veis fam\u00edlias do lar \u2014 o qual deve ser, com a igreja e a matriz, o quadro espec\u00edfico da noite de Natal \u2014 e as dispersa atrav\u00e9s dos hot\u00e9is, da praia ou do campo, em meio a um bul\u00edcio mundano no qual n\u00e3o conseguem penetrar as vozes ang\u00e9licas que cantam o <em>Gloria in excelsis Deo.<\/em><\/span><\/p>\n<p>*\u00a0\u00a0\u00a0 *\u00a0\u00a0\u00a0 *<\/p>\n<table border=\"0\" cellspacing=\"0\" cellpadding=\"10\" width=\"1\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>\u00a0<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><!-- 36EDF3F8-3048-313C-2E8C5843A2ED982A(2) --><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1344\" title=\"festadaapresentacao\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2009\/12\/festadaapresentacao1.jpg\" alt=\"festadaapresentacao\" width=\"230\" height=\"237\" \/>Mas a laiciza\u00e7\u00e3o n\u00e3o p\u00e1ra a\u00ed. <span>Ela persegue o Natal at\u00e9 nos ecos augustos com que ele se prolonga nas festas que o seguem. Ano Bom, Reis&#8230;<\/span><\/p>\n<p>A festa de Ano Bom \u00e9, em termos religiosos, a festa da Circuncis\u00e3o. <span>Lembra Nosso Senhor Jesus Cristo, o qual, movido pelo amor ao g\u00eanero humano, derrama j\u00e1 em sua primeira inf\u00e2ncia gotas de seu sangue infinitamente precioso, em favor dos homens. E assim faz j\u00e1 pensar no Sacrif\u00edcio augusto que os redimir\u00e1 do pecado, os arrancar\u00e1 da morte eterna e lhes abrir\u00e1 o caminho do C\u00e9u.<\/span><\/p>\n<p>A esta festa religiosa do Deus-Menino se sobrep\u00f5e a comemora\u00e7\u00e3o salobre de uma laic\u00edssima confraterniza\u00e7\u00e3o universal dos povos. <span>Confraterniza\u00e7\u00e3o irremediavelmente vazia, como tudo quanto \u00e9 laico, e da qual parecem gargalhar cinicamente as muralhas que retalham os povos, o terrorismo que os apavora, o risco da destrui\u00e7\u00e3o at\u00f4mica que pesa sobre eles como uma nuvem pl\u00fambea, e a sarabanda cada vez mais carregada de antagonismos e \u00f3dios, das id\u00e9ias e dos interesses incompat\u00edveis e inconcili\u00e1veis.<\/span><\/p>\n<p>Em uma palavra, quando o sol se p\u00f5e, os animais malfazejos saem de suas tocas e passeiam pela selva. <span>O laicismo apresenta Jesus Cristo aos olhos do mundo como um sol em fim de ocaso. Que espanto h\u00e1 em que prolifere e se difunda tudo quanto \u00e9 daninho nos antros dos cora\u00e7\u00f5es descristianizados, das cidades enlouquecidas e das solid\u00f5es em que o v\u00edcio e o crime se escondem, para \u00e0 vontade multiplicarem o requinte pelo requinte?<\/span><\/p>\n<p>Mas \u2014 dir\u00e1 algu\u00e9m \u2014 por que lembrar tudo isso nesta quadra de alegria? <span>Por que esse choramingo, no momento em que os homens est\u00e3o \u00e1vidos de rir e de festejar?<\/span><\/p>\n<p><span>Para protestar. E se esse protesto soa como choramingo a algum ouvido amortecido pela cacofonia moderna, o defeito n\u00e3o \u00e9 do protesto. O defeito \u00e9 de quem n\u00e3o sabe sentir nele sen\u00e3o o que ele n\u00e3o \u00e9: um choramingo.<\/span><\/p>\n<p>Pois o choramingo \u00e9 pusil\u00e2nime, soa a derrota e capitula\u00e7\u00e3o, enquanto o protesto \u2014 inspirado pelo amor a Cristo, Rei vencedor, e a Maria <em>\u201cTerribilis ut castrorum acies ordinata\u201d <\/em>(Terr\u00edvel como um ex\u00e9rcito em ordem de batalha \u2014 Cant. <span>VI, 3 e 9) <\/span><span>\u2014 se ergue com desassombro em meio \u00e0 incompreens\u00e3o. Esse protesto \u00e9 um brado de repara\u00e7\u00e3o, uma proclama\u00e7\u00e3o de inconformidade. E, mais do que isto, um pren\u00fancio de vit\u00f3ria.<\/span><\/p>\n<p><span><strong>Fonte: <a href=\"http:\/\/www.catolicismo.com.br\/materia\/materia.cfm\/idmat\/36B849C7-3048-313C-2EA69A22081B0C0B\/mes\/Dezembro2009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Catolicismo<\/a><\/strong><a href=\"http:\/\/www.catolicismo.com.br\/materia\/materia.cfm\/idmat\/36B849C7-3048-313C-2EA69A22081B0C0B\/mes\/Dezembro2009\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> <\/a><\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Plinio Corr\u00eaa de Oliveira O agravamento de um fen\u00f4meno que, de si, n\u00e3o deveria existir, poderia poupar pelo menos a festa do Nascimento do Salvador. Refiro-me \u00e0 laiciza\u00e7\u00e3o generalizada das mentalidades, da cultura, da arte, das rela\u00e7\u00f5es \u2014 em uma palavra, da vida. Nesta mat\u00e9ria, laiciza\u00e7\u00e3o significa propriamente paganiza\u00e7\u00e3o. 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