{"id":1065,"date":"2009-12-16T00:05:35","date_gmt":"2009-12-16T02:05:35","guid":{"rendered":"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/?p=1065"},"modified":"2009-12-16T00:05:35","modified_gmt":"2009-12-16T02:05:35","slug":"um-conto-de-natal-alma-aflita-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.adf.org.br\/home\/um-conto-de-natal-alma-aflita-parte-i\/","title":{"rendered":"Um Conto de Natal: Alma aflita &#8211; Parte I"},"content":{"rendered":"<p>Em seu corpo dolorido, tamb\u00e9m a alma estava triste e ferida.<\/p>\n<p>Mais que o frio da noite, mais que as dores nos membros, de tanto errar pela cidade, <span style=\"COLOR: #990000\">ela sofria de um mal latente e profundo<\/span>.<\/p>\n<p>Naquela vig\u00edlia de Natal, a alma atormentada vagueava pelas ruas procurando ignorar a causa de seu sofrimento.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">H\u00e1 muito tempo ela havia se acomodado na indiferen\u00e7a<\/span>. A \u00faltima vez que se havia ajoelhado num confession\u00e1rio para receber o perd\u00e3o de suas faltas, quando foi?<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">N\u00e3o se creia que se trate de um grande criminoso, n\u00e3o. Era uma pessoa comum<\/span>, que levava sua vidinha. Apenas se esquecera da Lei de Deus, que substitu\u00edra por seu bel prazer, pelo ego\u00edsmo e por toda esp\u00e9cie de baixezas que passavam por sua alma, como o ru\u00eddo de folhas mortas levadas pelo turbilh\u00e3o de um sopro maligno.<\/p>\n<p>Era um homem? Uma mulher?<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" class=\"alignleft size-full wp-image-1066\" title=\"arvoredenatal\" src=\"http:\/\/www.adf.org.br\/home\/wp-content\/uploads\/2009\/11\/arvoredenatal1.jpg\" alt=\"arvoredenatal\" width=\"227\" height=\"300\" \/>Pouco importa. <span style=\"COLOR: #990000\">Era uma alma mergulhada na tristeza<\/span>, fruto inevit\u00e1vel e amargo da m\u00e1 consci\u00eancia ao ver, sem mesmo querer confessar a si mesma, <span style=\"COLOR: #990000\">tudo o que perdeu ao rejeitar a amizade de Deus<\/span>.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">H\u00e1 tantas almas dessas pelo mundo neopag\u00e3o de hoje, endurecidas pelo h\u00e1bito do ceticismo<\/span>!<\/p>\n<p>O dia inteiro ela se havia agitado para concluir os \u00faltimos preparativos de Natal. Pois, apesar do abandono de sua vida espiritual, essa alma se lembrava ainda da alegria e da inoc\u00eancia de seus primeiros natais.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">Tinha sede de uma felicidade que parecia escapar-lhe cada vez mais<\/span>, e, na medida do poss\u00edvel, tentava recriar em torno de si o ambiente dos natais de sua inf\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Era bastante dotada para isso, e conseguia, apesar de tudo, reunir ainda alguns amigos e familiares em torno de um pinheiro bem decorado, de um pequeno pres\u00e9pio e de uma ceia para uma festa que n\u00e3o fosse muito melanc\u00f3lica.<\/p>\n<p>Os anos haviam corrido, mas <span style=\"COLOR: #990000\">a alma imortal conservava a marca da inf\u00e2ncia inocente que ela havia tido<\/span>.<\/p>\n<p>Ali\u00e1s, se o leitor prestar aten\u00e7\u00e3o nos adultos, ver\u00e1 que nas almas deles a crian\u00e7a nunca est\u00e1 muito longe, mesmo quando os pecados as tenham obscurecido. Essa crian\u00e7a acabar\u00e1 por despertar um dia?<\/p>\n<p>* * *<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.devotosdefatima.org.br\/milagredosol\" onblur=\"try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}\"><\/a><span style=\"COLOR: #990000\">A \u00e1rvore brilhava havia v\u00e1rios dias com todas as suas bolinhas coloridas<\/span>, e o pres\u00e9pio acima da lareira s\u00f3 aguardava a noite santa em que receberia o Menino Jesus.<\/p>\n<p>Toda noite a alma se rejubilava ao fazer avan\u00e7ar seu carneirinho de barro. Come\u00e7ou tamb\u00e9m a fazer a ora\u00e7\u00e3o que sua m\u00e3e lhe havia ensinado a rezar diante do pres\u00e9pio.<\/p>\n<p>O carneirinho partira do alto da colina de papel, e a alma se perguntava se ele chegaria a tempo junto \u00e0 manjedoura, para a noite de Natal.<\/p>\n<p>Seu carneiro lhe recordava que tamb\u00e9m ela devia apresentar-se junto \u00e0 gruta, toda de branco, para dirigir uma fervorosa prece ao Divino Infante por meio de Nossa Senhora.<\/p>\n<p>Era o melhor presente que ela poderia oferecer ao Menino Jesus, que veio para nos salvar.<\/p>\n<p>\u2014 <span style=\"FONT-STYLE: italic\">Salvar-me de qu\u00ea?<\/span> \u2013\u2013 perguntou-se ela.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">Salv\u00e1-la do pecado, abrir-lhe as portas do C\u00e9u, torn\u00e1-la filha de Deus, resgat\u00e1-la das garras do dem\u00f4nio, morrendo por ela na Cruz<\/span>.<\/p>\n<p>No catecismo, a alma havia compreendido muito bem que, por causa do pecado cometido por nossos primeiros pais que desobedeceram a Deus, a humanidade inteira, que deles procedeu, se tornara pecadora, inclinada ao mal, privada da vida divina, da vida da gra\u00e7a.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">Foi para nos dar essa vida, livrar-nos da escravid\u00e3o do pecado, que Jesus veio ao mundo e morreu na Cruz<\/span>.<\/p>\n<p>Deitado na manjedoura, entre o boi e o asno, <span style=\"COLOR: #990000\">o Menino Jesus abre seus bracinhos para nos acolher<\/span>&#8230; mas Ele j\u00e1 os estende em forma de cruz!<\/p>\n<p>Quando fizera sua primeira comunh\u00e3o, o Natal tornara-se ainda mais belo. Como era luminosa a missa de meia-noite na igreja paroquial! Os c\u00edrios brilhavam sobre o altar, os c\u00e2nticos natalinos subiam ao c\u00e9u com as nuvens de incenso&#8230;<\/p>\n<p>Na hora da comunh\u00e3o, a alma recebia Jesus, seu Salvador. <span style=\"COLOR: #990000\">Ela O adorava como os pastores haviam feito na gruta de Bel\u00e9m, oferecendo-se a Ele e sendo inundada de felicidade por seu amor misericordioso<\/span>.<\/p>\n<p>Ela tinha se preparado cuidadosamente para esse encontro maravilhoso. V\u00e1rios dias antes, tinha ido confessar suas faltas humildemente, com verdadeira contri\u00e7\u00e3o, a um velho sacerdote que sempre a encorajava com bondade a perseverar no caminho do bem.<\/p>\n<p>\u2014 Reze tamb\u00e9m por mim. Dia vir\u00e1 em que n\u00e3o me encontrar\u00e1s mais aqui para te aconselhar.<\/p>\n<p><span style=\"COLOR: #990000\">A alma sa\u00eda do confession\u00e1rio na maior leveza, cheia da tranq\u00fcila felicidade de se ver na amizade de Deus<\/span>.<\/p>\n<p>E todas as noites recitava aquela prece ensinada por sua m\u00e3e diante do pres\u00e9pio, em prepara\u00e7\u00e3o ao Natal. Era uma bela ora\u00e7\u00e3o dirigida \u00e0 Virgem Sant\u00edssima, que tudo nos obt\u00e9m de seu divino Filho.<\/p>\n<p>\u2014 Como era mesmo essa ora\u00e7\u00e3o? \u2013\u2013 <span style=\"COLOR: #990000\">perguntava-se a alma atormentada<\/span>.<\/p>\n<p><span style=\"FONT-SIZE: 85%\">(Por Beno\u00eet Bemelmans, extra\u00eddo de <a href=\"http:\/\/www.catolicismo.com.br\/\">Catolicismo<\/a>)<\/span><\/p>\n<p>Continua&#8230;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em seu corpo dolorido, tamb\u00e9m a alma estava triste e ferida. 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