Arquivo

Textos com Etiquetas ‘Salve Rainha’

Hino “Ave Maris Stella” implora a Nossa Senhora nos levar a bom porto

29, julho, 2011 8 comentários

O hino “Salve Estrela do Mar”, mais conhecido pelo seu nome em latim “Ave Maris Stella” tem uma origem difícil de precisar, como muitas orações medievais muito antigas.

A piedade medieval era extremadamente rica e fértil sendo que muitos contributos iam enriquecendo constantemente as fórmulas de piedade.

Isso se deu também com este hino. O “Ave Maris Stella” foi muitíssimo popular na Idade Média e foi objeto de muitas composições e variantes que foram se fecundando reciprocamente.

As primeiras notícias dele remontam ao século VIII.

O criador da letra teria sido São Venâncio Fortunato (530-609), bispo de Poitiers, a quem atribui-se também o “Pange Lingua Gloriosi Proelium Certaminis” (“Canta, minha língua, o glorioso combate”) que serviu de inspiração para o hino eucarístico “Pange Lingua Gloriosi Corporis Mysterium” (“Canta, minha língua, o glorioso mistério da Hóstia”) de São Tomás de Aquino.

A melodia do “Ave Maris Stella”, provém do cântico irlandês “Gabhaim Molta Bríde” composto em honra de Santa Brígida.

 

Nossa Senhora de Buenos Aires

O “Salve Estrela do Mar” tem relevante importância na preparação da consagração à Santíssima Virgem como escravo de amor, segundo o inspirado método de São Luís Maria Grignion de Montfort.

A liturgia católica saúda com o poético “Ave Maris Stella” a Nossa Senhora como “Estrela do Mar”. Porque Nossa Senhora é a Estrela do Mar, quer dizer, a Estrela Polar, que é a mais brilhante, alta, e suprema das estrelas que guia os navegantes em meio à escuridão.

No “Ave Maris Stella” o fiel reza “mostrai que Vós sois Mãe”. Conta-se que na Idade Média um homem rezando aos pés de uma imagem de Nossa Senhora, quando chegou a estas palavras, a imagem se animou e respondeu a ele: “mostra que és filho”!

Na hora de nós nos dirigirmos a Nossa Senhora pedindo para Ela mostrar que é Mãe, pensemos que Ela tem o direito de nos dizer: “Meu filho, mostra que és filho!”

Não há nada melhor que pedir as luzes do Espírito Santo para que a Estrela do Mar nos ilumine no meio do mar agitado e da escuridão hodierna. Só assim nossa nau atingirá o verdadeiro porto, quer dizer, a via de Nossa Senhora e a graça dEla.


Ave, maris stella,

 

Santa Maria do Mar – Barcelona


Ave estrela do mar,

Dei Mater alma,

Mãe de Deus sagrada,

Nossa Senhora dos Bons Ares, Buenos Aires

Atque semper Virgo,

Quem sempre Virgem sois,

Felix cæli porta.

Porta feliz do Céu.

Sumens illud Ave

Tomando aquela Ave

Gabriélis ore,

Por voz de Gabriel,

Funda nos in pace,

Firmai-nos bem na paz,

Mutans Hevæ nomen.

Mudado o nome Eva.

Solve vincla reis,

Aos réos soltai prisões,

Profer lumen cæcis,

Aos cegos vista dai

Mala nostra pelle,

Nossos males tirai

Bona cuncta posce.

Todos os bens pedi.

Monstra te esse matrem,

Mostrai que Vós sois Mãe,

Sumat per te preces

Por Vós ouça os rogos,

Qui pro nobis natus

Quem por causa de nós,

Tulit esse tuus.

Quis vosso Filho ser.

Virgo singuláris,

Ó Virgem singular,

Santa Maria del Mar, Barcelona

Inter omnes mitis,

Mais que todos branda,

Nos culpis solútos

Livres nós da culpa,

Mites fac et castos.

Brandos, castos fazei.

Vitam præsta puram,

Dai-nos vida pura,

Iter para tutum,

Os passos dirigi,

Ut vidéntes Jesum

Porque vendo a Jesus,

Semper collætémur.

Vivamos com prazer.

Sit laus Deo Patri,

Louve-se Deus Padre,

Summo Christo decus,

Honre-se o seu Filho,

Spirítui Sancto,

E seu divino Amor,

Tribus honor unus.

Aos três um só louvor.

Amém.

Fonte: Orações e Milagres Medievais

A Salve Rainha, uma oração profunda, formosa e simples

29, junho, 2011 6 comentários


Depois do Padre Nosso e da Ave Maria, não há oração tão profunda, formosa e simples como a Salve Rainha.

Desde os primeiros momentos de sua aparição, em fins do século X, foi recebida pela Igreja e adotada pela Cristandade, e se reza a cada dia em todos os lares e em todos os templos católicos, desde os mais suntuosos até os mais humildes.

Esta preciosa oração reúne as condições para ser perfeita, segundo a doutrina do Anjo das Escolas [São Tomás de Aquino]: pedir com instância uma graça determinada e estar ela ordenada à vida eterna (cfr. Suma Teológica, IIa IIae, q. 83, a. 17).

Por meio dela, sempre que nos sentimos angustiados pelas provas e amarguras da vida, recorremos ao trono celestial da Virgem, tesouro inesgotável de proteção e de consolo, saudando-a:

  • Primeiramente com aquelas invocações de Rainha e Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, que resumem todos os motivos que temos para acudir a ela com filial e ilimitada confiança; expondo-lhe depois nossa triste condição de desterrados neste vale de lágrimas, através do qual caminhamos dolorosamente, como Ela caminhou um dia;
  • Pedindo-lhe, por último, que nos proteja com o dulcíssimo olhar dos seus olhos misericordiosos, e no final de nossa peregrinação mostre-nos Jesus, que é a ressurreição e a vida eterna.

Tantas são, com efeito, as belezas desta oração, tão profundos seus pensamentos, tão felizes suas expressões, que historiadores da Idade Média, mais artistas que críticos, tais como João Eremita e Alberico de Trois Fontaines (aos quais mais tarde seguiram-se o grande canonista Alpizcueta e a Venerável Maria de Ágreda), acreditaram que tivesse origem angélica.

Até a hora presente não há mais que três escritores que podem aspirar à honra de terem composto a Salve Rainha: o germânico Hermann Contractus, o francês Aymar de Puy e o espanhol São Pedro de Mezonzo.

Oração da Salve Rainha

Salve, Rainha, Mãe de misericórdia,
vida, doçura, esperança nossa, salve!
A vós bradamos os degredados filhos de Eva.
A vós suspiramos, gemendo e
chorando neste vale de lágrimas.

Eia, pois, advogada nossa, esses
vossos olhos misericordiosos a nós volvei,
e depois deste desterro mostrai-nos Jesus,
bendito fruto de vosso ventre.
Ó clemente, ó piedosa, ó doce Virgem Maria.

Rogai por nós, Santa Mãe de Deus.
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.


__________
Fonte: Pe. Dr. Javier Vales Failde, La Salve Explicada, Tipografia de “El Eco Franciscano”, Santiago de Compostela, 1923.

Como os anjos compuseram o “Regina Coeli”

5, maio, 2011 3 comentários

Procissão

Era o ano 590, em Roma. Já devastada por um transbordamento do Tibre, que havia alagado a cidade reduzindo-a à fome, irrompeu uma terrível peste.

Para aplacar a cólera divina, o Papa São Gregório Magno ordenou uma litania septiforme.

Isto é, uma procissão geral do clero e da população romana, formada por sete cortejos que confluíram para a Basílica Vaticana.

Enquanto a grande multidão caminhava pela cidade, a pestilência chegou a um tal furor, que no breve espaço de uma hora oitenta pessoas caíram mortas ao chão.

Anjo faz cessar a peste

Mas São Gregório não cessou um instante de exortar o povo para que continuasse a rezar, e que diante do cortejo fosse levado o quadro da Virgem que chora, do Ara Coeli, pintado pelo evangelista São Lucas.

Junto da ponte que une a cidade ao castelo, inesperadamente ouviu-se um coro que cantava, por cima da sagrada imagem: “Regina Coeli, laetare, Alleluia!”, ao qual São Gregório respondeu:

“Ora pro nobis Deum, Alleluia!”. Assim nasceu o Regina Coeli.

Após o canto, os anjos se colocaram em círculo em torno do quadro. São Gregório Magno, erguendo os olhos, viu sobre o alto do castelo um anjo exterminador que, após enxugar a espada, da qual escorria sangue, colocou-a na bainha, como sinal do cessamento do castigo.

Como recordação, o castelo ficou conhecido com o nome de Sant’Angelo. Em sua mais alta torre foi posta a célebre imagem de São Miguel, o anjo exterminador.

Peça também uma graça a Nossa Senhora. Acenda aqui uma vela em louvor a Virgem Maria

Ouça abaixo o Regina Coeli:


Fonte: Orações e milagres medievais

Tags:

Salve, ó Rainha dos Céus

23, fevereiro, 2011 5 comentários

Enquanto você medita no canto em louvor a Nossa Senhora, preste atenção nas lindas imagens da Virgem Santíssima e interceda a Ela para que tome seus desejos e dificuldades e os leve até o trono de Seu Filho, Nosso Senhor Jesus Cristo.

“Salve, ó Rainha dos Céus”, Juan García de Salazar (1639 – 1710).

Dúvidas sobre termos da Oração Salve Rainha

20, outubro, 2010 6 comentários

Pergunta — O que quer dizer, na Salve Rainha, a invocação “a vós bradamos, os degredados filhos de Eva”?

Resposta — Para melhor compreender a expressão “degredados filhos de Eva”, é conveniente reler o que está nos capítulos 2 e 3 do Gênesis, que narram a criação do homem e a sua queda, cedendo à tentação da serpente e comendo do fruto proibido. Resumiremos os dados principais, transcrevendo alguns trechos desse primeiro livro das Sagradas Escrituras:

“O Senhor Deus formou, pois, o homem do barro da terra, e insuflou no seu rosto um sopro de vida, e o homem tornou-se alma vivente. Ora, o Senhor Deus tinha plantado, desde o princípio, um paraíso de delícias, no qual pôs o homem que tinha formado. E o Senhor Deus tinha produzido da terra toda a casta de árvores formosas à vista, e de frutos doces para comer; e a árvore da vida no meio do paraíso, e a árvore da ciência do bem e do mal. [...] Tomou, pois, o Senhor Deus o homem e colocou-o no paraíso de delícias, para que o cultivasse e guardasse. E deu-lhe este preceito, dizendo: Come de todas as árvores do paraíso, mas não comas do fruto da árvore da ciência do bem e do mal; porque, em qualquer dia que comeres dele, morrerás indubitavelmente” (Gen. 2, 7-15).

 

Salve, Rainha, mãe de misericórdia, vida, doçura, esperança nossa, salve!

 

A queda, o castigo e a expulsão do Paraíso

Segue-se a descrição da criação de Eva a partir de uma costela de Adão. Em seguida vem a tentação da serpente e a queda do homem:

“Mas a serpente era o mais astuto de todos os animais da terra que o Senhor Deus tinha feito. E ela disse à mulher: Por que vos mandou Deus que não comêsseis de todas as árvores do paraíso? Respondeu-lhe a mulher: Nós comemos do fruto das árvores que estão no paraíso, mas do fruto da árvore que está no meio do paraíso Deus nos mandou que não comêssemos, e nem a tocássemos, não suceda que morramos. Porém a serpente disse à mulher: Vós de nenhum modo morrereis. Mas Deus sabe que, em qualquer dia que comerdes dele, abrir-se-ão os vossos olhos e sereis como deuses, conhecendo o bem e o mal.

“Viu, pois, a mulher que [o fruto] da árvore era bom para comer, e formoso aos olhos, e de aspecto agradável; e tirou o fruto dela e comeu; e deu a seu marido, que também comeu. E os olhos de ambos se abriram; e tendo conhecido que estavam nus, coseram folhas de figueira e fizeram para si cinturas. E, tendo ouvido a voz do Senhor Deus, que passeava pelo paraíso à hora da brisa, depois do meio-dia, Adão e sua mulher esconderam-se da face do Senhor Deus no meio das árvores do paraíso” (Gen. 3, 1-8).

Como se fosse possível esconder-se da face de Deus! Deus interpela Adão, que culpa Eva. E Eva culpa a serpente. E depois de amaldiçoar a serpente, Deus diz a Eva:

“Multiplicarei os teus trabalhos, [especialmente os de] teus partos. Darás à luz com dor os filhos, e estarás sob o poder de teu marido, e ele te dominará. E disse a Adão: Porque deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que eu te tinha ordenado que não comesses, a terra será maldita por tua causa; tirarás dela o sustento com trabalhos penosos todos os dias da tua vida. Ela te produzirá espinhos e abrolhos, e tu comerás a erva da terra. Comerás o pão com o suor do teu rosto, até que voltes à terra, de que foste tomado; porque és pó, e em pó te hás de tornar” (Gen. 3, 16-19).

Por desobediência, o degredo de Adão e Eva

Fez também o Senhor Deus a Adão e sua mulher umas túnicas de peles e os vestiu. E disse: Eis que Adão se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal; agora, pois, [expulsemo-lo do paraíso], para que não suceda que ele estenda a sua mão e tome também da árvore da vida, e coma, e viva eternamente. E o Senhor Deus lançou-o fora do paraíso de delícias, para que cultivasse a terra, de que tinha sido tomado. E expulsou Adão, e pôs diante do paraíso de delícias Querubins brandindo uma espada de fogo, para guardar o caminho da árvore da vida” (Gen. 3, 21-24).

Portanto Deus tinha criado o homem para deixá-lo num paraíso de delícias. Esse lugar seria a sua pátria nesta Terra. Tendo ele pecado, Deus expulsou-o desse paraíso, condenando-o a comer o pão com o suor do seu rosto, sujeitando-o a toda espécie de males, e por fim à morte. Como filhos de Adão e Eva, esta é a nossa situação atual: fomos desterrados da pátria que Deus tinha criado para nós, e vivemos numa terra de exílio.

Esta passagem da pátria autêntica, cheia de delícias, para uma terra estranha e adversa, é o que se chama degredo, desterro ou exílio. Somos, pois, os “degredados filhos de Eva”.

A Salve Rainha é uma oração composta originalmente em latim, onde se usa no trecho em questão a palavra exsules, que se traduziria perfeitamente por exilados. No tempo em que a oração foi traduzida para o português, seria mais comum do que hoje o uso da palavra degredo, e portanto todos a compreendiam facilmente. De qualquer modo, o significado é o mesmo: exílio ou desterro, isto é, a expulsão da pátria como castigo de um crime grave, como grave foi a desobediência de Adão e Eva à ordem dada por Deus.

Naturalmente pode dar-se também o exílio voluntário, quando alguém foge do país por receio de ser perseguido por razões políticas ou de outro gênero. Foi o que ocorreu com a Sagrada Família, que se exilou no Egito para fugir da perseguição de Herodes. No caso de Adão e Eva, porém, não se tratou de um exílio voluntário.

Ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria

Uma piedosa legenda atribui as palavras finais da Salve Rainha — o clemens, o pia, o dulcis Virgo Maria — a São Bernardo de Claraval, que as teria pronunciado na Catedral de Spira por ocasião de uma solenidade no dia 25 de dezembro de 1146, na presença do imperador Conrado III. A Salve Rainha é comumente atribuída, toda inteira, ao mesmo S. Bernardo, mas disso não se pode ter certeza, pois algum tempo antes de São Bernardo a oração já era conhecida.

Mais importante do que descobrir sua autoria é rezá-la com freqüência, para que a Santa Mãe de Deus esteja sempre presente, fazendo companhia a nós, que somos “os degredados filhos de Eva”. Máxime em nossos dias, em que esta terra de exílio vai se tornando cada vez mais adversa aos filhos da Santa Igreja, e já se esboçam planos de perseguição aos verdadeiros católicos em todo o mundo, como está previsto no Segredo de Fátima. Mesmo em nosso católico Brasil (ou já se pode falar de ex-católico Brasil?), cujo Plano Nacional de Direitos Humanos, assinado pelo Presidente Lula, contém medidas de verdadeira perseguição religiosa.

Precisamos resistir e lutar, por todos os meios lícitos, contra o que pretendem esses inimigos da Igreja. Mas, não nos iludamos, pode chegar o momento em que todos os que queiramos permanecer fiéis a Nosso Senhor Jesus Cristo sejamos confinados nos calabouços dos novos Coliseus, que vão se construindo nas nações celeremente secularizadas e atéias de nossos dias.

Precisamos estar preparados para enfrentar então o martírio. E desde já, aflitos mas confiantes, devemos levantar os olhos para a Virgem Mãe de Deus e bradar em alta voz:

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva! A vós suspiramos, gemendo e chorando, neste vale de lágrimas! Eia, pois, advogada nossa, esses vossos olhos misericordiosos a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.

E devemos insistir sempre: Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo!

Fonte: Catolicismo

Tags:

A origem da oração Salve Rainha

1, outubro, 2010 7 comentários

A “Salve Rainha” é uma das orações mais populares entre os católicos.

De tão repetida, é rezada às vezes, de forma maquinal, sem que se sinta da profunda emoção que a percorre do princípio ao fim. Por isso, para recuperar toda sua vibração original, pode ser útil analisar, uma por uma, as estremecidas palavras que a conformam.

Quem compôs esta prece tinha uma experiência muito viva das misérias da vida humana. Nesta prece “bradamos” como “degredados”, “suspiramos gemendo e chorando”, vemos o mundo como “um vale de lágrimas”, como um “desterro”…

Entretanto, essa melancólica visão da vida acaba dissolvendo-se num sentimento de doce esperança que a ultrapassa e domina. Com efeito, se ao considerar a condição humana, o autor da prece só vê motivos de tristeza, ao fixar sua atenção naquela a quem a dirige, mostra-se animado por um horizonte de expectativas reconfortantes e consoladoras, pois ela, a Virgem Maria, é “mãe de misericórdia”, “vida, doçura, esperança”, “advogada” de “olhos misericordiosos”…

Captaremos melhor o estado de ânimo de que brotou esta comovente oração se lembrarmos quem a compôs e em que circunstâncias. Ela é atribuída ao monge Herman Contrat que a teria escrito por volta de 1.050, no mosteiro de Reichenan, na Alemanha.

História da “Salve Rainha

Eram tempos terríveis aqueles na Europa central, sucessivas calamidades naturais, destruindo as colheitas, epidemias, miséria, fome e morte por toda parte… e, como não se bastasse, a ameaça contínua dos povos bárbaros do Leste que invadiam os povoados, saqueando e matando, destruindo tudo, inclusive igrejas e conventos.

Frei Contrat tinha consciência da infortunada época em que vivia, mas tinha outras razões, além das agruras da vida de seus contemporâneos, para a aflição e o desconsolo. E não podia fechar os olhos para elas, pois as carregava no seu corpo: ele nascera raquítico e deforme; adulto, mal conseguia andar e escrevia com dificuldade, de mirrados que eram os dedos das suas mãos.

Foi no fundo de todas as misérias, as próprias e as alheias, que a alma de Frei Contrat elevou à Rainha dos céus essa maravilhosa prece, carregada de sofrimento e esperança, que é a “Salve Rainha”. Mas, se foi capaz de fazê-lo foi porque, no mais íntimo de seu ser cintilava, sobre a paisagem desolada do mundo, a figura esplendorosa e amável da Mãe de Jesus..

Nascimento de Frei Contrat
Contam que, no dia do seu nascimento, ao constatarem o raquitismo e má formação do bebê, seus pais caíram em prantos. Sua mãe Miltreed, mulher muito piedosa, ergueu-se então do leito e, lá mesmo, consagrou o menino à Mãe de Deus. Consagrado a Ela, foi educado no amor e na confiança em relação a Ela.

E foi com essa bagagem na alma que anos mais tarde foi levado (de liteira, pois continuava sendo um deficiente físico) até o mosteiro de Reichenan, aonde com o tempo chegou a ser mestre dos noviços, pois o que tinha de inapto seu corpo, tinha de perspicaz seu espírito.

Quando veio a ser conhecida pelos fiéis a “Salve Rainha” teve um sucesso enorme e logo era rezada e cantada por toda parte. Um século mais tarde, ela foi cantada também na catedral de Espira, por ocasião de um encontro de personalidades importantes, entre elas, a do imperador Conrado e a do famoso São Bernardo, conhecido como o “cantor da Virgem Maria”, pelos incendidos louvores que lhe dedicava nos seus sermões e escritos (ele foi um dos primeiros a chamá-la de “Nossa Senhora”).

Dizem que foi nesse dia e lugar que, ao concluir o canto da “Salve Rainha” (cujas últimas palavras eram “mostrai-nos Jesus, o bendito fruto do vosso ventre”), no silêncio que se seguiu, ouviu-se a voz potente de São Bernardo que, num arrebato de entusiasmo pela mãe do Senhor, gritou, sozinho, no meio da catedral: “ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria”… E a partir dessa data estas palavras foram incorporadas à “Salve Rainha” original.

Nos quase mil anos que se passaram desde que Herman Contrat compôs a “Salve Rainha” uma multidão incontável de fiéis tem se identificado como os sentimentos que ela expressa, vivendo desde sua aflição a doce esperança que inspira sempre a figura amável e amada da Mãe do nosso Salvador.

Fonte: Entre Redes

O Rosário – a oração que não pode faltar no lar católico

20, outubro, 2009 2 comentários

O Santo Rosário é certamente uma das práticas de piedade com que mais louvor se presta à Santíssima Virgem, reunindo as principais orações da Igreja.

misterio-do-rosarioConheça cada uma das orações que o compõem e os ensinamentos sobre como se deve rezá-lo.

Orações do Rosário


O Sinal da Cruz

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.

O Credo

Creio em Deus, Pai- todo-poderoso, criador do Céu e da terra. E em Jesus Cristo seu único Filho, Nosso Senhor, que foi concebido pelo poder do Espírito Santo; nasceu da Virgem Maria, padeceu sob Pôncio Pilatos; foi crucificado, morto e sepultado; desceu à mansão dos mortos; ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos céus, está sentado à direita de Deus Pai todo-poderoso, donde há de vir a julgar os vivos e os mortos. Creio no Espírito Santo, na Santa Igreja Católica, na Comunhão dos Santos, na remissão dos pecados, na ressurreição da carne e na vida eterna. Amém.

Pai Nosso

Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja vosso nome. Venha a nós o vosso reino. Seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.

Ave Maria

Ave Maria, cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres e bendito é o fruto de vosso ventre Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém

Glória

Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. Como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Salve Rainha

Salve Rainha, Mãe de misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve. A vós bradamos degredados filhos de Eva. A vós suspiramos gemendo e chorando neste vale de lágrimas. Eia, pois, advogada nossa: esses vossos olhos misericordiosos, a nós volvei. E depois deste desterro, mostrai-nos Jesus, bendito fruto de vosso ventre. Ó clemente, Ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria! Rogai por nós, Santa Mãe de Deus, para que sejamos dignos das promessas de Cristo.

Depois de cada dezena pode-se recitar a seguinte oração, como indicou a Santíssima Virgem Maria em Fátima:

“Ó meu Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do inferno, levai as almas todas para o céu, e socorrei principalmente as que mais necessitarem da vossa misericórdia”.

A maneira correta de se rezar o Rosário

Para recitar o Rosário com verdadeiro proveito deve-se estar em estado de graça ou pelo menos ter a firme resolução de renunciar o pecado mortal.

1. Segurando o Crucifixo, fazer o Sinal da Cruz e em seguida rezar o Credo.

2. Na primeira conta grande, recitar um Pai Nosso.

3. Em cada uma das três contas pequenas, recitar um Ave Maria.

4. Recitar um Glória antes da seguinte conta grande.

5. Anunciar o primeiro Mistério do Rosário do dia e recitar um Pai Nosso na seguinte conta grande.

6. Em cada uma das dez seguintes contas pequenas (uma dezena) recitar um Ave Maria enquanto se faz uma reflexão sobre o mistério.

7. Recitar um Glória depois das dez Ave Marias. Também se pode rezar a oração de Fátima.

8. Cada uma das seguintes dezenas é recitada da mesma forma: anunciando o correspondente mistério, recitando um Pai Nosso, dez Ave Marias e um Glória enquanto se medita o mistério.

9. Ao se terminar o quinto mistério o Rosário costuma ser concluído com a oração da Salve Rainha.

___________________

[Extraído de Agência Católica de Informações]