Religiosos “artistas” e “celebridades”: ser contra ou a favor?

 

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Carta Aberta ao Excelentíssimo Senhor Cardeal Dom João Braz de Aviz, DD. Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica

Excelência Reverendíssima,

No Brasil, cuja realidade é bem conhecida de V.Revma, está cada vez mais frequente a presença de religiosos na grande mídia, especialmente a televisão.

Popularmente chamados “padres celebridades”, tais religiosos levam uma rotina de vida quase semelhante à de artistas, cantores, etc., afirmando fazer parte de uma estratégia de evangelização.

Mas, Excelência, com frequência temos que lutar com a perplexidade de ver esses religiosos participando de programas totalmente inadequados, tanto para sua condição quanto para o bom exemplo e formação espiritual dos fiéis.

Há ocasiões em que, questionados sobre temas polêmicos, omitem ou tergiversam, evitando de dar as respostas claras da Doutrina Católica. Os chamados princípios não negociáveis defendidos pelo Papa Bento XVI.

Enquanto isso, Excelência…

As igrejas estão cada vez mais vazias e Nosso Senhor, no Sacrário, abandonado;

  • Crianças e jovens crescem sem formação religiosa e os pais têm dificuldade de inclui-los em cursos de catecismo;
  • Igualmente difícil é batizar uma criança, tal a quantidade de exigências que desestimulam pais e padrinhos;
  • Encontrar uma igreja aberta – mesmo aos Domingos! – passou a ser uma tarefa difícil em certos horários do dia. Durante a semana, o problema se agrava;
  • Mais difícil ainda é encontrar na igreja um padre disponível para o atendimento dos fiéis que muitas vezes o procuram em busca de um conselho;
  • Cerimônias funerárias já são conduzidas até por sacristães e ministros da eucaristia;
  • As procissões em dias Santos praticamente desapareceram, e muitas sobrevivem apenas como manifestação cultural;
  • Os confessionários praticamente desapareceram dos templos, como se tivessem perdido o sentido de sua existência;

E fala-se o tempo todo que “faltam sacerdotes”…

E fala-se o tempo todo que diminuem os católicos e aumentam os evangélicos, bem como o número dos que se declaram sem religião!

O que pensará o católico vendo a sua Igreja passar por esse declínio e uma legião de religiosos atuando como “artistas”, em busca dos aplausos mundanos?

Santa Teresinha do Menino Jesus, carmelita de clausura, ofereceu sua vida pelos missionários e pela conversão das almas. A Igreja a proclamou Padroeira das Missões, sem que ela nunca tivesse cruzado os limites da clausura do convento!

O que mudou Excelência?

Entristece-nos, sobretudo, constatar que este não é um fenômeno que atinge apenas a Igreja no Brasil.

Ainda recentemente tivemos outro triste episódio dessa suposta “evangelização” superstar na Itália:

– a apresentação da freira italiana Cristina Scuccia no programa da RAI, “The Voice”, no último dia 15/3.

O que leva uma esposa de Cristo, da Congregação das Ursulinas da Sagrada Família de Milão, subir ao palco de um programa mundano e cantar uma melodia tão ou mais mundana ainda?

Ao som da canção popular “No one”, a Irmã Cristina surpreendeu (para não dizer escandalizou) até os jurados.

E em poucas horas virou notícia em todo o mundo, tendo o filme desse triste exemplo atingido a marca de mais de 40 milhões de expectadores!

Veja o Senhor mesmo Excelência: https://www.youtube.com/watch?v=TpaQYSd75Ak

A Irmã Cristina estava evangelizando?

Questionada por um dos jurados do programa sobre o que o Vaticano diria de sua performance, ela respondeu de forma irreverente:

– “Olha, eu não sei, espero um telefonema do Papa Francisco de saudação. Ele nos convida a sair, evangelizar, a dizer que Deus não nos tira nada, pelo contrário, nos dá ainda mais. Eu estou aqui por isso”.

Perplexitante…

De onde é que a Irmã Cristina tirou a ideia de que “Deus não nos tira nada”? Se foi o próprio Nosso Senhor Jesus Cristo, que disse:

“Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me.” (São Mateus 16:24)

Deus não apenas nos tira algo, mas muitas vezes Ele pede que renunciemos a nós mesmos, que deixemos de lado aquilo que nos afasta dEle, seja o que for.

Assim fizeram os santos que a Igreja nos apresenta como modelos elevando-os à honra dos altares.

Se a Irmã Cristina quis sair ao mundo para “evangelizar”, e “dar ao mundo o seu dom” – segundo suas próprias palavras – porque não o fez através de um dos inúmeros meios que a Igreja oferece?

Por que escolheu “evangelizar” através de um programa totalmente secular e inapropriado para a presença de uma religiosa?

Para seguir a regra do programa, ela escolheu continuar concorrendo (ou seja, vai se apresentar muitas vezes ainda) fazendo parte do “time” de Pelu, ex-vocalista da banda “Litfiba” – que fez muito sucesso com a música “El Diablo”.

É essa pessoa quem trabalhará com uma esposa de Cristo num programa com alto índice de audiência em todo o mundo.

O que aparece no vídeo, com mais de 40 milhões de visualizações, é uma religiosa entusiasmada com aplausos e vibrações humanas. Que parece desejar ser reconhecida como uma cantora, uma “superstar”.

No mesmo vídeo vemos também outras religiosas empolgadas e saltitantes, “torcendo” por ela, e dando mostras de que tal programa deve ter grande audiência no Convento em que vivem…

A Congregação das Irmãs Ursulinas, fundada por Santa Angela Merici, sempre foi conhecida pela virtude da caridade e da obediência.

Em mensagem às Irmãs Ursulinas da Sagrada Família no ano de 2002, disse o Papa João Paulo II:

“Santa Angela pedia que cada Ursulina fosse ‘verdadeira e intacta esposa do Filho de Deus’ (Carta preliminar da Regra de Santa ngela Merici): ideal exigente, que requer uma incessante tensão para a santidade.”

Tensão para santidade que as freiras do mundo inteiro sempre mantiveram, por tantas e tantas gerações.

Quem nunca ouviu falar de suas missões pelo mundo todo para ajudar enfermos, pobres, pessoas necessitadas de alimento para o corpo e para alma?

Ou de colégios onde sempre se cultivou o respeito, a disciplina, a virtude da obediência, da prudência e da serenidade através de irmãs consagradas que dedicavam sua vida à educação de milhares de crianças?

As freiras que outrora andavam pelas ruas, recebendo cumprimentos e merecendo o respeito e a veneração de todos, hoje aparecem cantando as chamadas “músicas pop” em busca dos aplausos daqueles que estão pouco ou nada interessados no bem da Santa Igreja Católica.

Será esse acontecimento mais uma prova viva da crise total de valores que atravessa o nosso mundo atual?

Crise que também se constata na conduta de religiosos e religiosas que mais parecem se preocupar com a aparência que suas ações resultam do que com a conversão de almas pecadoras?

Excelência, pedimos vênia para manifestar nossa preocupação a Vossa Reverendíssima.

Estamos preocupados com a drástica diminuição de sacerdotes em todo o mundo nos últimos anos, especialmente no Brasil.

Estamos preocupados por ver desaparecer nos Religiosos o ideal de santidade e vida interior, alma de todo o Apostolado.

Estamos preocupados com a indiferença de muitos católicos quanto às verdades fundamentais da Fé e da Doutrina Católica.

Estamos preocupados com a carência do verdadeiro catecismo para crianças e adultos. Se há 30 anos qualquer jovem conhecia os mandamentos da lei de Deus, a necessidade da Santa Missa e a importância dos sacramentos, hoje vemos crianças que acreditam que padrinhos são aqueles que dão presentes, que a Santa Missa é um culto como qualquer outro de qualquer religião e que não tem ideia do que significa “não pecar contra a castidade”.

Estamos preocupados com os sacerdotes que trocam o altar pelos palcos de “shows” musicais, nos quais não se percebe qualquer movimento no sentido da conversão.

Estamos preocupados de ver que os confessionários – quando ainda existem – estão cada vez mais vazios e as pessoas perdendo o sentido da necessidade de se confessarem.

Estamos preocupados com a falta de ensinamentos relacionados à devoção a Nossa Senhora, aos Anjos, aos Santos, enquanto as pessoas procuram mais argumentos para a legalização do aborto, a aceitação da união homossexual, a liberação das drogas…

De minha parte, Excelência, junto com esta súplica vai minha promessa de orações para que o Imaculado Coração de Maria vos conceda as melhores graças para exercer a dura tarefa que a Providência vos confiou como Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica.

Dizei uma palavra que acalme nosso coração angustiado. As ovelhas gostam de ouvir a voz do pastor.

Rezemos para que nossas religiosas sejam verdadeiras e intactas esposas de Cristo, para que sejam “lírios do campo”, como um grande benfeitor da Ordem das Ursulinas se referia a elas.

Rezemos para os sacerdotes brasileiros sejam verdadeiros missionários e se espelhem no exemplo do Beato José de Anchieta que em breve receberá a honra dos altares.

 

 

 

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  1. Mariah
    22, agosto, 2015 em 13:34 | #1

    “Em entrevista ao G1, “Cardeal João Braz de Aviz criticou a postura de alguns padres cantores, mas preferiu não citar nomes… Afirmou, “nem tudo nos nossos padres cantores está claro, basta olhar. É preciso voltar ao essencial, questionar o porque se está ali cantando aquela música na televisão. Qual a razão que me faz estar aqui? É Jesus Cristo? Minha fama? O dinheiro?”

    Então, acredito que, sabiamente, Dom Braz deixa lacunas para receber opiniões. Obviamente criticas construtivas capazes de agregar e colocar Padres e a música católica em seus devidos lugares. E mais, sendo brasileiro, Dom João Braz deve estar bem informado sobre o assunto.
    Eu particularmente prefiro os padres cantando nas missas, onde a Musica é um Meio de Evangelizar, não um Fim para autopromoção.
    Nesse contexto, cito Padre Reginaldo. Ele também canta e prega para multidões, mas sempre priorizando rezar missas na sua “Paróquia Nossa Senhora de Guadalupe” em Curitiba, para onde destina toda a arrecadação dos seus shows, etc.
    Então, vamos aguardar a resposta do Cardeal João Braz. Enquanto isso, vamos rezar por nossos sacerdotes e seus Bispos. Paz e Bem!

  2. Francisco De Filippo
    28, outubro, 2014 em 16:14 | #2

    As palavras dirigidas por Marcos Aurélio ao dr. Júlio foram muito importantes para mim. Eu gostaria de saber quem é o Marcos Aurélio. É sacerdote? Além de sacerdote, seria teólogo? Seria um leigo muito bem preparado em matéria cristã e suficientemente corajoso para enfrentar uma tendência que só os cristãos autênticos podem enfrentar? Observei os pontos básicos do texto: a) na polêmica religiosa atual, “não se trata de pontos de vista diferentes”, mas de interpretação certa ou errada da Doutrina e da Moral católica; b) na situação atual não cabe o paralelismo com o que aconteceu com São Pedro e São Paulo, pois… c) hoje o que se quer é mudar os ensinamentos perenes da Santa Igreja por meio de sofismas e utilização de formas dúbias de linguagem …; d) por que não designar, sempre São Pedro e São Paulo…? e) a expressão “quem sou eu para julgar também não calha, porque não se trata de julgar por arbítrio próprio….f) todo católico autêntico deve ter o que se chama “senso católico” e …”; g) todo católico deve saber julgar …; h) o amor a Deus sobre todas as coisas não importa que o católico seja indiferente aos acontecimentos …; i) o cristão deve julgar tudo em função do amor de Deus….; j) quem não tem amor de Deus é que é frouxo.
    Os tópicos alinhados acima do dr.Júlio por uma entidade realmente católica. Aguardarei a publicação do, digamos, segundo examinador.

  3. Julio
    30, julho, 2014 em 22:00 | #3

    Como eu gostaria de ver a resposta de Sua Eminência, Cardeal Dom João de Aviz, a esta carta aberta!

  4. Marcos Aurelio
    30, julho, 2014 em 20:09 | #4

    Dr. Júlio,
    Boa Noite!
    De fato o seu comentário, postado na manhã de hoje, ainda não foi liberado para ser melhor analisado também por outros membros da Associação. A questão é que, à primeira vista, parece transparecer nele uma certa ideia de ecumenismo. Na realidade, na polêmica religiosa atual, não se trata de “pontos de vista diferentes”. Trata-se de interpretação certa ou errada da Doutrina e da Moral católica.
    Também na situação atual não cabe o paralelismo com o que aconteceu com São Pedro e São Paulo. Pois São Pedro reconheceu o erro, acatou os argumentos de São Paulo e lhe deu total aprovação. Hoje, pelo contrário, o que se quer é mudar os ensinamentos perenes da Santa Igreja por meio de sofismas e utilização de formas dúbias de linguagem para os fieis irem acostumando com heresias disfarçadas. Por exemplo, porque não designar, sempre, São Pedro e São Paulo com a menção daquilo que mais os dignifica que é a Santidade, mas dizer apenas Pedro e Paulo? Os protestantes é que fazem isso! Ora, devemos nos diferenciar completamente da mentalidade protestante…
    A expressão “quem sou eu para julgar” também não calhar porque não se trata de julgar por arbítrio próprio, mas segundo as sentenças sabidas e conhecidas da Tradição da Igreja. Todo católico autêntico deve ter o que se chama “senso católico” e perceber quando alguma atitude, maneira de ser ou de proceder não coaduna bem com aquilo que sempre foi bom. Todo católico deve ser militante! Portanto, todo católico deve saber julgar e não ir aceitando quaisquer inovações tanto litúrgicas quanto morais.
    O “amar a Deus sobre todas as coisas” não importa que o católico seja indiferente aos acontecimentos. Pelo contrário. É mesmo por isso que ele deve julgar tudo em função do amor de Deus. E portanto com mais empenho e radicalidade em função do grau de seu amor de Deus. Quem não tem amor de Deus é que é frouxo no rejeitar e no combater tanta heresia e tanta blasfêmia.
    Assim sendo, nos termos em que está redigido o seu comentário, na minha opinião, não dá para ser liberado. Mas deverá ser também analisado por mais um cooperador da Associação. Por ser que na sua intenção não tenha o que eu disse. Contudo devemos ponderar não a intenção mas aquilo que se deduz do que está efetivamente escrito.
    Cordialmente,
    Marcos Aurélio Vieira
    30.7.2014

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