A vida dos três pastorinhos (extraído das Memórias da Irmã Lúcia)

luciaAntes dos fatos de 1917, excetuando o laço de parentesco que nos unia, nenhum outro afeto particular me fazia preferir a companhia de Jacinta e Francisco à de qualquer outra criança.

Pelo contrário, a sua companhia tornava-se, por vezes, bastante antipática, pelo seu caráter demasiado melindroso.

A menor contenda – das que se levantam entre as crianças quando brincam – era o bastante para fazer Jacinta ficar amuada, num canto.

Para fazê-la voltar a seu lugar na brincadeira, não bastavam as mais doces carícias, que, em tais ocasiões, as crianças sabem fazer. Era preciso deixá-la escolher o jogo e o par com quem queria jogar.

Tinha, no entanto, um coração muito bem inclinado; e o bom Deus a tinha dotado de um caráter doce e meigo, que a tornava ao mesmo tempo amável e atraente.

Não sei porque, a Jacinta e seu irmãozinho Francisco tinham por mim uma predileção especial, e buscavam-me, quase sempre, para brincar. Não gostavam da companhia das outras crianças e pediam-me para ir com eles para junto de um poço que tinham meus pais no fundo do quintal.

Uma vez aí, Jacinta escolhia os jogos em que íamos nos entreter. Os seus preferidos eram, quase sempre, sentados sobre esse poço, que era coberto de lajes por cima, à sombra de uma oliveira e duas ameixeiras, o jogo das pedrinhas ou do botão.

Outro dos jogos escolhidos era o das prendas. Nesse jogo, quem ganha manda ao que perde fazer uma coisa qualquer. Jacinta gostava de mandar correr atrás das borboletas, até apanhar uma e levar para ela.

Outras vezes, mandava procurar uma flor qualquer, que ela escolhia. Um dia, jogávamos isto, em casa de meus pais, e tocou a mim dar uma ordem a ela. Meu irmão estava sentado a escrever, junto de uma mesa.

Mandei-a então, dar-lhe um abraço e um beijo.

Mas ela respondeu: Isso, não! Manda-me outra coisa. Por que não me mandas beijar aquele Crucifixo que está ali?!

Ela apontava para um crucifixo pendurado na parede.

– Pois sim, – respondi-lhe. Sobe numa cadeira, traze-o aqui, e, de joelhos, dá-lhe três abraços e três beijos: um pelo Francisco, outro por mim, e outro por ti.

– A Nosso Senhor dou tantos quantos quiseres. E correu a buscar o crucifixo. Beijou-o e abraçou-o com tanta devoção que nunca mais esqueci daquela ação.

Continua no próximo post


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